quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

New Begginning - Capítulo 108


Admito que o medo assolou-me a certa altura. Nunca pensei ter caminhado pelos corredores do hospital de Lambeth para ir fazer uma mamografia. Não com a minha idade atual. Não com Zayn a meu lado. Porque não podia isto ser apenas alguns exames de rotina? Porquê eu?
- Agora quero que a menina Isabela tire a camisola, por favor – pediu-me a enfermeira, despertando-me dos meus pensamentos.
Estávamos numa sala com cores alegres e uma máquina maior que eu, branca. Era suposto as paredes vermelhas e o teto amarelo darem-me força para pensar que nos resultados não iria mostrar nada? Se sim, bem, não conseguiram. A única coisa em que pensei foi que no final disto tudo acabaria por ficar só com um seio e careca.
Quando tirei a camisola e desapertei o soutien, fixou-me o peito durante um segundo, mas não comentou nada.
- Vou ajustar a máquina à sua altura para conseguir colocar um dos seios sobre esta placa – apontou para uma placa transparente que estava ao nível do meu rosto, mas que depressa começava a vê-la a aproximar-se do nível do meu peito. – E depois o outro.
Sorriu-me com amabilidade e eu retribuí.
- Enquanto a máquina tirar o raio-X, não se mexa – advertiu-me quando percebeu que as minhas mãos tremiam.
Zayn esperava lá fora e eu só desejava que ele estivesse ali comigo. Trinquei o lábio e fechei os olhos, sobrepondo os meus pensamentos ao barulho que a máquina fazia ao tirar o raio-X. Pensei em Zayn. Pensei na noite que tivera com ele.
Depois as minhas sobrancelhas arquearam-se involuntariamente quando uma imagem de Louis apareceu algures na minha mente.
- Agora falta o seio esquerdo – ouvi a voz da enfermeira, fazendo-me abrir os olhos.
Colocou o meu seio sobre a placa transparente e utilizou a cobertura plástica para achatar o peito contra a placa, tal e qual como fez com o direito. Porém, aquilo dava-me dores de cortar o fôlego.
Quando a radiografia acabou, apressei-me a ir ter com Zayn.
- Já está? – Perguntou, rodeando-me com os seus braços.
- Penso que sim.
Esperei pela enfermeira e esta disse-nos que me ligavam quando os resultados saíssem. Durante algum tempo ficou a olhar para o meu rosto… como se se sentisse solidária.
- Estou a torcer para que seja só um susto – acabou por dizer e depois voltou para a sala da máquina de raio-X.
Nós saímos rapidamente do hospital, tentando esquecer o que acontecera durante a manhã. Eram onze e dez, o que me fez lembrar o almoço em casa de Harry.
Zayn disse que ainda tínhamos tempo.
- Depois ligo-lhe a dizer que te levo lá. Não te preocupes – sussurrou-me com uma carícia na maçã do rosto, fechados dentro do carro.
O rio Tamisa à nossa frente era calmo e pacífico.
Durante algum tempo o silêncio deixou-se ficar, com apenas alguns indícios do som de gaivotas lá ao longe perto do cais. Zayn levava comigo no seu colo, deixando-me tocar na sua barba e enroscar-me nele tanto quanto possível. Por sua vez, ele dava-me doces beijos no cimo da minha testa e brincava com a minha mão, junto aos nossos peitos.
- Achas que irei ficar careca durante as quimioterapias?
A minha voz estava trémula. Zayn respirou fundo.
- Os resultados vão apontar que está tudo bem contigo – respondeu num murmúrio forte.
- Mas não está, Zayn. O médico, ele próprio, disse que na melhor das hipóteses eu teria um tumor. – Baixei o tom de voz. – Isso não é estar tudo bem…
Denotei algum tremor na sua garganta e ele puxou-me mais contra si, esmagando-me no seu peito. Depois enlacei os braços no seu pescoço, sentindo as lágrimas caírem dos meus olhos. Coincidência, a primeira lágrima fez as graças pelo meu olho esquerdo.
- Não chores – pediu-me, quase inaudivelmente.
- Também estás a chorar, seu parvo.
- Eu sou eu, tu és tu.
