Não voltou a discutir comigo, deu-me um beijo na testa, um beijo que
se transformou numa suave carícia. Os seus braços procuraram envolver-me e
encostou a cabeça no meu pescoço. Fechei os olhos, sentindo a sua respiração
quente na minha pele. Arrepiei-me com a sensação e tremi ligeiramente debaixo
dos seus braços. Soube que ele tinha sorrido com isso.
Sussurrou-me uma ordem de recolha, então caminhámos calmamente de
volta a casa. Tranquei a porta com a chave e desliguei todas as luzes, depois
de descalçar as botas. Subimos as escadas em silêncio. Fechei a porta do
quarto, um hábito e uma necessidade sempre que Zayn dormia cá. Deitei-me,
observando-o a despir o casaco de cabedal, a camisa formal, as calças de ganga
preta e suspirei perante aquela visão, o simples ato de tirar a roupa do
dia-a-dia que naturalmente se assemelhava a um espetáculo de striptease com
classe.
Juntou-se a mim e puxou os lençóis até ao cimo das nossas cabeças,
tapando-nos por completo. Levei a mão à parede, apalpando até encontrar o
interruptor e desligar a luz. Já só conseguia ouvir as nossas respirações e não
tinha a certeza se o sono chegaria em poucos minutos ou se ainda ficaria
acordada algum tempo.
- Zayn? – Sussurrei.
Ele ronronou em resposta e eu percebi que estava quase a adormecer.
Mexeu-se um pouco e senti as suas mãos chegarem-se ao meu corpo.
- Encosta-te a mim, meu amor
– pediu, chamando-me em português.
Fiz o que pediu, sempre com o cuidado dos meus braços encontrarem um
ponto confortável onde pudessem descansar. Acabei por encostar as minhas mãos
no seu peito, a minha testa contra a sua e entrelaçámos as nossas pernas.
- Lembras-te quando me foste buscar ao hospital? – Perguntei
baixinho.
Ele demorou a responder e por momentos pensei que tivesse adormecido.
Mas remexeu-se.
- Hm.
Trinquei o lábio.
- Já passou quase um mês – murmurei ainda mais baixo.
- Eu lembro-me bem – respondeu no mesmo tom e percebi que expressara
um sorriso presunçoso. Eu teria rido se fossem outras circunstâncias.
A minha menstruação nunca chegava a um atraso de dois dias, no
máximo. Nunca tivera problemas em calcular a altura do mês. E já deveria ter
vindo na semana a seguir a termos estado juntos.
- Já passou quase um mês – murmurei de novo. – Estou atrasada, Zayn.
- De quanto tempo?
Apesar de ele ter perguntado, eu sabia que já não estava a
raciocinar. Suspirei.
- Três semanas.
O silêncio abateu-se sobre nós. Eu estava preocupada, mas não era
capaz de pensar sequer que poderia ser algo mais... preocupante. A verdade é
que acontecia-nos a todas, certo? Em algum ponto da nossa vida algo se
descontrola, nada de grave, nada de especial, apenas um inconveniente. Era o
mais provável, mas surpreendi-me quando os meus pensamentos se entorpeceram
entre orações aos santos e às divindades.
A sensação de um leve roçar na minha anca acordou-me de um sono
agitado. Afastei o quer que estivesse a provocar-me essa sensação, ainda não
estava preparada para acordar. Queria dormir mais um pouco.
“Bella... Bella...”, alguém me chamou.
- Acorda, meu amor.
Pisquei os olhos algumas vezes, inebriados ainda pela sonolência,
obrigando-os a abrir sucessivamente. Continuávamos na mesma posição com que
adormeceramos, à exceção das nossas pernas já não se encontrarem entrelaçadas,
o que me fez suspeitar que ele já tivesse saído da cama.
- Já tomaste o pequeno-almoço? – Perguntei.
- Sim, a tua mãe fez bolo de chocolate para nós – um sorriso
iluminou-lhe o rosto.
Dei uma risada, plenamente consciente que quando Harry chegasse não
teríamos hipótese alguma de voltar a comer sequer uma migalha.
Ao remexer as pernas senti uma humidade desconfortável entre as
perdas. Inclinei o rosto para as minhas coxas e notei uma mancha vermelha onde
o vinco das calças de pijama fazia contacto com as minhas cuecas, e
consequentemente, com o meu íntimo.
Senti-me aliviada e envergonhada ao mesmo tempo.
- Tenho de ir tomar banho e preparar-me – disse-lhe. – Podes dar-me
alguma privacidade?
- Sempre tomámos banho juntos – retorquiu.
Trinquei o lábio, sentindo um ardor nas bochechas.
- Sim, mas hoje prefiro tomar banho sozinha.
Ele fixou-me o rosto, examinando-me. O seu olhar desceu para a minha
cintura e involuntariamente apertei as coxas; demasiado óbvio.
- Ohh...
Fechei os olhos com o embaraço. Zayn riu-se de mim e depois deu-me um
beijo rápido antes de sair da cama. Agradeci-lhe e quando me levantei percebi
que não sujara os lençóis da cama. Era uma mais-valia, menos uma preocupação. A
rapidez com que Zayn percebera que eu estava menstruada era sinal de que a
nossa confiança enquanto homem e mulher tinha evoluído bastante e eu estava
contente com isso.
Peguei em duas peças de roupa interior ao calhas, optei por uma
sweatshirt azul-escuro e umas leggings pretas. Foi complicado tomar banho,
sempre que levantava os braços sentia a pele ser puxada e provocava-me uma dor
aguda nas zonas envolta dos seios. Ter pedido a Zayn para tomar banho sozinha
talvez tenha sido um erro.

Moreeeeee! I need moreeee :)
ResponderEliminarare you portuguese ? :)
EliminarSim, mas adoro falar em Inglês! :) Mas tenho a certeza que a tua fic deve ser lida por outras nacionalidades, e se ainda não é vai ser.. Pk ela é espetacular :)
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