- Bom dia, Laura – saudei-a. Ela bebia o seu café matinal. Depois
sorriu-me.
- Como te sentes ao acordar em Londres? – Perguntou e eu respondi-lhe
com sinceridade.
- Não muito bem, para dizer a verdade. Mas estou cansada, ontem o dia
foi longo e demasiado irreverente.
- Como se não estivesses habituada…
- Estou e ao mesmo tempo não – justifiquei-me. – A irreverência com
que lido é diferente. Pertence à noite, não ao dia.
Ela assentiu e continuou a beber o café. Lembrei-me de responder às
mensagens dos meninos.
- Já com o telemóvel? Ainda agora acordaste, Isabela.
Suspirei.
- Eu sei, mas tenho que responder aos rapazes.
Primeiro o Harry.
“Bom dia, Mr. Sexy.
Desculpa, mas acho melhor gravar o teu número com Harry apenas. Assim os outros
dois não sentem ciúmes, fofinho. XX”, enquanto escrevia a mensagem, sorri.
Depois foi para o Louis.
“Olá Louis :) não
tens que vir com o Zayn, vai directamente para a discoteca que nós vamos lá
ter, não te preocupes. Até logo”, antes de a enviar, tive medo de estar a ser um
pouco fria. Mas não lhe podia dar esperanças ou falsas pistas. Ele chamou-me
Belissima, por amor da santa!
Peguei numa bandeja e coloquei um pão e um copo de sumo em cima dela.
- Vou para o quarto – disse à minha mãe.
Quando cheguei ao meu cantinho, pousei a bandeja em cima da cama.
Abri a janela e respirei o ar.
Tão puro, pensei de olhos
fechados.
Liguei a Zayn. Tocou três vezes e depois ouvi uma voz de criança.
“Quem fala?!”, gritou a pessoa do
outro lado. Engasguei-me toda, porque sabia perfeitamente que não era Zayn.
- Sou a Bella, e tu? – Perguntei.
“Sou a Saffa. Não te
conheço, és amiga do meu mano?”
- Pode-se dizer que sim – sorri para o vazio. – Que idade tens,
Saffa?
“Oito anos.”
Saffa ia para dizer mais qualquer coisa, mas ouvi a voz de Zayn como
som de fundo.
“Que andas a fazer com o meu
telemóvel, cabritita? Queres que te ataque de novo? Queres um ataque de
cócegas, é isso?”, achei piada ao modo como ele lidava com a irmã. Parecia
ser bastante querido até, mas comigo ainda só tinha sido rude e um pouco
antipático.
Saffa despediu-se.
“Foi bom
conhecer-te, Bella. Mas não posso falar mais, não quero um ataque de cócegas.”
- Não faz mal Saffa – comecei a rir. – Agora é melhor passares ao teu
irmão, senão é mesmo isso que vai acontecer e nós não queremos isso.
“És bonita?”
A pergunta apanhou-me de surpresa. Pensei durante dois segundos e
nada me pareceu ser uma boa resposta.
- Que tal perguntares ao teu irmão? – Acabei por dizer. – Ele deve
saber, querida.
Trinquei o lábio. Por acaso, - mas só por acaso – também era algo que
eu queria saber.
Ouvi sussurros do outro lado da chamada e arqueei uma sobrancelha.
“És, muito bonita, até.” E
começou a rir.
Zayn reclamou e depois ouvi barulhos esquisitos. Esperei um pouco, a
tentar não rir do que acabara de acontecer. Pelo que percebera Zayn tinha dito
que eu era muito bonita.
“Bella?”, perguntou Zayn.
- Olá olá – ri baixinho.
Ele suspirou.
“Desculpa, mas
estava a falar com a minha irmã mais velha e deixei o telemóvel no quarto da
Saffa.”
- Não faz mal. Com que então “muito bonita, até”?
Ele fez um esgar e eu ri da sua vergonha para comigo.
“Então porque
ligaste?”, perguntou, mudando rapidamente de assunto.
- Caso me lembre, vi uma chamada perdida vinda deste número, Zayn… só
se foi a tua irmã que me ligou para me conhecer – brinquei com ele.
“Não sejas
engraçadinha, Bella. É só para dizer que o Louis vem comigo buscar-te.”
- Tudo bem. – Depois o silêncio instalou-se, o que tornou ainda mais
embaraçoso do que se estivéssemos a falar frente a frente. Imenso tempo passou,
ou talvez me tivesse parecido horas.
- Isto está-se a tornar embaraçoso, Zayn, ou desligamos ou falamos.
Ele riu às gargalhadas, assustando-me. Depois acalmou e por momentos
pensei que o silêncio voltaria a reinar.
“Eu não quero desligar.”
Fiquei em silêncio, outra vez. Mas dois segundos depois fui-lhe
sincera.
“Também não quero.”

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