Apanhei um táxi e indiquei-lhe que me levasse até ao London Eye.
Liguei à minha mãe e só depois de três toques ela atendeu.
- Olha, vou ter ao London Eye, está bem? Fico lá à vossa espera.
“Eu e o teu irmão,
não sei onde estamos, acho que nos perdemos.”
Suspirei.
- Era de esperar, Cristina.
Desde pequena que tratava a minha mãe pelo nome próprio. Nunca me
habituara a chamá-la de mãe ou mamã.
- Bem, chamem um táxi e diz apenas “London Eye, please”. Se ele
perguntar mais alguma coisa, diz “Don’t understand english” e repetes a
primeira frase.
Ela assentiu e desliguei. Quando o táxi parou, paguei o custo da
viagem e agradeci. Encostei-me ao muro a ver o rio. Acendi um cigarro e
esperei.
Um quarto de hora depois, vi o Sam e a minha mãe saírem de outro táxi
e o Sam correr até mim. Agarrei nele com cuidado para não o queimar com a ponta
do cigarro.
- Cheiras mal – disse ele fazendo uma careta.
Revirei os olhos.
- Já tinhas visto a mana fumar, só saltaste para mim porque quiseste.
Ele abraçou-me com força.
- Tinha saudades – sussurrou envergonhado. Dei-lhe um beijinho na
testa e larguei-o. Puxei mais um bafo.
A minha mãe chegou-se ao pé de nós e levou a mão à testa.
- Quando é que largas esse vício? – Reclamou.
Para a provocar, fitei-a enquanto puxava um trago forte e duradouro.
Depois lancei o fumo ao ar.
- Quando deixares de ser tão mandona. Sabes que odeio isso.
- É o que as mães fazem.
- Mas tu sabes bem que não tens esse direito – respondi-lhe com um
olhar duro e frio.
Ela engoliu em seco. Não me respondeu e esperaram por mim até que
acabasse de fumar.
- Vamos – mandei, e esmaguei o cigarro com a ponta da sapatilha.
Chamei outro táxi e mostrei a morada ao taxista. Chegámos à nossa
nova casa em quinze minutos.
- Gatinho! – Chamou Sam mal entrou pela porta adentro. – Gatinho!
Correu pela casa à procura. Enquanto o observava, apercebi-me que Sam
já tinha estado em todas as divisões da casa e não o encontrara.
- Mana, onde está ele?
Vi na cozinha, procurei em todos os recantos, vi na sala, e revirei
os sofás, as estantes, voltei-me para a dispensa e o gato também não estava lá.
- Cristina, ajuda-me, não encontramos o gato. – Pedi.
Corri para o andar de cima. Ao chegar ao corredor, encontrei o gato
deitado, como se estivesse morto. Gritei pela minha mãe e aproximei-me. Peguei
nele, com todo o cuidado possível. Ainda estava quente. O coração ainda batia.

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