- Rápido! Vamos embora imediatamente, o táxi demora ainda a chegar
aqui, vamos a pé até Londres e procuramos um veterinário.
A minha mãe ainda não percebera, mas quando viu o gatinho desmaiado
nos meus braços, arregalou os olhos e apressou-se a ir buscar os casacos.
- O que aconteceu? – Choramingava Sam à minha volta.
- Calma Sam, ele está vivo. Apenas se sente cansado e fraco, está
bem? Está tudo bem. Está tudo bem. – Apesar de dizer aquilo para o meu irmão,
repetia a frase mais para mim do que para ele.
Abri a porta de casa e saí disparada, desorientada e sem saber bem
para onde ir. O bairro estava calmo, não se via ninguém a passear pela rua.
Raciocinei por uns momentos e segui pelo caminho que o táxi tomou da primeira
vez. A minha mãe e o meu irmão vinham atrás de mim.
- Devíamos ter chamado um táxi, Isabela, o gato não vai aguentar até
Londres.
- Cala-te, ele vai aguentar.
Enquanto virávamos para um lado, nos movimentávamos para outro,
avistei um grupo de jovens do outro lado da estrada. Não pensei duas vezes e
corri até eles.
- Desculpem – falei em Inglês. – Por favor, ajudem-me. Onde posso
encontrar um veterinário aqui perto?
Eles olharam para o pequeno enroscado nos meus braços e uma rapariga
abriu a boca em O. Ficaram atrapalhados, até que um rapaz louro e de olhos
verdes, com cara de duende, me indicou por onde eu devia ir.
- Sobes esta rua até chegares ao café, depois viras para a direita e
segues em frente, sem parar. Mal chegues aos semáforos, de certeza que te darás
conta da loja de animais ao lado. Eles não são veterinários mas tratam de
animais abandonados e feridos.
- Obrigada. – Sorri com sinceridade e chamei a minha mãe em
português. – Vamos, já sei onde ir.
Segui as indicações do rapaz, subi a rua, a custo e já os braços a
doerem-me de tanto tempo estarem na mesma posição. Virei à direita e corri um
bocado, com o Sam ao meu lado sempre a perguntar-me se o gato estava vivo ou
morrera.
- Sam, ele não morreu, para de chorar! – Gritei-lhe.
Já tinha reparado nos semáforos e olhava agora para todo o lado, à
procura da loja de animais. Do outro lado da rua, vi um letreiro “Pets Shop”.
Não havia nenhum movimento de carros ou viaturas, então corri sem olhar para os
dois lados. A minha mãe repreendeu-me, mas não liguei.
Entrei de rompante na loja e a senhora de trás do balcão levantou a
cara para me ver.
- Por favor, ajude-me – supliquei.
Ergui um pouco o gatinho nos meus braços e ela tirou os óculos.
- Minha nossa – murmurou.
- Encontrei-o no chão, desmaiado. – Expliquei. – Um rapaz indicou-me
a sua loja, disse que vocês tratavam de animais abandonados ou feridos. Eu e a
minha mãe não sabíamos mais para onde ir. Diga-me que me consegue ajudar.

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