- Que queres
que te diga? – Perguntei. – Não foste tu que disseste que eu gostava dele?
Então não me recrimines, Laura.
- Não estou a
dizer nada, Bella. Só não quero que te arrependas do que fazes.
A minha
resposta foi silenciosa, terminando por ali aquele assunto. Também não queria
discussões com a minha mãe, detestava isso. A noite passou rápido; brinquei com
o meu irmão e ambos fizemos o jantar – mais eu que ele. Como sempre, as nossas
cantorias estiveram presentes, apenas com a diferença de que em vez de
cantarmos Ed Sheeran, nesta noite cantámos One Direction. Surpreendeu-me ele já
saber algumas partes da música Live While We’re Young.
Eu não admitia
em voz alta, quanto mais dizer aos rapazes, mas a música parecia-me um pouco
erótica.
Antes de me
deitar, fui ao quintal fumar mais um cigarro. Olhei para o céu, mas não me
pareceu ver muitas estrelas. Não ajudou o candeeiro, na parede, estar aceso. E
depois contemplar o campo que parecia não ter fim fez-me lembrar a noite em que
Zayn me trouxe cá fora.
A minha vida
não estava fácil. Quer dizer, eu sabia que havia coisas piores do que ter dois
rapazes a gostar de uma rapariga. Até porque isso era o sonho de muitas
adolescentes; então saberem que eu tinha dois dos One Direction na minha rede…
- Matavam-me,
na certa – sussurrei.
No entanto,
desgastava uma pessoa estas confusões. No fundo, eras obrigada a escolher entre
o rebelde e o romântico. Como é que se consegue optar por duas coisas
absolutamente diferentes, mas porém, inteiramente irresistíveis? Só que eu
sabia que não se tratava de um dó li tá.
Tratava-se de saber o que o meu coração sentia.
Apaguei o
cigarro, espalmando-o contra a parede.
No dia
seguinte, acabei por fazer limpeza geral à casa, dizendo assim a Harry e Louis
que não teriam de se preocupar comigo. Habitualmente, apenas eu limpava a
cozinha e a casa de banho; Laura dava-me uma ajuda apenas na sala e no quarto
de Sam. Saltei a refeição do almoço para não me atrever a preguiçar durante a
tarde, e a minha mãe continuou a dar vida à minha túnica.
Mal esperava
pela festa. Mesmo que não o mostrasse, eu estava tão ou mais entusiasmada que
os rapazes. No entanto fazia-me confusão não saber quem seriam eles.
Às quatro da
tarde tocaram à campainha. Fui abrir a porta, e o queixo caiu-me ao ver quem
era.
- Como
descobriste onde eu vivo? – Perguntei.
Marie entrou,
sem perguntar se podia ou não.
- O Zayn
explicou-me tudinho sobre como vir aqui ter. Desculpa vir sem ter avisado, mas
não tenho o teu número.
Trincou o
lábio, metendo uma madeixa de cabelo atrás da orelha.
- Ele não podia
ter-to dado? – Perguntei, revirando os olhos. Fechei a porta.
- Esqueci-me de
o pedir – deu uma risadinha.
Suspirei, rindo.
- Mas porque
vieste? – Perguntei.
Marie deu um
salto, entusiasmada.
- Vim ver como
vai ser o teu traje de deusa e saber o que farás com o cabelo.
Encolhi os
ombros, sentando-me no sofá. Ela veio atrás de mim.
- Provavelmente
irei levá-lo solto, tal e qual como está hoje – abanei a cabeça, mostrando-lhe.
Marie levou a
mão à boca, escondendo o choque que a assolou.
- Estás a
brincar, certo, Bella? – Perguntou. – Não podes representar Afrodite, indo com
o cabelo normal.
- A minha mãe
não é nenhuma especialista em arranjos de cabelo, e eu também não lhe vou pedir
dinheiro para ir ao cabeleireiro. Não tem problema, Marie – mostrei um sorriso.
Ela abanou a
cabeça negativamente.
- Nem penses,
Bella. – Colocou um dedo no queixo, pensando em algo. – Amanhã venho buscar-te
por volta das… - olhou para o relógio – por volta desta hora, mesmo, e a pessoa
que vem arranjar o meu cabelo, também arranjará o teu.
Tentei recusar
a sua oferta, mas ela insistiu. De repente, aproximou-se e deu-me um beijo na
testa.
- Tens que
ficar linda para o teu Ares – murmurou.
Corei, dando
conta que era óbvio ela saber quem seria Ares.
Quando a minha
mãe viu Marie, admirou-se por a ver. Seria de esperar essa reação, já que eu
nunca levei uma amiga a nossa casa. Depressa tentou juntar-se à conversa que eu
mantinha com Marie, perguntando-lhe de onde ela era, o que fazia, e até, qual o
seu prato favorito. Não foram poucas as vezes que tentei chamar a minha mãe à
atenção; no entanto, Marie estranhou eu tratar a minha progenitora pelo nome
próprio.

Sem comentários:
Enviar um comentário