Admito que o
medo assolou-me a certa altura. Nunca pensei ter caminhado pelos corredores do
hospital de Lambeth para ir fazer uma mamografia. Não com a minha idade atual.
Não com Zayn a meu lado. Porque não podia isto ser apenas alguns exames de rotina?
Porquê eu?
- Agora quero
que a menina Isabela tire a camisola, por favor – pediu-me a enfermeira,
despertando-me dos meus pensamentos.
Estávamos numa
sala com cores alegres e uma máquina maior que eu, branca. Era suposto as
paredes vermelhas e o teto amarelo darem-me força para pensar que nos
resultados não iria mostrar nada? Se sim, bem, não conseguiram. A única coisa
em que pensei foi que no final disto tudo acabaria por ficar só com um seio e
careca.
Quando tirei a
camisola e desapertei o soutien, fixou-me o peito durante um segundo, mas não
comentou nada.
- Vou ajustar a
máquina à sua altura para conseguir colocar um dos seios sobre esta placa –
apontou para uma placa transparente que estava ao nível do meu rosto, mas que
depressa começava a vê-la a aproximar-se do nível do meu peito. – E depois o
outro.
Sorriu-me com
amabilidade e eu retribuí.
- Enquanto a
máquina tirar o raio-X, não se mexa – advertiu-me quando percebeu que as minhas
mãos tremiam.
Zayn esperava lá
fora e eu só desejava que ele estivesse ali comigo. Trinquei o lábio e fechei
os olhos, sobrepondo os meus pensamentos ao barulho que a máquina fazia ao
tirar o raio-X. Pensei em Zayn. Pensei na noite que tivera com ele.
Depois as minhas
sobrancelhas arquearam-se involuntariamente quando uma imagem de Louis apareceu
algures na minha mente.
- Agora falta o
seio esquerdo – ouvi a voz da enfermeira, fazendo-me abrir os olhos.
Colocou o meu
seio sobre a placa transparente e utilizou a cobertura plástica para achatar o
peito contra a placa, tal e qual como fez com o direito. Porém, aquilo dava-me
dores de cortar o fôlego.
Quando a
radiografia acabou, apressei-me a ir ter com Zayn.
- Já está? –
Perguntou, rodeando-me com os seus braços.
- Penso que sim.
Esperei pela
enfermeira e esta disse-nos que me ligavam quando os resultados saíssem.
Durante algum tempo ficou a olhar para o meu rosto… como se se sentisse
solidária.
- Estou a torcer
para que seja só um susto – acabou por dizer e depois voltou para a sala da
máquina de raio-X.
Nós saímos
rapidamente do hospital, tentando esquecer o que acontecera durante a manhã.
Eram onze e dez, o que me fez lembrar o almoço em casa de Harry.
Zayn disse que
ainda tínhamos tempo.
- Depois
ligo-lhe a dizer que te levo lá. Não te preocupes – sussurrou-me com uma carícia
na maçã do rosto, fechados dentro do carro.
O rio Tamisa à
nossa frente era calmo e pacífico.
Durante algum
tempo o silêncio deixou-se ficar, com apenas alguns indícios do som de gaivotas
lá ao longe perto do cais. Zayn levava comigo no seu colo, deixando-me tocar na
sua barba e enroscar-me nele tanto quanto possível. Por sua vez, ele dava-me
doces beijos no cimo da minha testa e brincava com a minha mão, junto aos
nossos peitos.
- Achas que irei
ficar careca durante as quimioterapias?
A minha voz
estava trémula. Zayn respirou fundo.
- Os resultados
vão apontar que está tudo bem contigo – respondeu num murmúrio forte.
- Mas não está,
Zayn. O médico, ele próprio, disse que na melhor das hipóteses eu teria um
tumor. – Baixei o tom de voz. – Isso não é estar tudo bem…
Denotei algum
tremor na sua garganta e ele puxou-me mais contra si, esmagando-me no seu
peito. Depois enlacei os braços no seu pescoço, sentindo as lágrimas caírem dos
meus olhos. Coincidência, a primeira lágrima fez as graças pelo meu olho esquerdo.
- Não chores –
pediu-me, quase inaudivelmente.
- Também estás a
chorar, seu parvo.
- Eu sou eu, tu
és tu.
Depois de dizer
aquilo, pegou-me no rosto e virou-me de frente para ele. Os seus olhos estavam
vermelhos à volta da íris castanha e a testa franzia em rugas pregadas com
propósitos. Os seus lábios, molhados pelas lágrimas, inchavam visivelmente.
