Quando abri os
olhos, deparei-me com o olhar de Zayn fixo em mim. Assustei-me um pouco, mas
não fora o suficiente para me fazer desviar o olhar. Até porque não podia; de
alguma maneira ele estava a conseguir enfeitiçar-me.
Trinquei o lábio e ele sorriu lentamente.
- Já posso
comer? – Perguntou Sam.
Isso fez quebrar
o feitiço do olhar de Zayn. Respirei fundo duas vezes e sorri para Sam.
- Fizeste a
oração? – Perguntei, pondo uma mão à frente das dele.
Ele acenou que
sim. Retirei a mão e Sam avançou apressadamente em busca dos talheres.
- E eu? –
Perguntou Zayn; olhei para ele e, mais uma vez, senti-me presa ao seu olhar.
Traçou metade de um sorriso, o que lhe dava um ar perverso.
- Fizeste a
oração?
Zayn abanou a
cabeça.
Fiquei a pensar
por momentos no meu movimento seguinte. Hesitei durante o que me pareceu imenso
tempo, mas ele esperou pacientemente.
Então
agarrei-lhe na mão, apanhando-o de surpresa. Acariciei-lhe a palma,
transmitindo que não fazia mal. E no meio disto tudo, os nossos olhares não se
deixaram largar nem um segundo sequer.
- Repete comigo
o seguinte:
«Estamos aqui hoje, perante uma refeição
abençoada por Deus, agradecendo cada migalha de pão e cada gota de vinho.
Obrigada a Ele que nos protege e nos fornece alimento, o pão nosso de cada dia.
Ámen.»
Ele continuou a
olhar para mim. Eu sabia que ia contra a religião dele.
- Mal não te vai
fazer – incentivei. – E eu não te deixo comer enquanto não orares.
Surpreendi-me a
mim mesma com o tom determinado que saía da minha boca. Empinei o nariz
levemente.
Zayn revirou os
olhos e suspirou. Depois largou a minha mão e por momentos senti-me derrotada
pela própria infelicidade que se abatera sobre mim no momento em que deixei de
lhe sentir a mão.
Agarrou nos
talheres e começou a comer.
- Que falta de
respeito, Zayn Malik! – Reclamei alto.
O meu irmão
assobiou; ou pelo menos tentou.
- Estás feito –
murmurou a Zayn.
Este encolheu os
ombros. Tinha sido a gota de água.
Levantei-me da
mesa e comecei a andar em sentido rotativo.
- Tu vens para
minha casa – comecei a argumentar, sentindo toda a fúria dentro de mim. –
Ofereço-te comida e é assim que agradeces?
Orar era algo
importante para mim. Eu podia não ser dos melhores exemplos a seguir no
Catolicismo, e apesar de ter vida de galdéria, eu era como Madalena fora.
- Não basta um
“Obrigado pelo almoço”? – Inquiriu com a boca cheia.
- Não, Zayn, não
basta! Eu levo a oração nas refeições muito a sério.
Ele engoliu em
seco.
- Peço desculpa.
– O pedido parecia-me sincero, mas a sua linguagem corporal não o demonstrava.
Ele continuava a comer, mas desta vez com mais lentidão.
- Se não
tivesses a cara de um anjo, quebrava-ta aqui e agora. – Murmurei a resmungar.
- Diz?
- Nada, volta a
comer Zayn. Espero que tenhas bom apetite.
Ele lambeu os
lábios.
- Isto está
delicioso, Bella. Nota dez para a cozinheira.
Ri daquilo.
- Ao menos isso.
Rapidamente
esqueci o desentendimento por causa das orações e, no final, Zayn ajudou-me a
limpar tudo.
Enquanto ele
levantava os pratos e limpava a mesa, eu observava-o silenciosamente. Não sei
se era a sua linguagem corporal ameaçadora que me deixava sem fôlego, ou se era
a sua maneira idealista de lidar com o meu irmão. Não sei se era o seu sorriso perverso
que me deixava a tremer, ou se era o olhar enfeitiçador que me fazia sua presa
quando bem o quisesse.
Havia tantas
maneiras de Zayn me deixar atordoada. E o mais estranho é que acontecia
pouquíssimo tempo depois de o conhecer. Se calhar começava a sofrer do mesmo
que os milhares de fãs da banda dele sofriam. É certo que eles eram
estapafurdiamente lindos, sem exceção. Apesar de ainda só ter tido contacto
direto com Zayn, Harry e Louis, lembrava-me com clareza do aspeto dos outros
dois. Já não me lembro se cheguei a saber os nomes deles ou se realmente nunca
tinha ouvido.
A questão, aqui
a resolver, era apenas uma: Que raios se está a passar comigo para começar a
interessar-me pelo rapaz?

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