Eu apresentava
várias teorias; uma delas, a mais credível, baseava-se na natureza da sua
beleza. Zayn Malik, o estranho a quem tivera coragem de pedir um cigarro no
primeiro dia em Londres, era completa e enriquecedoramente belo. Chegava a
tornar-se difícil encontrar palavras para entender tamanha pureza em algo profundamente
feito a partir do pecado.
Outra teoria era
tão simples quanto o facto de ele ter sido o primeiro amigo que o meu irmão
fizera desde que viera ao mundo. Diversas pessoas tentaram o impossível; o meu
irmão ia para o infantário, já sabia falar e contar, muito mais do que miúdos
mais velhos que ele sabiam fazer. Ele sempre fora o excluído. Ele era especial.
E o facto de Zayn ter sido o único a fazer o meu irmão gostar tanto de alguém
para além de mim e da mãe, era algo extremamente único. Sim, Harry e Louis
tinham também contribuído para que o meu irmão saísse mais da casca com os
outros; só que eu sabia ver quando o meu irmão gostava realmente de alguém.
A terceira
teoria era bastante ridícula; apesar de eu ser católica, parte de mim era
supersticiosa e acreditava no destino. Então, por que não acreditar também que
nada fora por acaso, quando encontrei Zayn naquele beco? Comecei a crer que era
algo de que eu devia ter vergonha, acreditar no destino. A partir do momento em
que Nuno me dissera que o nosso destino era ficarmos juntos, mesmo depois de
toda a borrada que ele fizera, descartei a possibilidade de existir uma força
maior que decidisse o nosso destino e fim. Na altura, prometera a mim mesma que
não deixaria Nuno voltar a entrar na minha vida. Nunca mais.
A noite chegou.
Zayn continuava lá em casa, e não se importou de esperar por mim enquanto eu me
arranjava.
Toda a minha
roupa podia ser casual e desportiva, mas quando eu saía à noite, sabia como
chamar a atenção.
Para a minha
primeira noite em Londres, optei por algo arrojado e atrevidamente diferente.
Vesti o vestido azul elétrico com o decote em V que ia até ao centro da minha
barriga e que me cobria ligeiramente os ombros. Para que todas as atenções se
centrassem mais em mim, escolhi por usar o colar do coração pendente que
estivera durante o dia no meu pescoço. Maquilhei-me; um pouco de blush aqui, um
pouco de sombra acolá, e pronto. Só acrescentar um pouco de brilho nos lábios e
dar volume ao cabelo e sentia-me pronta.
Olhei-me ao
espelho da casa de banho, sabendo que não precisava de mais coisa nenhuma senão
de um casaco.
Alguns minutos
depois, aí sim, eu podia descer.
- Deixa ver,
mana – pediu Sam, pegando-me na mão e dando o impulso para que eu desse uma
voltinha. Sorriu para mim – Estás bonita, como sempre.
De todas as
vezes que Sam me elogiava, esta tinha sido a única em que ele dissera que eu
estava bonita “como sempre”.
- Vamos descer –
mandei.
Ele foi à
frente, a correr. Desceu as escadas a gritar por Zayn. Este estava sentado em
frente à minha mãe, ergueu-se enquanto se virava para as escadas, onde eu a
sentir-me nervosa, descia.
Os seus olhos
miravam-me de cima a baixo freneticamente, como se tentasse não se focar apenas
num ponto do meu corpo. Avançou lentamente até à porta de entrada, onde me
encontrou a sorrir perversamente.
- Estou pronta –
provoquei-o.
Zayn olhou para
baixo, na direção do meu decote e suspirou. Mas rapidamente desviou o olhar e
eu soltei uma risadinha. Abri a porta de casa.
- Cuidado,
rapaz. Olha que és comprometido – estalei a língua enquanto passava por ele e
abanava o cabelo.
Por momentos
pensei que ele não ia dizer nada.
- Não te
despedes da tua mãe nem do Sam? – Perguntou.
Encolhi os
ombros.
- Não é hábito
fazê-lo.
No caminho para
a discoteca, recebera uma mensagem.
Louis, pensei.
“Belissima. Estou a caminho do Bordello. E
tu? Xx.”
Durante um
bocado fiquei a olhar para as palavras da mensagem, a pensar o que deveria
responder. Decidi ser direta.
“Também, Louis. Até já. X”
Guardei o
telemóvel e olhei para Zayn.
Aquele dia tinha
sido extraordinariamente agradável. Conhecer um pouco da personalidade de Zayn
dera-me uma outra perspetiva da maneira como ele lidava com as pessoas. No
entanto, não tinha sido o suficiente para perceber o porquê de repentinamente
me tratar de um modo desagradável.
- Ainda
demoramos a chegar? – Perguntei, tentando abstrair-me dos pensamentos que
implicavam Zayn Malik, o rapaz jeitoso do beco.
- Já falta
pouco.
Eu ainda não
conhecia nada de Londres, por isso não sabia nem sequer dizer a mim mesma onde
eu estava.
- Tens noção que
um de vocês terá que me vir trazer a casa, não tens?
Ele sorriu no
escuro e olhou para mim furtivamente. Acenou com a cabeça.
Pouco tempo
depois, encostámos ao passeio e ele desligou o carro. Olhei à volta.
- De certeza que
é aqui? – Questionei, insegura em relação ao sítio onde ele nos tinha deixado.
Podia ter passado o dia com ele, em minha casa, mas continuava sem saber se
podia confiar nele para me trazer a lugares desconhecidos, numa cidade que
ainda me era totalmente desconhecida.
Eu não sabia
identificar o local. Olhava à volta, e percebia que se tratava duma rua igual
às outras em que já tinha reparado.
Zayn saiu do
carro e eu segui-lhe o passo. Avançámos alguns metros até encontrarmos uma
porta e um segurança à frente desta. Percebi que se tratava do Lillies Bordello
quando Zayn pronunciara em voz baixa, “Chegámos”.

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