- Tu não tens
nada, Bella – murmurou a custo. – Tu és saudável. Tu és saudável.
Encostámos as
testas uma na outra e fechámos os olhos. Limpei-lhe as lágrimas, sabendo que a
imagem de durão que Zayn transmitia para a imprensa não era compatível com a
verdadeira pessoa que ele era.
Empurrou a minha
testa para trás e eu abri os olhos. Ele olhava-me, piscando algumas vezes os
olhos.
- Não vou deixar
que percas vontade de fazer o teu dia-a-dia. Aliás, vou agora deixar-te em
Holmes Chapel – ajudou-me a voltar a sentar-me no meu banco, fazendo uma pausa para colocar o cinto. – Mas depois vou
buscar-te. Mete o cinto, Bella.
Era impressão
minha ou Zayn parecia-me um pouco ansioso? Do lado positivo, claro.
- Vais-me levar
onde? – Perguntei, curiosa.
- Isso –
aproximou-se de mim e pousou os lábios nos meus – é surpresa, Bells. Mete o
cinto.
Zayn pôs o carro
em marcha, mal ouviu o clique do cinto a trancar. Agarrei-me ao banco como
prevenção devido à velocidade a que ele ia.
- Acho que hoje ainda não é a minha hora, Zayn. Não
vás tão depressa – pedi-lhe, sentindo o coração na garganta seca.
Olhou para mim
furtivamente, exibindo o seu sorriso maroto.
- Contigo é
sempre a crescer, meu amor.
Trinquei o
lábio, percebendo a segunda intenção no que ele dissera.
Quando chegámos
a casa do Hazza – dez minutos e cinquenta e nove segundos depois, segundo o meu
relógio – Zayn ligou-lhe.
- Estamos aqui
fora, mano.
Pouco depois,
vimos Harry a subir a encosta que dava acesso à garagem de sua casa, ainda de
calças do pijama e tronco nu, e com os canudos do seu cabelo todos emaranhados.
- Não era
suposto eu vir almoçar com a tua família? – Perguntei, num tom trocista.
Ele chegou perto
de nós e abriu-nos os portões, para entrarmos. Cumprimentou Zayn com um encoste
de ombro e um abraço e depois deu-me outro a mim, seguido de um beijo na testa.
- E vens almoçar
com a minha família – confirmou a sorrir. – Mas eles só chegam por volta da uma
da tarde. Queres entrar, Zayn?
- Não é preciso,
Hazza. Eu ainda tenho que tratar de algumas coisas. Quando a Bella estiver
despachada avisa-me.
Recuou alguns
passos, sorrindo-me.
- O que andas a
tramar, Zayn? – Perguntei, cruzando os braços ao peito com cuidado.
Era certo que
agora que desconfiava do cancro – com algumas certezas –, que o meu corpo
estava muito mais sensível ao toque.
- Surpresa é
surpresa, Bells.
Piscou o olho
antes de entrar no carro, liga-lo e sair dali entre uma nuvem de fumo e um
conjunto de sons que faziam lembrar um animal em fúria.
- Bom – disse
Harry, despertando a minha atenção para ele – é melhor entrarmos, pois começa a
ficar frio. E eu estou de pijama.
Dei uma
gargalhada, revirando os olhos. Ele colocou um braço em volta do meu pescoço e
eu coloquei o meu em volta da cintura dele. Entrámos em sua casa, pela porta
das traseiras da cozinha, onde estava a sua mãe a cozinhar. Olhou na nossa
direção e um sorriso surgiu na sua face.
- Já chegaste,
Bella! – Proclamou numa voz entusiástica.
Limpou as mãos a
um pano antes de me vir dar dois beijinhos no rosto e um abraço; que com a
força com que foi dado, me fez silvar discretamente.
- Harry, vai-te
vestir homem, temos visitas e tu ainda assim. – Advertiu Anne e ele apressou-se
a desaparecer em direção ao quarto.
- Oh, não tem
mal ele estar assim à minha frente – falei com uma gargalhada.
- Eu sei
querida, e o Louis também já está habituado. Mas o Harry abusa.
A minha audição
perdeu-se quando Anne disse o nome dele. Engoli em seco.
- O Louis está
aqui? – Sussurrei.
Anne olhou para
o outro lado da cozinha.
- Olá, Bella.

UIIII, agora é que vai ser! Gostava muito que ela ficasse com o Zayn :P
ResponderEliminarnão posso dizer c quem ela vai ficar :b xx
Eliminarvais por hoje? pff :(
ResponderEliminarvou tentar :c
Eliminarainda vais por? pfffffffff :))
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