A sua mão apontou para o meu rosto, mais exatamente para o meu nariz.
Cocei de novo, sentindo a comichão, mas desta vez olhei para a manga
do casaco e o meu estômago contorceu-se. Tinha a manga manchada de sangue,
sangue que agora corria-me pelo nariz. Um efeito secundário. E eu não sabia
exatamente do quê.
- Zayn! – Gritei. – Zayn!
Caíam cada vez mais pingos de sangue das minhas narinas e numa
tentativa falhada de parar a hemorragia ensopei as mangas do meu casaco, que
agoram estavam dum cinzento escuro avermelhado. Até sentia as minhas mãos
húmidas.
- Zayn!
Gritei de novo. Gemma e Marie aproximaram-se mais de mim. Só queria
sair dali, agora mais do que nunca.
- Tirem-me daqui, por favor! – Gritei desta vez.
À medida que respirava pela boca conseguia sentir o sabor a ferro do
meu próprio sangue na minha garganta.
- Tirem-me daqui!
Não conseguia parar de gritar. Os nossos passos tornaram-se mais
rápidos e agora alguns dos gritos que eu ouvia não se devia à excitação de os
One Direction estarem a passear, mas sim ao terror de alguém a ser magoado. Paul
e mais dois seguranças investiam seriamente no nosso avanço.
Sentia a minha cara besuntada
com o meu sangue e o cheiro estava a dar-me voltas ao estômago. Sentia-me
também prestes a vomitar. A minha respiração estava acelerada e por mais que eu
tentasse manter-me calma, era difícil. Mantinha a cabeça baixa, o que não
ajudava em nada a estancar o sangue.
- Bella – ouvi alguém chamar por mim.
Era Zayn. Virei-me para o procurar, numa necessidade tremenda de
querer refugiar-me no seu abraço, como se isso fosse a única coisa capaz de me
acalmar. Um dos seguranças tentava puxá-lo para junto de nós – ele tinha-se
afastado do grupo por causa das fãs. Quando os seus olhos me encontraram o
rosto, várias emoções passaram fugazmente nos seus olhos e eu claramente pude
ver que ele estava zangado.
Não.
Furioso.
Parei de avançar. Não iria mais longe sem o ter perto de mim.
Agora pude claramente ver que ele não era mais cuidadoso e quase tive
pena das fãs que o separavam de mim. Senti todos os seus olhos postos em mim,
estupefactas com o que viam. O meu rosto coberto de sangue.
- Bella – vi os seus lábios formarem o meu nome, mas não o ouvi.
Alguém empurrou-me e eu tropecei, caindo no chão. Senti o sangue
subir ainda mais à minha cabeça e os meus olhos entorpecerem-se. Num segundo
deixei de ouvir todo o barulho e os nomes deles gritados por elas. Senti também
uma dor aguda na minha cabeça. Os meus braços estavam inclinados para o meu
peito, outra necessidade que eu tinha de proteger os meus seios frágeis.
Estava a perder os sentidos, conseguia percebê-lo. Não o iria deixar.
Ele nunca se perdoaria se algo de mal me acontecesse. Tentei com todas as minhas
forças manter-me lúcida. Alguém mandou toda a gente afastar-se. E já conseguia
ouvir sirenes, no entanto, não conseguia perceber se eram da polícia ou de
alguma ambulância. Aposto que tinha sido algum dos meninos a chamá-los. Assim tão
rápido?
Quando dei por ela, estava apoiada no colo de alguém. Os meus olhos
não viam nada. Tentava a todo o custo respirar pela boca, portanto não
conseguia perceber pelo cheiro quem era. Eu tinha
um bom olfacto. O meu corpo pesava-me agora. Um autêntico chumbo nos braços
quentes da pessoa.
Era complicado, muito,
manter-me a pensar. Tentei concentrar-me em algo mas a única coisa que me
ocorria à mente era a barba de Zayn. Não larguei essas palavras que ecoavam na
minha cabeça. A barba de Zayn. A barba de
Zayn. A barba de Zayn.
A sua boca rodeada de pêlos bem aparados e limpos, as suas bochechas
protegidas pela penugem negra que tanto me era apelativa.
A barba de Zayn.
Quando o conheci ele ainda não a tinha. Barbeava-se sempre, talvez, o
que lhe dava um ar dos eternos dezanove. Mas, algum tempo depois de nos
conhecermos, depois do nosso primeiro beijo, depois de toda a história confusa
entre nós e da distância dele, deixei escapar que gostava de o ver com barba.
- Nunca conseguirei lidar com a tua barba – disse-lhe eu, nessa
altura que já não me lembro onde tinha sido ou quando.
- Não me apeteceu barbear-me hoje de manhã, desculpa – pigarreou. Ao qual
eu me tinha rido.
Disso eu lembro-me.
- Estás a perceber mal, tonto.
Ele tinha olhado para mim fixamente, o que me pôs a corar.
- É que – comecei, mas desviei o olhar com vergonha – acho que te
fica bem.
Recordo-me de ter ficado tão acanhada que as minhas bochechas
começaram a exalar calor.
A barba do Zayn.
Abri os olhos de súbito, quase cegando-me com a claridade que tinha à
minha frente. Via um monte de vultos envolta de mim, cores como o amarelo e o
cinzento. Provavelmente o céu, já que era a cor predominante. Sentia-me cansada,
sem forças. Pisquei os olhos mais uma vez e já via com alguma clareza quem se
encontrava em meu redor. Harry estava ao meu lado, assim como Zayn. Os seus
rostos não tinham expressão. Depois vi mais três pessoas que não reconheci, mas
vestiam o mesmo uniforme amarelo. Sentia-me esgotada até para raciocinar, então
deixei-me ficar impotente e fechei de novo os olhos.

Fd* eu amo esta fic! Quando a leio é uma mistura de tantos sentimentos que eu nem sei explicar! Jesus!! Continua por favor ;)
ResponderEliminarainda bem que gostas :3 está por vir muito mais! xx
Eliminar