Ele olhou para
mim com seriedade.
- Podes fechar
a porta de casa, por favor? Preciso de falar contigo.
Estava a ficar
assustada. Quando nos diziam “Preciso de falar contigo”, é porque não vinha aí
coisa boa.
- Não me
assustes, Louis – pedi, enquanto fechava a porta. – Não vás de…
- Acabei tudo
com a Eleanor – interrompeu-me.
- Desculpa, o
quê? – Gritei, a minha voz parecendo um pouco esganiçada.
Os seus olhos
cintilavam de excitação.
- Não podia
continuar mais com aquela relação. Não podia continuar a magoá-la, quando o que
sinto por ti é mais do que suficiente para saber que já não a amo.
Sentia-me
abismada, totalmente sem palavras. Nunca cheguei ao ponto de pensar que Louis
realmente iria acabar com a Eleanor, baseando-se no que sente por mim.
- Isso é
completamente…
- O quê? –
Perguntou ele, entusiasmado.
- Disparatado!
O seu rosto
perdeu toda a animação.
- Tu não gostas
realmente de mim, Louis, tu pensas que gostas! – Continuei a dizer.
Ele agarrou-me
nos braços e empurrou-me contra a parede.
- É que nem
ponderes em duvidar do que eu sinto por ti, Isabela. – Murmurou, bastante próximo
do meu rosto. – Não sou nenhum rapaz excitado ao ver um rabo de saias.
Fez uma pausa,
mas eu não respondi.
- E não foi o
teu corpo… tremendamente perfeito e pequeno que me fez ficar interessado em ti.
A minha
garganta estava seca por causa das revelações dele.
- Então foi o
quê? – Murmurei, tão baixinho que pensei que ele não ouvira.
Louis defrontou
bem os meus olhos, e eu soube adivinhar o que tinha sido que o fez ficar
atraído por mim.
- Tu não vês…
mas eu vejo. Esses olhos grandes e curiosos. Belos…
Surpreendeu-me
ele dizer “Belos” em português. Tinha que admitir que Louis era bastante
romântico.
- Só os olhos?
– Sussurrei.
Apesar de saber
que não o devia fazer, sentia-me tentada a provocá-lo, pois pressentia que ele
aí me iria beijar.
Oh meu Deus, eu
estava a pecar tanto…
Louis pegou na
minha mão e colocou-a em cima do seu peito.
- Sentes isto?
– Perguntou.
O seu coração
batia aceleradamente, e eu acenei que sim.
- Ele fica
assim sempre que te vê.
As palavras de
Louis sempre mostravam um romantismo tal que não me era indiferente. E eu sabia
– tal como a minha mãe dissera na outra noite – que eu gostava de Louis. Não o
podia negar. Também não podia dizer que o amava, porque eu sabia o que era
amar, e ainda não estava a acontecer isso. Pelo menos em relação a ele.
- N-não sei o
que te dizer – gaguejei.
Ele sorriu.
- Deixo-te
nervosa?
Senti-me corar
e desviei o olhar dele.
- Louis para –
pedi.
Ele puxou-me
pela cintura, fixando o meu corpo no dele. Não resisti, rodeando o seu físico
com os meus braços, tal e qual o que ele me fazia. Era bom senti-lo.
Sorriu e
aproximou-se, dando-me um beijo nos lábios. Desta vez eu não senti que era
errado. Desta vez eu não tinha a cabeça a andar à roda, porque não havia nenhum
sentimento de culpa. Desta vez eu gostei ainda mais do que da última vez.
Louis parecia
insaciavelmente desesperado por sentir mais o meu corpo, pois ele empurrava-me
com força contra o dele, mesmo sabendo que estávamos praticamente um em cima do
outro. De qualquer das maneiras, só não pudemos quebrar o recorde do beijo mais
duradouro, porque o meu irmão apareceu, soltando a maior gargalhada dele que eu
já ouvira.
- Mãe, o Nouis
e a mana estão-se a beijar! – Gritou Sam.
As maçãs do meu
rosto ardiam de vergonha.
- Desaparece,
pirralho! – Gritei, tentando dar-lhe uma palmada no rabo, mas ele conseguiu
escapar, fechando outra vez a porta de casa.
Olhei para
Louis, embaraçada.
- Desculpa –
disse-lhe.
Ele deu uma
gargalhada, colocando um dedo no meu queixo e levantou-me o rosto.
- Pelo menos
tenho a aprovação de Booboo.
- Ele não se vai
calar depois de ter visto o que viu.
- Não te
preocupes – disse Louis, dando-me um beijo na testa. – Antes que me esqueça –
meteu a mão no bolso. – Era isto que eu te queria dar.
Abriu a mão à
minha frente, revelando duas joias.
- Oh Louis –
murmurei, espantada com a beleza daqueles broches.
Eram revestidos
em tinta dourada e na parte superior tinham umas inscrições antigas desenhadas.
Supus ser grego.
- É para te
reconhecer no meio de tantas deusas – justificou ele, recordando-me que Zayn
dissera o mesmo. – Mas vais ser a mais linda, por isso, não precisarei de me
aproximar de mais nenhuma.
Não sabia o que
havia de dizer. Limitei-me apenas a sorrir.
Entrei em casa
– depois de me despedir dele – e a minha mãe olhou para mim, à espera que eu
dissesse algo.

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