segunda-feira, 18 de agosto de 2014

New Begginning - Capítulo 133


De vez a vez a roda parava e eu sentei-me no chão da cápsula, forçando a minha consciência de que estava a mais de 400 pés de distância do chão. Era excitante e assustador ao mesmo tempo. Respirei fundo.
Zayn sentou-se atrás de mim, envolvendo o meu corpo no seu abraço.
- Vês a Tower Bridge? – perguntou, a sua respiração quente batendo contra a minha nuca.
Afirmei com um aceno de cabeça.
- As duas básculas levantam sempre que um barco passa por baixo da ponte, como sabes. No entanto, a única vez que levantam completamente é quando a família real e a Rainha passeiam de barco. Mesmo que seja um bote que não precise das básculas erguidas.
- Não sabia disso.
- Houve uma altura que o rio Tamisa era tão poluído que o chamavam de O Grande Fedor. E o que vês à tua volta é a junção das cidades de Londres e Westminster. O Palácio de Westminster, consegues ver? – Apontou para a nossa esquerda, inclinando o meu rosto ligeiramente. – Não é o relógio que se chama Big Ben, mas sim o sino da Torre.
Entrelaçou as nossas mãos e encostou a sua cabeça no meu ombro. Fechei os olhos por uns segundos, concentrando-me apenas no bater do seu coração. Depois continuei a observar Londres, sentindo-me surpreendentemente calma.
- Há meses que queria ver Londres desta perspetiva – murmurei involuntariamente.
- Ainda bem que a tua primeira vez foi comigo – respondeu, também a sussurrar.
O fim da viagem aproximava-se e o alvoroço que se havia formado há trinta minutos atrás continuava a aumentar. Eu percebia como é que de repente a zona do London Eye tinha sido invadida; nunca devia substimar o poder do fandom e das redes sociais. Por isso é que eu cada vez mais detestava Twitters e Facebook.
- Estamos lixados – disse Marie.
- Não, o Paul já está lá em baixo – confirmou Liam, olhando para o telemóvel.
Voltei a cobrir-me com o capuz e quando percebi a situação à minha volta, os rapazes estavam ao meu redor como se fossem os meus guarda-costas. Marie e Gemma, cada uma ao meu lado, discutiam sobre a que restaurante deveríamos ir almoçar. Não comentei nada sobre Zayn e o resto dos rapazes estarem designados como um campo de forças sobre mim, também pelo facto de estar um tanto assustada com a situação que se desenrolava nos jardins. Eu suspeitava que nenhuma das rapariga ali à espera sabia que eu tinha cancro e, por isso, as tentivas de chegarem aos rapazes valeriam todas as consequências. Não as julgava, se estivesse nalguma situação semelhante faria de tudo para tentar um olhar ou até um sorriso do meu ídolo dirigido a mim. No entanto, a minha situação era pertinente e eu, confesso, que estava um tanto a torcer para que os seguranças estabelecessem um caminho seguro para passarmos entre elas.
Zayn estava à minha frente e segurei-lhe na mão nos segundos que restavam até a porta da cabine se abrir.
O tempo pareceu mais lento nos momentos que se seguiram; os gritos encheram-me os ouvidos e eu não conseguia ouvir mais nada a não ser isso e os nomes dos rapazes transformados em guinchos e suplicos. Eu sentia-me como se estivesse numa carapaça de tartaruga. Até agora os seguranças e Paul faziam o trabalho firme de abrir caminho entre a multidão de raparigas.
Mas não era o suficiente. Não eram seguranças suficientes e os rapazes não estavam a conseguir manter a barreira implacável à minha volta. Eram constantemente empurrados, tanto dum lado como do outro. Eu já tinha perdido a noção dos sentidos e toda aquela confusão começava realmente a afetar-me. O meu coração batia pesadamente no meu peito e a uma velocidade descomunal. Os meus ouvidos estavam entorpecidos de tanta gritaria.
Era uma loucura.
Mas tinha de continuar a avançar até ao carro de Louis.
- Afastem-se todas! – Gritava Paul.
- Para trás! – Ameaçava outro segurança que eu não estava a reconhecer.
Zayn já não estava mais à minha frente. O meu coração disparou ainda mais e eu agora tinha a sensação que me ia sair pela garganta acima. O espaço vazio deixado por ele à minha frente era agora preenchido por Paul que felizmente mantinha as fãs separadas de mim.
Já nem me preocupava mais se algum deles sairia ileso daqui, eu é que tinha de sair ilesa daqui.
- Para trás! – Era tudo o que eu ouvia Paul dizer. – Para trás! Tudo a afastar-se!
O meu rosto estava escondido pelo capuz; não na totalidade, mas eu sabia que esconder o meu cabelo tornava, de certa forma, o meu rosto mais fácil de passar despercebido. Era como se eu tivesse duas identidades faciais.
Já estávamos perto do carro de Louis e a esta altura os meus dedos doíam de tanto fazer figas. Funguei o nariz ao sentir uma estranha comichão, mas concentrei-me mais em acompanhar o ritmo de Paul. Niall, do meu lado direito, tentava largar a mão duma fã que eu não percebi bem se o queria puxar para aquela multidão ou se queria ser puxada para junto de nós. Liam, ao lado de Niall, usava as costas de outro segurança – chamado John – para se proteger das raparigas.
- Isto é de loucos – suspirei.
Marie, de óculos de sol postos, virou o rosto na minha direção. O seu sorriso de concordância foi substituído por uma expressão apática.
- O que foi? – Perguntei.
- Bella...

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