sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

New Begginning - Capítulo 92


- Papá…
- Sim?
Olhei para a areia.
- Porque me castigaste daquela maneira sempre que eu fazia alguma coisa de mal?
O meu pai não me respondeu logo, o que me permitiu ouvir o som das ondas mais distintamente.
- Sabes Isabela, no lugar onde eu estou é que percebemos todos os erros que fizemos na vida que nos foi dada. Eu pensava, muito sinceramente, que fazia bem ao castigar-te assim. Mais tu que ninguém sabes bem o quanto o teu pai era um cristão dedicado. Um cristão à moda antiga. Ou talvez o tipo de cristão que nunca existiu.
Assenti, percebendo o que ele queria dizer.
- Estás arrependido? – Perguntei, esperando que ele dissesse que sim.
- Ainda não fizeste nenhuma das perguntas corretas, e no entanto eu já te respondi a uma. E não estou permitido a fazê-lo, Isabela.
- Oh – intercetei. – Hum, será que uma das perguntas é… - pensei durante um segundo – O que vai acontecer entre mim e os rapazes?
O meu pai desmanchou-se em gargalhadas.
- Estás perto, mas essa também não é uma das perguntas. Pensa um bocadinho, Isabela. Tu chegas lá.
Talvez sim, talvez não. A verdade é que toda esta coisa do contacto com o outro lado era muito esquisita e estranha. A parte das perguntas certas e das perguntas que não eram certas era lixada. Quais eram as dúvidas que eu tinha? Não podiam ser perguntas de resposta direta, porque isso era mais que óbvio.
Depois de refletir durante o que pareceu uma eternidade, percebi qual a pergunta que eu queria fazer.
- Irei fazer a escolha certa, papá?
- Se seguires o teu coração, filha.
- Mas eu não sei o que o meu coração quer – admiti.
- Neste momento estás confusa, Isabela. Porque sentes o mesmo por dois rapazes ao mesmo tempo. Mas lembras-te como foi com Nuno?
- Lembro sim, mas o que tem a ver o Nuno com o Zayn e o Louis?
- Eles não têm nada a ver com o Nuno. O que eu quero dizer é que ao fim de dois anos já não sentias amor pelo Nuno, mas sim obsessão e cegueira. Vais dizer que é mentira?
Rangi os dentes.
- O assunto Nuno está mais que enterrado, pai.
- Percebo.
Continuámos a caminhar à beira-mar, até que encontrámos um broche no meio do chão. Quando peguei nele, reconheci-o.
- Louis – murmurei, sorrindo.
- Irás encontrar as respostas, Isabela.
- Porque dizes isso dessa maneira, papá? – Perguntei, virando-me para ele.
Vi-o afastar-se.
- Não vás ainda! – Gritei.
- O meu tempo chegou, querida. E o teu também.
Dito isto, desapareceu, levando tudo com ele; a ponte 25 de Abril descampou, o céu tornou-se completamente preto e eu deixei de ouvir as ondas do mar e de sentir a areia. Estava a cair.

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