- Eu tenho que ir andando, fofinho…
Ri-me daquilo. Eles olharam para mim.
- Desculpem, tinha uma coisa entalada na garganta.
- Porque não ficas mais tempo? – Perguntou ele, com olhos de
cachorrinho abandonado.
- Porque não posso ficar, tenho que ir ter com o resto da banda e
estou muito cansada.
Aquilo era hilariante.
- Tenta ficar – pedi também, mas desejando fervorosamente para que se
metesse a andar.
Ela abanou a cabeça.
- Não dá mesmo, Zayn. Adeus rapazes – acenou para Harry e Louis e
puxou Zayn lá para fora.
Eu ainda conseguia vê-los lá fora a despedirem-se, perto do carro de
Zayn. Ela estava de costas para cá e Zayn de frente, o que resultava em: se ele
olhasse para a nossa mesa, encontrava o meu olhar curioso.
Que foi o que acabou por acontecer.
Eles deram um beijo demorado. Mas ele manteve os olhos abertos,
ficando a olhar para mim enquanto eu o encarava. Para o provocar, lambi
lentamente o lábio superior de uma ponta à outra. Aí, ele fechou os olhos e dançou com Perrie.
- Aquilo que fizeste à Perrie, foi muito bem feito.
- Desculpa, o quê?
Virei-me para os rapazes. Tinha sido Louis quem falara. Ele sorriu.
- Ela mereceu.
- Só fiz aquilo porque ela gozou um pouco com a minha cara. Detesto
que façam pouco de mim.
Ele assentiu.
- Percebo-te. Quando ela vê raparigas bonitas junto de Zayn, fica um
pouco insegura e dá nisto. Mas ela é porreira.
- Até parece que sou uma coisa de outro mundo. – Sussurrei.
- Que disseste?
- Nada. – Esbocei um sorriso e voltei a comer.
No final do jantar, cada um pagou a sua conta. Eu tive que contar com
a ajuda de Louis para pagar a minha conta, faltavam-me
seis libras.
- Obrigada por teres ajudado, Louis – agradeci-lhe, dando-lhe uma
pancadinha no ombro. – Quando chegar a casa devolvo-te o que devo.
Ele abanou a cabeça.
- Não quero reembolsos nenhuns. Ficamos bem assim.
- Não estás a perceber. Eu vou
pagar-te. – Afirmei com toda a certeza.
Ele pôs-se à minha frente, tapando Zayn do meu campo de visão. Louis
era mais alto. Bastante mais alto que eu. Colocou um dedo no meu queixo para
que eu levantasse a cara e ficássemos a escassos centímetros de distância.
Aquilo pôs-me nervosa. Mas mantive um tom de brincadeira.
- Não me estás a dever nada, Bella – ele olhou para os meus lábios e
trincou o inferior dele.
- Seis libras ainda é dinheiro.
Ele resfolegou.
- Por favor, rapariga, sou rico – piscou o olho. Depois sorriu
durante um tempo. Alguém atrás dele, impaciente, chamou-nos. Louis resmungou –
Está bem Zayn, estamos a ir. – Voltou a olhar para mim. Depois largou-me e
virou costas.
Harry aproximou-se.
- Ouve Bella, é só para te dizer que o Zayn não é assim,
mal-humorado, como hoje ele foi. Algo deve ter corrido mal, e nós vamos tentar
perceber o quê.
Eu sentia-me como uma intrusa na vida deles.
- Harry – chamei-o, cansada, e pondo a mão na cabeça para refletir. –
Acontece que foi precisamente hoje que vos conheci, e já o primeiro dia correu
mal. Queres saber uma coisa a meu respeito? Costumo ser bastante supersticiosa,
acredito nos sinais. E quando a primeira impressão não corre bem…
A minha voz desvaneceu-se. Ele percebia o que eu queria dizer.
Durante um certo tempo ele não reagiu, ficando a olhar para o chão.
- Sabes o que é que nos fez, a mim e ao Louis, jantar contigo esta
noite? – Perguntou ele, de repente.
- Não.
Ele ergueu o olhar.
- O Zayn explicou o vosso episódio e que tu não o reconhecias. Ora,
se não o reconhecias, não nos conhecias a nós. Depois voltaram a encontrar-se…
- Eu fui ter com ele – interrompi Harry, com um sorriso.
- … ou isso – ele resfolegou. – E na loja de animais não fizeste
nenhum alarido, não nos olhaste fixamente, não perguntaste se éramos os One
Direction. Às vezes sentimos falta disso. Do anonimato.
Um carro apitou, e eu dei um salto com o susto. Olhei para o carro de
Zayn, e tinha sido ele. Começou a rir, juntamente com Louis.
- Nem sabem o que lhes espera. – Sussurrei.
Harry fez um esgar.
- É melhor não perguntar, pois não?
- Não – suspirei.
Eles levaram-me a casa – com alguma dificuldade, porque até voltar a
encontrar o caminho que eu conhecia, ainda demorámos um pouco. Louis ligou ao
homem Frank a perguntar por Panda. Ainda não havia notícias. Os veterinários
não sabiam o que se passava com o gatinho, não sabiam o que tinha ingerido nem
onde tinha andado porque não havia vestígios. No estômago não tinha nada, o que
era estranho. Voltaríamos a saber amanhã de manhã.

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