quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

New Begginning - Capítulo 86



Virei-me para defrontar um jovem loiro e de olhos brilhantes que espreitavam por detrás de uma máscara de cor uniformemente amarela. Ele vestia uma túnica simples e sem forma. Fez uma vénia.
Massajei a mão quente enquanto o olhava de alto a baixo.
- Sabeis quem sou? – Perguntei.
O rapaz levantou a cabeça, mas o seu olhar continuou a percorrer o meu corpo tantas vezes que eu lhes perdi a conta. Assim que reparou no meu olhar reprovador, parou nos meus olhos.
- Afrodite, se não me engano.
Empinei o nariz, virando o olhar para as chamas, de novo.
- Boa perspicácia, menino Aquiles – admiti, dizendo indiretamente que também eu sabia como adivinhar uma representação. – Os seus pais? – Questionei, tentando meter conversa.
Por acaso, estava a começar a gostar daquilo. Podíamos esquecer a nossa vida por alguns momentos e desenvolver uma nova, partindo por base de uma vida já recontada vezes sem conta.
- Não puderam vir. A minha mãe teve que ajudar algumas criaturas marinhas, perto de Atlântida.
- E o seu pai?
Antes que Aquiles pudesse responder, alguém interrompeu a nossa conversa.
- Queira desculpar-me, menina Afrodite.
Eu conhecia aquela voz. Olhei para trás e um jovem, vestido com uma túnica direita de uma alça só, sorriu enviesadamente enquanto fazia uma vénia. Levantou a cabeça, olhando-me fixamente com os seus olhos azuis marinho. Era ele.
- Ares, deus da Guerra – pronunciei com a voz a tremer.
Baixei a cabeça levemente, saudando-o.
O seu sorriso alastrou-se, mostrando com ferocidade a satisfação que teve ao ver-me. Os seus olhos rolaram pelo meu corpo, tal como aconteceu com Aquiles.
- Talvez tenha sido uma má escolha ter vindo vestida assim – confessei. – Não quero causar nenhum aneurisma a ninguém.
Ares riu-se.
- De modo algum, senhora. Não poderia ter vindo melhor.
Revirei os olhos e respirei fundo.
- Vós sabeis muito, pequenino deus – respondi, dando meia volta.
Passei por Aquiles e aproximei-me da longa mesa. Peguei num cálice, cheirando de seguida o vinho.
- Diga-me, Afrodite – persistiu Ares. – Vós conheceis… a nossa história?
Olhei de lado na direção da sua voz, vislumbrando o seu corpo ligeiramente desfocado. Dei um gole no vinho e pousei o cálice, para me virar para ele.
A sua máscara era de um escarlate paixão, parecendo vibrar sempre que eu olhava nos seus olhos. Estes que me deixavam com os joelhos a tremer.
- Conheço. Porque mo pergunteis? – Pedi, trincando o lábio.
Ares aproximou-se e acariciou-me o queixo.
- A menina ama-me – sussurrou.
Baixou a cabeça com lentidão com o objetivo de me beijar. Deslizei para o lado e dei uma risadinha.
- Posso amá-lo, Ares, mas uma relação consigo seria considerado incesto. Não creio que o menino seja disso. – Preparava-me para me afastar, mas lembrei-me de acrescentar mais uma coisa. – Ah, e eu não sou menina. Sou uma mulher, e você bem o sabe.

1 comentário:

  1. Oh god! Isto é tão viciante o:
    Eu quero mais, isto está fantástico, perfeito mesmo *-*

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