Já estava a ler há quase duas horas e comecei a notar o esforço que
os meus olhos faziam por se manterem abertos. Inclinei-me para a frente,
chegando a minha mão ao copo e peguei nele. A minha mão tremeu e deixei o copo
cair no chão, partindo-se em mil pedaços. A minha mãe estava na cozinha e ouviu
todo o ruído agudo provocado pelo acidente.
- Bella! – Ouvi a sua voz aflita.
- Estou bem mãe, foi um acidente.
Ela já estava próxima de mim, percorrendo o olhar por todos os pontos
do meu corpo à procura de sangue, quando Zayn desceu as escadas a correr, com
Sam atrás dele.
- Não aconteceu nada de mais, não me cortei – justifiquei-me muito
antes de algum deles largar alguma pergunta.
- Não te aproximes Sam, podes cortar-te. - Zayn foi até à cozinha
buscar uma vassoura e recolheu todos os vidros partidos.
Eu continuava sentada na poltrona, com o livro no meu colo e, calada
a observar os movimentos do meu namorado. Apetecia-me arrancar-lhe a vassoura
das mãos e espalhar mais os vidros por toda a sala, mas mantive-me quieta
simplesmente pelo facto de estar demasiado cansada até para me mover.
- Desculpa mãe – disse-lhe.
Ela olhou para mim e fez um movimento com a mão que indicasse para
não me preocupar.
- É um copo, se fosse o meu jarro de flores se calhar era mais
preocupante.
- Percebo, com tantas orquídeas que o Liam te oferece... – comentei.
Ela sorriu ternamente, evidenciando o brilho que se criava sempre que
ouvia o nome do meu amigo. A relação que a minha mãe tinha com Liam era
bastante única. Desde os primeiros tratamentos de radioterapia que Liam vinha
visitar-nos quase todas as semanas e trazia sempre um ramo de orquídeas para a
minha mãe. Ela tinha-se tornado mais... atenciosa
e atenta do que alguma vez fora comigo e com o meu irmão. Provavelmente a
influência de Liam em relação à paternidade tenha criado mais impacto do que eu
alguma vez imaginara. Ela nunca teria reagido tão bem a um acidente daqueles se
tivesse acontecido há alguns anos atrás. Nada que se comparasse às reações do
meu pai, mas não posso dizer que ela não teria dado dois ou três gritos.
- Obrigada Zayn. Não te preocupes, eu trato do resto.
Zayn já tinha ido duas vezes à cozinha e teria voltado mais uma vez
se a minha mãe não tivesse ainda dito que preferia que me levasse para o
quarto.
Em vez de me dar a mão como apoio para me levantar, Zayn colocou os
meus braços à volta do seu pescoço e pegou em mim ao colo. O livro não caíra.
- Estás a tornar-te bom no que fazes – sussurrei ao seu ouvido.
Ele piscou-me o olho antes de começar a subir as escadas e eu apenas
pousei a cabeça no seu ombro, durante alguns segundos. Assim que chegámos ao
meu quarto, deixou-me sentada na cama. Levantei-me para arrumar o livro na
estante, sempre com Zayn à perna.
- Eu estou bem, ok? –
Resmunguei. – Não preciso de babysitter
atrás de mim até para arrumar a porcaria de um livro.
Agarrei no pijama e dirigi-me à casa de banho, trocando de roupa em
pouco mais de dois minutos. Voltei para o quarto e Zayn já não estava lá.
Suspirei ruidosamente, martirizando-me pela maneira como lhe tinha falado. Ele
estava apenas preocupado comigo, agora que eu tivera alta do Dr. Peter para
poder vir para casa. O que tinha acontecido na sala ditava que os tendões do
meu braço ainda não estavam totalmente recuperados para sequer pegar num copo
de água; ainda por cima com o braço completamente esticado.
Quando acordei percebera que tinha adormecido por algumas horas. O
meu irmão e a minha mãe já estavam a dormir. O relógio apontava um quarto para
as quatro da manhã e Zayn não estava na cama. Esfreguei os olhos por um momento
e vesti o casaco polar. Desci as escadas até à cozinha, calcei as botas e saí
para as traseiras da casa.
Conseguia ver a ponta acesa do cigarro ao longe, um ponto avermelhado
no meio de todo aquele negrume. Não lhe conseguia ver a silhueta, mas sabia que
era ele. Caminhei com cuidado pelas ervas, tentando que a minha visão se
habituasse à escuridão e à débil luminosidade que a lua oferecia, por trás das
nuvens. O vento estava frio, mas não muito forte.
- Não devias estar na cama? Quentinho comigo? – Perguntei quando já
estava a dois passos dele.
Agarrei-o por trás, num abraço leve e delicado.
- Tu é que não devias estar aqui. Podes apanhar uma constipação –
Zayn respondeu.
- Não te preocupes. Qualquer coisa tenho sempre alguém ao meu lado
para me dar leite com mel ou lenços para o nariz.
Ele largou o cigarro na terra, pisando-o de seguida. Virou-se de
frente para mim e consegui ver-lhe a expressão de preocupação no rosto, um leve
traço de reprovação também.
- Se quiseres eu posso deixar de cá dormir, assim também não tens de
te preocupar em vir cá fora e ficas longe do risco de apanhar uma pneumonia.
- O que estás a querer dizer? – Ripostei, levando as minhas mãos aos
bolsos.
Ele suspirou.
- Não precisas de babysitters
para arrumar a porcaria de um livro, quanto mais para adormecer.
Senti a expressão do meu rosto mudar consoante o meu estado de
espírito.
- É disso que se trata? De eu ter dito, e com razão, que não
precisava de duas mãos atrás de mim sempre que eu me mexa um centímetro?
- Trata-se que saíste do hospital há pouco mais de dois dias e
precisas de descanso. Eu fico preocupado sempre que te vejo com aflição, sempre
que levantas os braços ou sempre que trocas de roupa.
Trinquei o lábio. Eu sabia do que ele falava.
- Não tens de te preocupar, Zayn, o médico disse que não havia
problemas com isso e que até me fazia bem.
Ele olhou para o céu durante uns momentos e eu fiz o mesmo. Esta
noite não veríamos as estrelas. Voltou a encarar-me e o seu maxilar estava
rígido. Olhei-o nos olhos até que me puxou contra ele, tendo o cuidado de não
me esmagar.

Como eu amo esta fic! É tão .... urhhhh sei lá, nem tenho palavras para explicar. É destas fic's que eu amo e que se vê que na vida nem tudo é perfeito. Até podemos acreditar no amor e estar mesmo a vive-lo mas sabemos que acontecerá sempre algo que nos leva para a vida real ..
ResponderEliminarAmo esta ficcc :) Quando acabar espero que, futuramente, escrevas outra novamente.
aw deuses obrigada!! :') as tuas palavras fizeram-me a minha noite e o meu dia seguinte, estou tão feliz por gostares da minha fic, significa mesmo muito para mim. e sim, vou escrever uma fic depois desta, mas noutro blogue, já a estou a planear, no entanto, só começarei mesmo a escrever depois de acabar esta :*
EliminarOk! Estou feliz por não desapareceres depois desta fic! Então depois avisa para eu saber por onde anda a futura fic! :)
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