A senhora olhou para trás de mim e eu segui-lhe o movimento. Ela
olhava para a minha mãe e para o meu irmão que chorava.
- Eu não sou veterinária, e este animal aparenta que ingeriu qualquer
coisa que o deixou inconsciente. Provavelmente envenenaram-no.
Engoli em seco.
- Envenenaram-no – repeti em português para a minha mãe. Mas Sam
ouviu e chorou mais. Voltei-me para a mulher. – Ajude-nos. Por favor.
Ela fitou-me. Depois olhou para o meu irmão e a sua testa enrugou.
Respirou fundo.
- Vou ligar a uma pessoa que conheço. Talvez vos consiga ajudar.
Pegou no telefone e marcou um número. Alguns segundos depois alguém
atendeu do outro lado da linha.
- Frank, preciso de um favor teu – falou para o telefone. Olhou para
mim – É urgente.
Explicou o que acontecera e olhou para o gato nos meus braços,
fixando-se na coleira.
- E… traz o Louis ou o pai dele. Penso que o gato é deles.
Recuei um pouco, para junto da minha mãe.
- A mulher pensa ter encontrado o dono do gato – expliquei na nossa
língua nativa.
Desligou o telefone e fez-me sinal para me aproximar. Assim o fiz.
- Venham, podem colocar o gato lá trás e tentamos saber nós o que ele
tem.
Seguimo-la até às traseiras da loja. Pousei o gatinho numa mesa que
se encontrava ao pé de refeição de cão e acariciei-lhe no cimo da cabeça.
Passou pouco mais de meia hora, até que se ouviu a porta da entrada
abrir e fechar.
- Anne? – Alguém chamou.
- Aqui dentro! – Respondeu a senhora da loja.
Eu, a minha mãe e o Sam, encontrávamo-nos encostados a umas
prateleiras, num canto. Eu segurava o meu irmão nos meus braços e tentava
acalmá-lo. Ele já parara de chorar, mas mantinha-se calado. Era assim quando
estava triste.
Um homem – devia ser Frank – entrou na divisão onde nos
encontrávamos, olhou de relance para nós e voltou toda a atenção para Panda que
estava inanimado na mesa. Logo a seguir entraram dois rapazes que também
olharam para nós e avançaram para junto de Anne.

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