O quarto dele cheirava a incenso. E ao contrário do meu estava limpo
e arrumado. Deduzi que ele tivesse ido diretamente buscar-me ao hospital e
ainda não tivesse passado por casa. Estávamos sozinhos.
Levantou-me do chão e atirou-me contra o colchão da sua cama. Retirei
os meus ténis com pressa e preparava-me para tirar as meias, mas ele agarrou-me
nas mãos. Mexia com o meu sistema nervoso vê-lo em cima de mim.
Quis tirar-lhe a t-shirt mas, mais uma vez, afastou-me as mãos. Então
agarrei-lhe no cabelo. As suas mãos estavam frias enquanto ele me acariciava
através da minha camisola. Inclinei-me para cima e retirou-a; arrepiei-me com a
recordação da nossa primeira noite juntos. Beijou-me no rosto e no pescoço
enquanto eu estava reduzida a tocar-lhe no cabelo. Os seus lábios desceram ao
meu peito enquanto despia o resto do meu corpo com calma. Depois notei que os
seus lábios não me tocavam mais e abri os olhos. Zayn entreolhava o meu peito e
os meus braços.
Estava coberta de nódulos negros causados pelas brincadeiras com Sam,
marcas que escondia há mais de um mês. Não estava a salvo de Zayn e eu sabia
disso. Criou trilhos e caminhos entre as marcas que de escuras passavam a
claras e novamente a escuras sempre que os seus dedos lhes tocavam. Trazia-me
arrepios atrás de arrepios. Porém, Zayn não dissera nada. Eu esperava que ele
resmungasse sobre a minha falta de cuidados ou sobre o facto de eu não dizer
que estava cada vez mais fraca ao contacto dos outros. Tudo o que ele fez foi
beijar-me incansavelmente. Deslizei as minhas mãos pelos ombros dele, descendo
até ao seu tronco. Tirei-lhe a t-shirt e trinquei o meu lábio ao ver as suas
tatuagens novas e os músculos definidos que me levariam ao êxtase.
- Vem cá – pedi.
Os meus lábios dormentes acalmaram com os dele. Livrei-me finalmente
das nossas calças, mas mantive as minhas meias calçadas, estava frio. As minhas
pernas ficavam com pele de galinha à medida que os seus dedos se aproximavam
lentamente das minhas coxas, tal como eu tinha imaginado no seu carro. Uma das
suas mãos subiu sobre as minhas cuecas de renda e voltou a descer, tocando
diretamente na minha intimidade. Suspirei ruidosamente.
Eu estava demasiado molhada e Zayn definitivamente que sentia isso;
ver os seus lábios entreabertos e ouvir a sua respiração entrecortada dava-me
certezas que ele me desejava. E isso deixava-me tão feliz.
- Há tanto tempo que não estávamos só nós os dois – murmurou contra
os meus lábios.
- Hm – gemi.
Ele sorriu.
- E hoje és tão minha – murmurou. – Tão minha, tão minha, tão
minha... – murmurou repetidamente.
Ele acariciava-me com dois dedos e beijava-me em todo o rosto, dois
polos de carinho completamente diferentes, um completa e físicamente prazeroso
e o outro rica e totalmente romântico. Mas cada segundo me ficava gravado na
memória, ou pelo menos, eu assim me esforçava por gravar. E a certas alturas
parecia-me tudo acontecer em câmara lenta.
As pernas dele a roçarem nas minhas, o calor a dissipar-se ao nosso
redor. O volume generoso que me esfregava na intimidade e os seus beijos no
pescoço que me faziam arrepiar os pêlos da nuca. A sua outra mão que me
percorria a cintura lentamente, a sua respiração rouca e calma que me deixava
sem fôlego.
O meu corpo reagia ao doce roçar dos seus lábios na minha pele à
medida que descia por ele. Agarrou nas minhas cuecas de renda com os dentes e
retirou-as com paciência. Ergueu-se ligeiramente a fim de as atirar para o
outro lado do quarto, voltando a baixar-se sem antes não tirar os boxers.
Trinquei o lábio mais uma vez ao olhar diretamente para ele.
Ele rolou os olhos e sorriu com desdém.
- Tu fazes de propósito, eu tenho a certeza que sim – rosnou.
Dei uma risadinha, provocando-o propositadamente. Atirou-se a mim com
um sorriso quase cruel, pegando-me à cintura e puxando-me para cima. Bastaram
quatro segundos e já o sentia
direcionado para o meu centro. O rosto de Zayn, todo ele perfeito e de cortar a
respiração, estava a centímetros do meu. Já sentia falta da cama, mas ele
persistia em penetrar-me contra a parede. Mesmo que tivesse a cama como
preferência, nunca me ocorreu
reclamar com ele.
Quase que era ridículo a quantidade de palavras que ele me
sussurrava. Palavras independentes que comparadas à anterior e à seguinte não
tinham por onde pegar. Ora era completamente amoroso ora absolutamente
ordinário. Contudo, eu gostava e apesar de me sentir cada vez mais fraca à
medida que o tempo passava, estes momentos só nossos eram os momentos quando eu
me sentia forte, rejuvenescida e nova.

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