terça-feira, 23 de outubro de 2012

New Begginning - Capítulo 27


Olhei para ele e ele para mim.
- Nunca falámos com Sam acerca disso, porque é um assunto delicado. Não sabemos porque era tão importante o pai para ele.
Sentei-me no meio da erva e Zayn sentou-se também, ficando demasiado perto de mim. Os nossos braços roçaram; estava à espera que ele se afastasse, mas isso não aconteceu. O que me deixou estranhamente alegre.
- E tu?
- Eu o quê? – Perguntei.
Ele levantou a cabeça.
- O teu pai era importante?
Encolhi os ombros.
- Não sou sentimentalista. Já me disseram que tenho um coração frio, até.
Comecei a rir para esconder o quanto isso me importava. Ele ficou estático a olhar para mim.
- Quero que saibas uma coisa sobre mim. – Falou ele.
- Sim?
- Eu sei ver quanto uma pessoa está a mentir.
- Mas eu não menti. – Declarei.
- Em relação ao que sentes, sim.
- Que queres dizer com isso? – Dei-lhe um soco leve no ombro.
Zayn levantou-se e esticou as mãos para mim. Agarrei nas mãos dele e ele levantou-me. Não nos largámos, ficando a olhar diretamente nos olhos um do outro.
- Preocupa-te o que dizem sobre ti. Importas-te se dizem que tens um coração frio.
- Agora viraste Dr. Phil, foi?
Desviei o olhar para baixo. Ele estava vestido com umas calças pretas, sapatilhas e um casaco de cabedal castanho que lhe ficava a dar um ar ameaçador. Mas naquele momento ele não tinha ar de ameaçador.
Apertou-me as mãos e depois largou-as. Encarei-o. Levou a mão ao meu rosto para me acariciar numa bochecha. Semicerrei os olhos.
- Estás demasiado querido para o meu gosto. – Murmurei.
Ele resfolegou a sorrir.
- Sou assim sempre.
- Para todas? – Desafiei.
- Só para quem merece.
Engoli em seco.
- E porque é que eu mereço? – Sussurrei, mas ele não respondeu. Decidi mudar o tema de conversa.
- Já viste alguma máquina fotográfica Polaroid?
- Não, porquê?
Sorri-lhe.
- Anda – agarrei na mão dele e puxei-o até casa.
Fui ao meu quarto buscar a máquina e voltei para o encontrar a brincar com o meu irmão no meio do hall de entrada. Esperei pela oportunidade certa e click!, tirei fotografia. Ele logo a seguir olhou para cima e eu abanei a foto à sua frente. Zayn sorriu e voltou a brincar com o meu irmão.
Fui tirando fotos e mais fotos até que ele veio ter comigo e pediu – quer dizer, exigiu – para que visse as fotos que eu tinha tirado.
- És uma boa fotógrafa – elogiou-me.
Senti-me um pouco importante.
- Obrigada.
E aí, ele pegou na máquina e virou-a para mim. A minha reação foi de urgência para tapar a cara.
- Nem penses nisso, Zayn!
Cambaleei para longe dele, sempre escondendo a cara.
- Porquê? – Perguntou-me com inocência.
Sam respondeu-lhe.
- A mana detesta ser fotografada. Acha que não fica bonita.
Zayn olhou para ele e baixou-se.
- Pois eu acho que a mana é tola. Não achas, Sam?
Afastei a mão da cara para os observar melhor. O meu irmão acenou afirmativamente. Zayn virou-se para mim e a minha reação imediata foi voltar a tapar a cara.
- Calma – tranquilizou-me. – Eu não tento mais.
- Se o fizesses, chateava-me a sério.
Zayn não respondeu, largou a máquina Polaroid em cima da mobília do hall de entrada e voltou a brincar com Booboo. Peguei na minha máquina e logo senti alívio por finalmente ter o controlo de volta nas minhas mãos.
Algum tempo depois observei as horas.
- Já são duas da tarde, almoças cá, certo? – Perguntei a Zayn.
Ele levantou-se furtivamente e olhou-me fixamente. Depois chegou-se ao pé de mim e sussurrou:
- Eu realmente queria almoçar contigo, mas não precisamos de dar trabalho à tua mãe.
Um arrepio subiu-me à coluna, quando senti os seus lábios quase ou tão em cima do meu rosto. Mas fingi que ele não causara efeito nenhum sobre mim.
- Eu é que ia cozinhar – murmurei também.
Ele afastou-se e olhou para mim com uma sobrancelha arqueada.

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