quinta-feira, 25 de outubro de 2012

New Begginning - Capítulo 29


Quando abri os olhos, deparei-me com o olhar de Zayn fixo em mim. Assustei-me um pouco, mas não fora o suficiente para me fazer desviar o olhar. Até porque não podia; de alguma maneira ele estava a conseguir enfeitiçar-me. Trinquei o lábio e ele sorriu lentamente.
- Já posso comer? – Perguntou Sam.
Isso fez quebrar o feitiço do olhar de Zayn. Respirei fundo duas vezes e sorri para Sam.
- Fizeste a oração? – Perguntei, pondo uma mão à frente das dele.
Ele acenou que sim. Retirei a mão e Sam avançou apressadamente em busca dos talheres.
- E eu? – Perguntou Zayn; olhei para ele e, mais uma vez, senti-me presa ao seu olhar. Traçou metade de um sorriso, o que lhe dava um ar perverso.
- Fizeste a oração?
Zayn abanou a cabeça.
Fiquei a pensar por momentos no meu movimento seguinte. Hesitei durante o que me pareceu imenso tempo, mas ele esperou pacientemente.
Então agarrei-lhe na mão, apanhando-o de surpresa. Acariciei-lhe a palma, transmitindo que não fazia mal. E no meio disto tudo, os nossos olhares não se deixaram largar nem um segundo sequer.
- Repete comigo o seguinte:
«Estamos aqui hoje, perante uma refeição abençoada por Deus, agradecendo cada migalha de pão e cada gota de vinho. Obrigada a Ele que nos protege e nos fornece alimento, o pão nosso de cada dia. Ámen.»
Ele continuou a olhar para mim. Eu sabia que ia contra a religião dele.
- Mal não te vai fazer – incentivei. – E eu não te deixo comer enquanto não orares.
Surpreendi-me a mim mesma com o tom determinado que saía da minha boca. Empinei o nariz levemente.
Zayn revirou os olhos e suspirou. Depois largou a minha mão e por momentos senti-me derrotada pela própria infelicidade que se abatera sobre mim no momento em que deixei de lhe sentir a mão.
Agarrou nos talheres e começou a comer.
- Que falta de respeito, Zayn Malik! – Reclamei alto.
O meu irmão assobiou; ou pelo menos tentou.
- Estás feito – murmurou a Zayn.
Este encolheu os ombros. Tinha sido a gota de água.
Levantei-me da mesa e comecei a andar em sentido rotativo.
- Tu vens para minha casa – comecei a argumentar, sentindo toda a fúria dentro de mim. – Ofereço-te comida e é assim que agradeces?
Orar era algo importante para mim. Eu podia não ser dos melhores exemplos a seguir no Catolicismo, e apesar de ter vida de galdéria, eu era como Madalena fora.
- Não basta um “Obrigado pelo almoço”? – Inquiriu com a boca cheia.
- Não, Zayn, não basta! Eu levo a oração nas refeições muito a sério.
Ele engoliu em seco.
- Peço desculpa. – O pedido parecia-me sincero, mas a sua linguagem corporal não o demonstrava. Ele continuava a comer, mas desta vez com mais lentidão.
- Se não tivesses a cara de um anjo, quebrava-ta aqui e agora. – Murmurei a resmungar.
- Diz?
- Nada, volta a comer Zayn. Espero que tenhas bom apetite.
Ele lambeu os lábios.
- Isto está delicioso, Bella. Nota dez para a cozinheira.
Ri daquilo.
- Ao menos isso.
Rapidamente esqueci o desentendimento por causa das orações e, no final, Zayn ajudou-me a limpar tudo.
Enquanto ele levantava os pratos e limpava a mesa, eu observava-o silenciosamente. Não sei se era a sua linguagem corporal ameaçadora que me deixava sem fôlego, ou se era a sua maneira idealista de lidar com o meu irmão. Não sei se era o seu sorriso perverso que me deixava a tremer, ou se era o olhar enfeitiçador que me fazia sua presa quando bem o quisesse.
Havia tantas maneiras de Zayn me deixar atordoada. E o mais estranho é que acontecia pouquíssimo tempo depois de o conhecer. Se calhar começava a sofrer do mesmo que os milhares de fãs da banda dele sofriam. É certo que eles eram estapafurdiamente lindos, sem exceção. Apesar de ainda só ter tido contacto direto com Zayn, Harry e Louis, lembrava-me com clareza do aspeto dos outros dois. Já não me lembro se cheguei a saber os nomes deles ou se realmente nunca tinha ouvido.
A questão, aqui a resolver, era apenas uma: Que raios se está a passar comigo para começar a interessar-me pelo rapaz?

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