segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

New Begginning - Capítulo 76


- Que queres que te diga? – Perguntei. – Não foste tu que disseste que eu gostava dele? Então não me recrimines, Laura.
- Não estou a dizer nada, Bella. Só não quero que te arrependas do que fazes.
A minha resposta foi silenciosa, terminando por ali aquele assunto. Também não queria discussões com a minha mãe, detestava isso. A noite passou rápido; brinquei com o meu irmão e ambos fizemos o jantar – mais eu que ele. Como sempre, as nossas cantorias estiveram presentes, apenas com a diferença de que em vez de cantarmos Ed Sheeran, nesta noite cantámos One Direction. Surpreendeu-me ele já saber algumas partes da música Live While We’re Young.
Eu não admitia em voz alta, quanto mais dizer aos rapazes, mas a música parecia-me um pouco erótica.
Antes de me deitar, fui ao quintal fumar mais um cigarro. Olhei para o céu, mas não me pareceu ver muitas estrelas. Não ajudou o candeeiro, na parede, estar aceso. E depois contemplar o campo que parecia não ter fim fez-me lembrar a noite em que Zayn me trouxe cá fora.
A minha vida não estava fácil. Quer dizer, eu sabia que havia coisas piores do que ter dois rapazes a gostar de uma rapariga. Até porque isso era o sonho de muitas adolescentes; então saberem que eu tinha dois dos One Direction na minha rede…
- Matavam-me, na certa – sussurrei.
No entanto, desgastava uma pessoa estas confusões. No fundo, eras obrigada a escolher entre o rebelde e o romântico. Como é que se consegue optar por duas coisas absolutamente diferentes, mas porém, inteiramente irresistíveis? Só que eu sabia que não se tratava de um dó li tá. Tratava-se de saber o que o meu coração sentia.
Apaguei o cigarro, espalmando-o contra a parede. 

No dia seguinte, acabei por fazer limpeza geral à casa, dizendo assim a Harry e Louis que não teriam de se preocupar comigo. Habitualmente, apenas eu limpava a cozinha e a casa de banho; Laura dava-me uma ajuda apenas na sala e no quarto de Sam. Saltei a refeição do almoço para não me atrever a preguiçar durante a tarde, e a minha mãe continuou a dar vida à minha túnica.
Mal esperava pela festa. Mesmo que não o mostrasse, eu estava tão ou mais entusiasmada que os rapazes. No entanto fazia-me confusão não saber quem seriam eles.
Às quatro da tarde tocaram à campainha. Fui abrir a porta, e o queixo caiu-me ao ver quem era.
- Como descobriste onde eu vivo? – Perguntei.
Marie entrou, sem perguntar se podia ou não.
- O Zayn explicou-me tudinho sobre como vir aqui ter. Desculpa vir sem ter avisado, mas não tenho o teu número.
Trincou o lábio, metendo uma madeixa de cabelo atrás da orelha.
- Ele não podia ter-to dado? – Perguntei, revirando os olhos. Fechei a porta.
- Esqueci-me de o pedir – deu uma risadinha.
Suspirei, rindo.
- Mas porque vieste? – Perguntei.
Marie deu um salto, entusiasmada.
- Vim ver como vai ser o teu traje de deusa e saber o que farás com o cabelo.
Encolhi os ombros, sentando-me no sofá. Ela veio atrás de mim.
- Provavelmente irei levá-lo solto, tal e qual como está hoje – abanei a cabeça, mostrando-lhe.
Marie levou a mão à boca, escondendo o choque que a assolou.
- Estás a brincar, certo, Bella? – Perguntou. – Não podes representar Afrodite, indo com o cabelo normal.
- A minha mãe não é nenhuma especialista em arranjos de cabelo, e eu também não lhe vou pedir dinheiro para ir ao cabeleireiro. Não tem problema, Marie – mostrei um sorriso.
Ela abanou a cabeça negativamente.
- Nem penses, Bella. – Colocou um dedo no queixo, pensando em algo. – Amanhã venho buscar-te por volta das… - olhou para o relógio – por volta desta hora, mesmo, e a pessoa que vem arranjar o meu cabelo, também arranjará o teu.
Tentei recusar a sua oferta, mas ela insistiu. De repente, aproximou-se e deu-me um beijo na testa.
- Tens que ficar linda para o teu Ares – murmurou.
Corei, dando conta que era óbvio ela saber quem seria Ares.
Quando a minha mãe viu Marie, admirou-se por a ver. Seria de esperar essa reação, já que eu nunca levei uma amiga a nossa casa. Depressa tentou juntar-se à conversa que eu mantinha com Marie, perguntando-lhe de onde ela era, o que fazia, e até, qual o seu prato favorito. Não foram poucas as vezes que tentei chamar a minha mãe à atenção; no entanto, Marie estranhou eu tratar a minha progenitora pelo nome próprio.

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