segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

New Begginning - Capítulo 81



Ninguém diria que uma pessoa como Elizabeth Joyce tinha tanto jeito para fazer penteados quanto os cabeleireiros profissionais. A tia de Marie não tinha nenhuma especialização como cabeleireira, nem sequer o liceu tinha acabado. Contado ninguém acreditaria, mas se vissem o penteado que Elizabeth fazia à sobrinha, espantar-se-iam tanto quanto eu.
- Gostas? – Perguntou-me Marie, assim que a tia se afastou e anunciou, “Acabei” com um sorriso satisfeito.
Suspirei, lançando um último olhar para o seu cabelo. Duas tranças pendiam sobre as têmporas do rosto, enquanto o resto do cabelo estava apanhado num coque feito de tranças. À primeira vista parecia apenas elegante, mas se víssemos com mais atenção, iríamos reparar nas partículas brilhantes que banhavam o cabelo louro de Marie.
Rasguei o rosto com um sorriso de orelha a orelha.
- Estás linda – afirmei.
Ela corou, revirando os olhos. Levantou-se da cadeira, enquanto se mirava no espelho.
- Espero que ele goste – murmurou. Não sei dizer ao certo se a tia Elizabeth conseguiu ouvir ou não. Marie abraçou a tia. – Obrigada Beth.
Joyce resfolegou.
- Ora, é sempre um prazer ajudar a minha sobrinha favorita.
Marie deu uma risadinha.
- Sou a única sobrinha que tens – respondeu.
Elizabeth Joyce virou-se para mim.
- Agora é a tua vez, jovem.
Suspirei, sentando-me na cadeira. Encontrei o meu olhar no espelho. A tia de Marie colocou as mãos na cintura.
- E quem vais tu ser? – Perguntou.
Antes que eu pudesse falar, Marie adiantou-se.
- Vai ser Afrodite – respondeu, entusiástica.
Elizabeth virou-se para ela.
- Jesus Cristo, e como é que queres que eu saiba quem é essa Afrodita?
- Afrodite – corrigiu Marie, rindo baixinho. – É a deusa do Amor, mais comummente conhecida como a mais linda deusa de todo o Olimpo.
Senti-me intimidar quando ela afirmou isso. Eu tinha realmente um grande cargo nas costas ao interpretar a deusa do Amor. Algures no Universo, espero que ela esteja orgulhosa com quem a irá representar.
- Hum… - exclamou Elizabeth.
Avaliou o meu cabelo, andando para a direita e para a minha esquerda incessantemente. Largou o pente que tinha na mão e agarrou no meu cabelo, verificando o corte, o comprimento e a espessura.
- Já sei – anunciou. – Levanta-te, Bella.
Fiz o que me mandou, vendo-a virar a cadeira para a banheira.
- Não vou poder ver? – Perguntei.
Elizabeth sorriu.
- Confia em mim.
Assenti, voltando a sentar-me na cadeira. Fechei os olhos.
Enquanto Elizabeth Joyce fazia o penteado que, em vão, tentei imaginar como iria ficar, concentrei-me em tentar conjeturar o espaço onde iria decorrer a festa. Marie não me dizia onde iria ser, e eu não sabia se o fazia por diversão ou simplesmente porque pensava que não valia a pena. De tudo o que eu já sabia sobre a mitologia e a cultura grega, sabia que eles eram bastante requintados e o quer que acontecesse naquele tempo (e neste), continha uma certa mística envolta da religião adormecida.
Não sei porquê, mas supus que iria com certeza haver uma fonte. Elas eram bastante usuais nas cidades antigas, mais exatamente na Pólis ou no centro do mercado. Porém, sempre que tentava imaginar o local da festa, aparecia sempre na minha mente uma imagem idealizada do Olimpo.
- Ela adormeceu? – Ouvi Elizabeth perguntar, parando de arranjar o penteado.
- Ainda estou acordada – respondi, dando uma gargalhada. – Está pronto?
- Achas, rapariga?! – A voz de Elizabeth soou-me a um certo choque. – Isto requer tempo.
Suspirei, pensando noutra coisa.
Louis. A imagem da sua pessoa apareceu-me na memória, no entanto, estava desfocada, como se eu não o conseguisse ver tão nitidamente quanto se ele estivesse à minha frente. Recordei o momento do primeiro beijo.

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