segunda-feira, 15 de outubro de 2012

New Begginning - Capítulo 3

- Está bem – acabou por dizer. – Mas vocês é que tratam dele!
Instalámo-nos. A casa já tinha imobiliário suficiente para que uma família pudesse viver. Só não dispúnhamos de fogão e máquinas de lavar louça, lavar a roupa e secar. Mais tarde, depois de arrumar as malas, prender o gato para que não fugisse e depois de limpar todo o pó que se encontrava em praticamente todos os recantos da casa, liguei para o número que o taxista nos deu, para o caso de precisarmos de transporte até ao centro da cidade.
- Sim? – Falei em inglês. – Boa tarde, podia mandar vir um táxi para a seguinte morada? – Recitei a morada duas vezes para ter a certeza de que a mulher que me atendeu o telefone a anotasse corretamente. A minha pronúncia portuguesa não se notou, até porque eu sabia falar inglês muito bem. Desliguei. – O táxi vem a caminho – Disse à minha mãe.
- Ainda bem – sorriu-me.
- Precisas mesmo da minha ajuda? – Perguntei. Não me apetecia nada andar atrelada a ela e ao meu irmão no primeiro dia em Londres.
- Sabes bem que o meu inglês é muito fraco.
- Sim, mas podias levar o meu dicionário e tu e o Sam podem muito bem andar sozinhos. Por favor, eu preciso mesmo de descobrir o que tenho para fazer por aqui.
Ela revirou os olhos.
- Podes fazer isso connosco, Bells.
- A mana pode passear sozinha, mãe.
Virei-me e encontrei Sam a descer as escadas, já descalço, sem meias. Ele adorava andar descalço.
Abri os braços e ele correu até mim. Peguei-lhe ao colo e virei-me de novo para a minha mãe com beicinho.
Ela suspirou.
- Está bem – deixou.
Sorri.
- Obrigada.
Já no centro da cidade, encontrávamo-nos à frente da loja de roupa H&M.
- Não te afastes muito, podes perder-te. Às sete da tarde quero-te aqui. – A minha mãe dava-me as instruções de que ela necessitava mais do que eu.
- Cristina.
- Diz?
- Tu é que tens de ter cuidado para não te perderes.
Estava frio e eu usava uns calções pretos de renda com uma sweatshirt a dizer “If you rape me, I’ll give you a cupcake”[1]. Já começava a sentir pele de galinha.
- Toma dinheiro para qualquer coisa. – E deu-me à mão duas notas de 20 libras. Estranhei mas não disse nada.
- Vá, vou andando, encontramo-nos por aí – e virei costas, procurando um centro comercial.


[1] “Se me raptares, dou-te um queque”

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