quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

New Begginning - Capítulo 85



Antes de chegarmos ao núcleo da tenda – que parecia nunca mais acabar – caminhámos lado a lado por um corredor até chegarmos a outro homem trajado tal e qual um imperador.
- Sóis bem-vindas. – Saudou-nos com uma salva. A sua voz era grossa e poética. Ele próprio parecia um filósofo antigo. – Quem recebo, tão agradavelmente, em meus aposentos?
Trinquei o lábio, endireitando as costas.
- Afrodite, eu própria, e Helena de Troia – falei, o mais subtilmente possível.
- Têm os convites, senhoras? – Perguntou, tossindo discretamente.
Marie sorriu e entregou-os à mão do senhor.
O homem sorriu ligeiramente, fez outra vénia e desapareceu por entre as cortinas da tenda. De início assustei-me, tentando saber como tinha ele desaparecido, mas ao olhar para Marie, e ver o seu olhar de quem diz “Não te preocupes”, esperei e pouco depois ele voltou. Com duas máscaras na mão.
- Aqui tem, menina Helena – disse o senhor, entregando a máscara cor de avelã a Marie. – Aqui tem, deusa Afrodite – falou para mim, fazendo mais uma vez a mesma cortesia e cedendo-me a máscara mais bonita que eu alguma vez vira.
Peguei nela; era revestida a um material dourado que eu não soube dizer ao certo o que era. Nas pontas superiores, a máscara distendia-se a duas finas pontas resistentes. Envolta das aberturas para os olhos, era possível ver vários brilhantes que se refletiam na luz. Virei-a, vendo em cada lado dois aderentes parecidos ao material do nu bra. Coloquei a máscara, sentindo os aderentes pegarem-se à minha pele.
- Mesmo com a máscara posta, a sua beleza é irrefutável, minha deusa – elogiou-me.
Olhei para ele e sorri.
- Diga-me o seu nome, homem – pedi, estranhando o modo como o tinha feito.
- Homero, minha senhora.
Eu conhecia aquele nome. Aquele grande nome da literatura grega.
- Já te estou a reconhecer, Homero – respondi com uma pequena vénia. - Tens feito um bom trabalho com a Odisseia e a Ilíada, mortal.
Depois de retribuirmos com uma vénia a hospitalidade recebida por Homero, Helena e eu passámos por umas cortinas diferentes das de onde Homero tinha ido buscar as nossas máscaras. Tais cortinas que nos transportavam então para mil e quinhentos anos antes do nascimento de Jesus Cristo. Entrei o mais requintadamente possível, puxando a atenção de todos os presentes para mim e Marie.
No núcleo da tenda, o pleno Olimpo estava presente. Mesmo no centro do espaço estava uma fogueira larga de chamas vermelhas e enormes que aqueciam toda aquela extensão. Do lado esquerdo estava uma fonte redonda de onde brotava água das bocas de dois pequenos Cupidos. No meio deles, estava uma mulher-estátua que tocava harpa. Do meu lado direito, estava uma mesa composta por diversos cálices cheios de vinho. De resto, as decorações eram simplesmente indescritíveis.
Olhei para todos os presentes, não reconhecendo de imediato ninguém. Isto é, não consegui identificar qual deus ou semideus estavam a representar. Quando dei por ela, Marie desaparecera do meu encalço; mas não perdi a postura. Apesar de me encontrar aterrorizada, por ser a primeira vez, confortou-me saber que os rapazes estavam algures por ali.
Mentalizei-me de que era Afrodite, e que esta não era insegurança nem tinha medo do quer que fosse. Afrodite enfrentava os desafios que lhe eram propostos e sabia como superá-los sem qualquer esforço. Eu tinha que ser assim naquele lugar.
Aproximei-me da fogueira, levando a mão ao mais perto possível que pude das chamas.
- Não se queime, minha senhora – disse alguém, alguém com uma voz masculina, forte e, no entanto, doce.


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