Entrámos no carro dele, um Porsche preto, lindo.
Durante o caminho nenhum de nós falou ou pronunciou qualquer palavra.
O que me deixou refletir em relação a tudo o que estava a acontecer à minha
volta. Porém, os meus pensamentos retomavam sempre para Zayn ou Louis.
Qualquer rapariga gostava de se sentir desejada. E eu não era
exceção. Então dei conta de que eu não estava enganada. Louis podia ter
namorada, mas os factos eram óbvios. Ele interessava-se
por mim. Os olhares furtivos na loja de animais, no jantar e em minha casa. A
sua recente queda de olhares para o meu peito, na discoteca…
Encolhi-me no banco, tapando o peito com o casaco.
A certo instante, os meus pensamentos mudaram.
Louis era giro. Louis estava interessado em mim. Louis parecia ser um
rapaz impecável.
Trinquei o lábio.
Seria errado pensar em dois rapazes ao mesmo tempo? Como… como num
triângulo amoroso, apesar de não estar envolvida com nenhum deles?
Ele abrandou o carro, estacionando-o em frente ao jardim de minha
casa.
- Chegámos. – Disse ele, desligando o motor do carro e virando-se
para mim. Fechei o casaco, puxando o zip até cá acima.
Coloquei todo o meu cabelo do lado direito, deixando o meu pescoço a
descoberto, e reparei que ele me olhava atentamente.
- Ainda te caiem os olhos, Louis – sussurrei, mas o silêncio reinava,
então a minha voz fez-se ouvir na perfeição.
Ele deu uma risada.
- Desculpa. É só que…
Louis deixou a frase em suspensão. Olhei para ele.
- Só que o quê? – Perguntei, inclinando o corpo na sua direção.
Ele também se aproximou, fixando os meus lábios. A distância
tornou-se relativamente mínima.
- Tenho que ir – vociferei, afastando-me. Abri a porta do carro e
avancei em passo rápido até à porta da minha casa. Atravessei o jardim, indo
desnorteada pela calçada de pedra, quando ouvi a voz dele, ansiosa.
- Espera!
Parei. E respirei fundo.
Durante algum tempo fiquei a olhar para a porta de casa,
questionando-me se devia ou não virar-me.
Oh, que se lixe.
Dei meia volta, e observei a sua figura. Louis estava com um ar
nervoso, como se não soubesse muito bem o que fazer.
- O que queres, Louis? – Perguntei, mas depressa reformulei a
pergunta. – O que queres… de mim?
Ele levantou o olhar e aproximou-se. Mas tudo parecia um filme; a sua
expressão, o seu andar lento e até mesmo a maneira como agarrou no meu rosto
para depois pousar os seus lábios nos meus.
Ou Louis era um fantástico beijador, ou os seus lábios assentavam
perfeitamente nos meus. À medida que as nossas línguas dançavam uma com a
outra, numa genial harmonia, senti o braço dele rodear-me a cintura,
empurrando-me contra o seu corpo quente. A minha cabeça começou a andar à roda,
não por sua culpa, mas porque eu sabia, bem lá no fundo, que era errado.
Afastei-me, a custo, dele.
- Isto é errado – murmurei. – Nunca devia ter acontecido.
Fugi para dentro de casa, deixando-o sozinho. A minha mãe estava na
sala, a ler um livro qualquer. Virou-se para mim.
- Já chegaste? Tão cedo?
Rezei para que não notasse no meu transtorno.
- Deve ser uma da manhã, dá-te por agradecida eu não ter voltado às quatro,
como acontecia em Portugal.
Antes que ela respondesse, subi as escadas a correr. Tropecei num dos
degraus, batendo com o joelho num deles. Não liguei à dor e continuei a correr
desajeitadamente até chegar ao meu quarto.
Ia começar a chorar a qualquer momento, mas travei esse impulso
quando vi o meu irmão deitado na minha cama. Sabia que se começasse a chorar e
ele me visse daquela maneira, iria chorar comigo. Então peguei no meu pijama
que se encontrava no chão junto à esquina da cama, e saí do quarto para me
fechar à chave na casa de banho.
As lágrimas simplesmente caíram. Eu sentia-me miserável. Como é que
fui capaz de deixar Louis beijar-me daquela maneira? Não só está em causa o
namoro dele com a Eleanor, como também a minha própria pessoa. Eu nunca fora
assim, nunca deixara que coisas destas acontecessem comigo. O que estava a
acontecer? Seria a mudança? Eu conheci aqueles rapazes há dois dias, que raio
estava eu a fazer, permitindo uma aproximação tão grande da parte de Louis?
Não só dele, também de Zayn…
Mas isso era outra história, Zayn nunca trocaria a Perrie por mim.
- Oh deus, que estou eu a pensar? Perguntas estúpidas, perguntas
estúpidas – murmurei, batendo com a mão na testa.
Estava a comportar-me como uma adolescente menstruada que só pensa em
rapazes…
Limpei as lágrimas, tentando recompor-me.
- Isto há-de passar – voltei a murmurar.

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