segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

New Begginning - Capítulo 107


- Explique porquê, menina Isabela – pediu calmamente.
Durante alguns segundos olhei para as minhas pernas, pensando em tudo o que evitara desde a minha vida em Portugal.
As inflamações.
A tosse persistente pouco antes de adormecer.
As hemorragias…
- Há pouco mais de seis meses tenho vindo a reparar nalguns indícios de possivelmente ter vindo a criar um tumor na mama.
Zayn parecia estático ao meu lado. Reparei pelo canto do olho que a sua perna tremia e por consequente era a única parte do seu corpo que se mexia.
- Está a viver em Lambeth há quanto tempo?
- Faz três meses agora em novembro.
- Hum…
Estendi discretamente a minha mão esquerda para o vazio entre as pernas de Zayn e ele observou-a durante dois segundos. Entrelaçou os dedos lentamente nos meus e fixou-me.
- Alguma parente sua de gerações anteriores teve cancro da mama? – Perguntou de repente, fazendo-me levantar a cabeça.
- Ahm, não. Que eu saiba não.
O médico assentiu mais uma vez, enquanto anotava todas as informações. Depois olhou para a mesa, à procura de algo. Zayn e eu esperávamos, em silêncio.
- Bom, menina Isabela sente-se na maca.
Zayn inclinou a cabeça na direção da maca, enquanto eu me sentava, apreensiva. O médico – que por sinal se chama Peter – arrastou a cadeira para a minha frente e sentou-se nela.
- Levante a camisa e o soutien – ordenou.
Zayn endireitou as costas de repente e eu senti-me alarmada. Ninguém podia ver o meu peito.
Cruzei os braços, trincando o lábio. Pousava os olhos em diversos pontos da bata branca do doutor Peter, esperando que ele dissesse que não seria preciso analisar-me o peito.
- Isabela, terei que analisar o seu peito para conseguir saber se tem cancro ou não – advertiu, como se me tivesse lido os pensamentos.
Quis olhar para Zayn; quis olhar para ele e perceber pela sua expressão do rosto que não havia problemas em expor o peito a outro alguém, a outro alguém especializado em medicina. Mas não tive coragem de despregar o olhar da identificação do médico, matutando profundamente no assunto.
Calma Bella, isto não pode durar para sempre, disse a minha vozinha interior solidária.
Não faria mal nenhum explicar o estado dos meus seios. O que acontecera tinha acabado. De vez.
Respirei fundo e olhei para os olhos do doutor Peter. Levantei a minha camisola cinzenta e o soutien preto, à medida que explicava o que me acontecera na infância. Achei desnecessário contar pormenores acerca da história sucinta. O médico começara por me apalpar a zona das axilas e a parte superior do tronco, à procura de algum nódulo ou alguma alteração visível na pele – mesmo após eu dizer que tinha sentido o caroço no seio esquerdo. No momento em que eu explicava as protuberâncias que eu sentira no seio esquerdo, há seis meses atrás, ele apalpou-me no sítio exato onde eu sentia o caroço.
- Ai! – proferi involuntariamente.
O doutor Peter estacou na cadeira e olhou para mim. Depois voltou a apalpar o seio na mesma zona e eu voltei a queixar-me.
Olhei, pelo canto do olho, para Zayn que cerrara os dentes com força. Aquilo incomodava-o.
- Quero que a menina faça uma mamografia ainda hoje. – Pediu o médico, afastando-se.
Baixei a camisola e levantei-me para me voltar a sentar na cadeira, ao lado de Zayn. Ele apressou-se a agarrar-me na mão e a chegar-se mais para o meu lado. Não evitei expressar um pequeno sorriso.
- Há três hipóteses, menina Isabela – disse-me o doutor, olhando seriamente para mim. – Ou tem um tumor benigno ou um quisto, que não trazem quaisquer riscos malignos, ou então, tem realmente um cancro na mama.
O meu lábio inferior tremia, e eu sabia porquê.
- A menina é muito nova, e não é comum jovens mulheres como você desenvolverem um cancro. No entanto, eu próprio vi o estado dos seus seios e posso garantir que as queimaduras deverão ser a causa para o pressuposto cancro.
Talvez eu apenas tivesse um tumor ou um quisto. Nada que não fosse tão grave quanto eu pensava.
- Quando sai o resultado da mamografia? – Perguntei, distraindo-me da ansiedade que se começava a criar no meu peito.
- Entre cinco a oito dias.
- Não se pode saber em menos tempo? – Zayn falou pela primeira vez, numa voz grave, rouca e, no entanto, serena.
O médico Peter juntou as mãos e virou-se para ele.
- Em alguns casos urgentes poderá vir a saber-se em pouco mais de dois ou três dias.
- E isto não é um caso urgente?
O consultório ficou silencioso por alguns momentos, deixando-me também a mim a pensar se o meu caso era urgente de se saber se ganhara cancro da mama.
- Você mesmo disse que não é comum na idade dela se desenvolver um cancro da mama – Zayn continuou a atacar. – A meu ver, quanto mais rápido se souber, melhor.
O doutor Peter assentiu, pouco depois. Fez mais algumas anotações e acompanhou-nos, a mim e a Zayn, até à receção. A senhora por detrás do balcão era ruiva e, decerto, quarentona.
- Stella, marca uma mamografia urgente para a senhora Isabela. Ela que seja atendida o quanto antes e certifica-te que os resultados serão os primeiros a sair.

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