Virei-me para
defrontar um jovem loiro e de olhos brilhantes que espreitavam por detrás de
uma máscara de cor uniformemente amarela. Ele vestia uma túnica simples e sem
forma. Fez uma vénia.
Massajei a mão
quente enquanto o olhava de alto a baixo.
- Sabeis quem
sou? – Perguntei.
O rapaz levantou
a cabeça, mas o seu olhar continuou a percorrer o meu corpo tantas vezes que eu
lhes perdi a conta. Assim que reparou no meu olhar reprovador, parou nos meus
olhos.
- Afrodite, se
não me engano.
Empinei o nariz,
virando o olhar para as chamas, de novo.
- Boa
perspicácia, menino Aquiles – admiti, dizendo indiretamente que também eu sabia
como adivinhar uma representação. – Os seus pais? – Questionei, tentando meter
conversa.
Por acaso,
estava a começar a gostar daquilo. Podíamos esquecer a nossa vida por alguns
momentos e desenvolver uma nova, partindo por base de uma vida já recontada
vezes sem conta.
- Não puderam
vir. A minha mãe teve que ajudar algumas criaturas marinhas, perto de
Atlântida.
- E o seu pai?
Antes que
Aquiles pudesse responder, alguém interrompeu a nossa conversa.
- Queira
desculpar-me, menina Afrodite.
Eu conhecia
aquela voz. Olhei para trás e um jovem, vestido com uma túnica direita de uma
alça só, sorriu enviesadamente enquanto fazia uma vénia. Levantou a cabeça,
olhando-me fixamente com os seus olhos azuis marinho. Era ele.
- Ares, deus da
Guerra – pronunciei com a voz a tremer.
Baixei a cabeça
levemente, saudando-o.
O seu sorriso
alastrou-se, mostrando com ferocidade a satisfação que teve ao ver-me. Os seus
olhos rolaram pelo meu corpo, tal como aconteceu com Aquiles.
- Talvez tenha
sido uma má escolha ter vindo vestida assim – confessei. – Não quero causar
nenhum aneurisma a ninguém.
Ares riu-se.
- De modo algum,
senhora. Não poderia ter vindo melhor.
Revirei os olhos
e respirei fundo.
- Vós sabeis
muito, pequenino deus – respondi, dando meia volta.
Passei por
Aquiles e aproximei-me da longa mesa. Peguei num cálice, cheirando de seguida o
vinho.
- Diga-me,
Afrodite – persistiu Ares. – Vós conheceis… a nossa história?
Olhei de lado na
direção da sua voz, vislumbrando o seu corpo ligeiramente desfocado. Dei um
gole no vinho e pousei o cálice, para me virar para ele.
A sua máscara
era de um escarlate paixão, parecendo vibrar sempre que eu olhava nos seus
olhos. Estes que me deixavam com os joelhos a tremer.
- Conheço.
Porque mo pergunteis? – Pedi, trincando o lábio.
Ares
aproximou-se e acariciou-me o queixo.
- A menina
ama-me – sussurrou.
Baixou a cabeça
com lentidão com o objetivo de me beijar. Deslizei para o lado e dei uma
risadinha.
- Posso amá-lo,
Ares, mas uma relação consigo seria considerado incesto. Não creio que o menino
seja disso. – Preparava-me para me afastar, mas lembrei-me de acrescentar mais
uma coisa. – Ah, e eu não sou menina. Sou uma mulher, e você bem o sabe.

Oh god! Isto é tão viciante o:
ResponderEliminarEu quero mais, isto está fantástico, perfeito mesmo *-*