segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Nem Begginning - Capítulo 14


Eu sabia que estranhavam o facto de eu ter chamado Querido a Zayn, mas eu era assim. Aparentava ter uma confiança absolutamente irreverente.
- Bom, eles devem demorar. Alguém quer ir comer alguma coisa? – Interviu Louis. – Frank garantiu-me que Panda estava num estado crítico e que não ia sair daqui tão cedo.
- Eu alinho em ir ao Nando’s. – Disse Harry.
- Outra vez? – Replicou Zayn.
Louis explodiu e eu assustei-me.
- Já estás assim desde manhã. O que é que se passa contigo?! Foi alguma coisa com a Perrie!? Estás com um mau humor desde a sessão de autógrafos, Zayn, estou farto dessa onda negativa, mano!
Estava atenta à postura corporal de Zayn enquanto Louis o repreendia, e na altura em que Louis referiu o ornitorrinco dos desenhos animados, Zayn olhou para mim. Desviei o olhar para o chão.
Eu ligava muito aos sinais. E naquele momento estava a ter um sinal. Um sinal que não era bom.
- Vá, para lá com isso, Louis. – Pedi, continuando a olhar para o chão. – Onde é que é mesmo esse tal Nandos?
- Nando’s – corrigiu-me Harry.
Fitei-o por um segundo, sorrindo enviesadamente.
- E é aqui o menino Zayn que nos leva? – Perguntei.
Zayn suspirou.
- Não tenho outro remédio, não é?
- Vou à frente! – Acabei por dizer, rindo-me.
Todos se riram, incluindo Zayn, o que acabou por aliviar o ambiente tenso que havia no ar.
A meio do caminho liguei à minha mãe. Falei na minha língua nativa, o que me deu gozo em relação a eles. À medida que ia falando, que ia utilizando expressões próprias portuguesas – que provavelmente não teria preciso utilizado se não estivesse com eles (só queria assusta-los um pouco) – ia-me virando para trás, ia vendo os rostos de Louis, Harry e Zayn. Este último ria-se, acho que percebia o que eu tentava fazer. Os outros dois apenas tentavam decifrar algumas coisas que eu dizia.
- Sim, mãe, devo ter dinheiro suficiente. Qualquer coisa peço a um deles. Beijinhos, até logo.
E desliguei.
Como ainda estava no primeiro dia em Londres – e definitivamente não sabia ruas, bairros ou o quer que seja – por onde quer que eles estivessem a ir, eu não iria saber como voltar ao local. Logo, jantar ou almoçar fora com a minha mãe, talvez com um dos rapazes, o que me parecia pouco provável.
- Então – Zayn começou por perguntar – isso era… espanhol? – Ele ia para estacionar o carro à frente do Nando’s (reparei no letreiro), mas Louis chegou-se à frente, quase em cima de mim.
- Mano, olha os paparazzi.
Zayn abrandou o Lamborghini e depois pensou por uns momentos. Encolheu os ombros e estacionou o carro no lugar que pretendia.
- Enquanto eu não reaver o meu isqueiro, ela terá que lidar com a fama – reclamou, olhando de esguelha para mim. Depois piscou o olho.
Não percebi aquilo.
Fiquei um pouco estática, mas quando ouvi uma porta do carro abrir, abri automaticamente a porta do meu lado. Saí, ainda a pensar no piscar de olho de Zayn.
Era bastante óbvio que eu ficara a pensar naquele rapaz desde o primeiro momento em que o vira no beco atrás do centro comercial. Até porque ele era bastante giro e ninguém podia discordar comigo.
“Deve ter namorada”.
É o mais provável.
À medida que íamos jantando, e que os rapazes iam rindo e comendo, eu ia observando tudo à minha volta. Quero dizer, ia observando-os. Eles eram famosos e desejados por imensas raparigas e eu própria testemunhei isso, mas não o sentia. Para mim eram simples rapazes. Lindos de morrer, provavelmente populares até, mas famosos não.
E depois havia outra questão; porque estava Louis sempre a olhar para mim? Estávamos frente a frente, e isso incomodava-me.
- Louis – chamei-o com o dedo indicador para que se aproximasse. Ele inclinou-se para a frente, com um olhar expectante.
Sussurrei.
- Não fiques especado a olhar para mim, por favor. É assustador, rapaz.
Louis ficou atrapalhado e corou. Zayn olhou para mim como quem diz “Apanhaste-o”. Mas não disse nada, assim como Louis que depois não me dirigiu a palavra a noite toda. Talvez com vergonha.

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