Depois de dizer aquilo, pegou-me no rosto e virou-me de frente para ele. Os seus olhos estavam vermelhos à volta da íris castanha e a testa franzia em rugas pregadas com propósitos. Os seus lábios, molhados pelas lágrimas, inchavam visivelmente.
- Tu não tens nada, Bella – murmurou a custo. – Tu és saudável. Tu és saudável.
Encostámos as testas uma na outra e fechámos os olhos. Limpei-lhe as lágrimas, sabendo que a imagem de durão que Zayn transmitia para a imprensa não era compatível com a verdadeira pessoa que ele era.
Empurrou a minha testa para trás e eu abri os olhos. Ele olhava-me, piscando algumas vezes os olhos.
- Não vou deixar que percas vontade de fazer o teu dia-a-dia. Aliás, vou agora deixar-te em Holmes Chapel – ajudou-me a voltar a sentar-me no meu banco, fazendo uma pausa para colocar o cinto. – Mas depois vou buscar-te. Mete o cinto, Bella.
Era impressão minha ou Zayn parecia-me um pouco ansioso? Do lado positivo, claro.
- Vais-me levar onde? – Perguntei, curiosa.
- Isso – aproximou-se de mim e pousou os lábios nos meus – é surpresa, Bells. Mete o cinto.
Zayn pôs o carro em marcha, mal ouviu o clique do cinto a trancar. Agarrei-me ao banco como prevenção devido à velocidade a que ele ia.
- Acho que hoje ainda não é a minha hora, Zayn. Não vás tão depressa – pedi-lhe, sentindo o coração na garganta seca.
Olhou para mim furtivamente, exibindo o seu sorriso maroto.
- Contigo é sempre a crescer, meu amor.
Trinquei o lábio, percebendo a segunda intenção no que ele dissera.
Quando chegámos a casa do Hazza – dez minutos e cinquenta e nove segundos depois, segundo o meu relógio – Zayn ligou-lhe.
- Estamos aqui fora, mano.
Pouco depois, vimos Harry a subir a encosta que dava acesso à garagem de sua casa, ainda de calças do pijama e tronco nu, e com os canudos do seu cabelo todos emaranhados.
- Não era suposto eu vir almoçar com a tua família? – Perguntei, num tom trocista.
Ele chegou perto de nós e abriu-nos os portões, para entrarmos. Cumprimentou Zayn com um encoste de ombro e um abraço e depois deu-me outro a mim, seguido de um beijo na testa.
- E vens almoçar com a minha família – confirmou a sorrir. – Mas eles só chegam por volta da uma da tarde. Queres entrar, Zayn?
- Não é preciso, Hazza. Eu ainda tenho que tratar de algumas coisas. Quando a Bella estiver despachada avisa-me.
Recuou alguns passos, sorrindo-me.
- O que andas a tramar, Zayn? – Perguntei, cruzando os braços ao peito com cuidado.
Era certo que agora que desconfiava do cancro – com algumas certezas –, que o meu corpo estava muito mais sensível ao toque.
- Surpresa é surpresa, Bells.
Piscou o olho antes de entrar no carro, liga-lo e sair dali entre uma nuvem de fumo e um conjunto de sons que faziam lembrar um animal em fúria.
- Bom – disse Harry, despertando a minha atenção para ele – é melhor entrarmos, pois começa a ficar frio. E eu estou de pijama.
Dei uma gargalhada, revirando os olhos. Ele colocou um braço em volta do meu pescoço e eu coloquei o meu em volta da cintura dele. Entrámos em sua casa, pela porta das traseiras da cozinha, onde estava a sua mãe a cozinhar. Olhou na nossa direção e um sorriso surgiu na sua face.
- Já chegaste, Bella! – Proclamou numa voz entusiástica.
Limpou as mãos a um pano antes de me vir dar dois beijinhos no rosto e um abraço; que com a força com que foi dado, me fez silvar discretamente.
- Harry, vai-te vestir homem, temos visitas e tu ainda assim. – Advertiu Anne e ele apressou-se a desaparecer em direção ao quarto.
- Oh, não tem mal ele estar assim à minha frente – falei com uma gargalhada.
- Eu sei querida, e o Louis também já está habituado. Mas o Harry abusa.
A minha audição perdeu-se quando Anne disse o nome dele. Engoli em seco.
- O Louis está aqui? – Sussurrei.
Anne olhou para o outro lado da cozinha.
- Olá, Bella.

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