Olhei para ele e
ele para mim.
- Nunca falámos
com Sam acerca disso, porque é um assunto delicado. Não sabemos porque era tão
importante o pai para ele.
Sentei-me no
meio da erva e Zayn sentou-se também, ficando demasiado perto de mim. Os nossos
braços roçaram; estava à espera que ele se afastasse, mas isso não aconteceu. O
que me deixou estranhamente alegre.
- E tu?
- Eu o quê? –
Perguntei.
Ele levantou a
cabeça.
- O teu pai era
importante?
Encolhi os
ombros.
- Não sou
sentimentalista. Já me disseram que tenho um coração frio, até.
Comecei a rir
para esconder o quanto isso me importava. Ele ficou estático a olhar para mim.
- Quero que
saibas uma coisa sobre mim. – Falou ele.
- Sim?
- Eu sei ver
quanto uma pessoa está a mentir.
- Mas eu não
menti. – Declarei.
- Em relação ao
que sentes, sim.
- Que queres
dizer com isso? – Dei-lhe um soco leve no ombro.
Zayn levantou-se
e esticou as mãos para mim. Agarrei nas mãos dele e ele levantou-me. Não nos
largámos, ficando a olhar diretamente nos olhos um do outro.
- Preocupa-te o
que dizem sobre ti. Importas-te se dizem que tens um coração frio.
- Agora viraste
Dr. Phil, foi?
Desviei o olhar
para baixo. Ele estava vestido com umas calças pretas, sapatilhas e um casaco
de cabedal castanho que lhe ficava a dar um ar ameaçador. Mas naquele momento
ele não tinha ar de ameaçador.
Apertou-me as
mãos e depois largou-as. Encarei-o. Levou a mão ao meu rosto para me acariciar
numa bochecha. Semicerrei os olhos.
- Estás
demasiado querido para o meu gosto. – Murmurei.
Ele resfolegou a
sorrir.
- Sou assim
sempre.
- Para todas? –
Desafiei.
- Só para quem
merece.
Engoli em seco.
- E porque é que
eu mereço? – Sussurrei, mas ele não respondeu. Decidi mudar o tema de conversa.
- Já viste
alguma máquina fotográfica Polaroid?
- Não, porquê?
Sorri-lhe.
- Anda – agarrei
na mão dele e puxei-o até casa.
Fui ao meu
quarto buscar a máquina e voltei para o encontrar a brincar com o meu irmão no
meio do hall de entrada. Esperei pela
oportunidade certa e click!, tirei
fotografia. Ele logo a seguir olhou para cima e eu abanei a foto à sua frente.
Zayn sorriu e voltou a brincar com o meu irmão.
Fui tirando
fotos e mais fotos até que ele veio ter comigo e pediu – quer dizer, exigiu –
para que visse as fotos que eu tinha tirado.
- És uma boa
fotógrafa – elogiou-me.
Senti-me um
pouco importante.
- Obrigada.
E aí, ele pegou
na máquina e virou-a para mim. A minha reação foi de urgência para tapar a
cara.
- Nem penses
nisso, Zayn!
Cambaleei para
longe dele, sempre escondendo a cara.
- Porquê? –
Perguntou-me com inocência.
Sam
respondeu-lhe.
- A mana detesta
ser fotografada. Acha que não fica bonita.
Zayn olhou para
ele e baixou-se.
- Pois eu acho
que a mana é tola. Não achas, Sam?
Afastei a mão da
cara para os observar melhor. O meu irmão acenou afirmativamente. Zayn virou-se
para mim e a minha reação imediata foi voltar a tapar a cara.
- Calma –
tranquilizou-me. – Eu não tento mais.
- Se o fizesses,
chateava-me a sério.
Zayn não
respondeu, largou a máquina Polaroid em cima da mobília do hall de
entrada e voltou a brincar com Booboo. Peguei na minha máquina e logo senti
alívio por finalmente ter o controlo de volta nas minhas mãos.
Algum tempo
depois observei as horas.
- Já são duas da
tarde, almoças cá, certo? – Perguntei a Zayn.
Ele levantou-se
furtivamente e olhou-me fixamente. Depois chegou-se ao pé de mim e sussurrou:
- Eu realmente
queria almoçar contigo, mas não precisamos de dar trabalho à tua mãe.
Um arrepio
subiu-me à coluna, quando senti os seus lábios quase ou tão em cima do meu
rosto. Mas fingi que ele não causara efeito nenhum sobre mim.
- Eu é que ia
cozinhar – murmurei também.
Ele afastou-se e
olhou para mim com uma sobrancelha arqueada.


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