quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

New Begginning - Capítulo 83



A primeira cor que me ocorria à mente sempre que pensava em Afrodite, era o rosa. Mas tanto Marie como Elizabeth utilizaram tons dourados na maquilhagem e no embelezamento do penteado.
Num drapeado perfeito, Elizabeth conseguiu que o meu cabelo parecesse completamente torcido para o lado direito. Uma trança parecia diminuir de tamanho à medida que ia descendo sobre o meu peito.
- Utilizou extensões? – Perguntei, reparando de imediato no tamanho soberbo do cabelo. Quase que chegava à zona da minha cintura.
- Ora, pois claro. A Marie disse-me que o teu cabelo não era grande o suficiente.
Revirei os olhos e mostrei a língua a Marie. Esta riu-se.
- Não sei o que dizer – gaguejei.
Elizabeth Joyce fez uma pequena vénia e mostrou um sorriso.
- Gosto de ajudar a minha sobrinha sempre que posso.
Suspirei, olhando mais uma vez a minha figura ao espelho.

As horas seguintes foram uma correria. O baile, reunião, encontro – eu própria não sabia o que havia de chamar ao evento ao qual nós íamos – dava início às oito e meia da noite. Continuava sem saber onde iria ser. Marie insistia em manter segredo.
- Não te esqueças que vamos em anonimato – usava como desculpa.
Enfim, uma correria autêntica os momentos seguintes. Marie tentava telefonar a Niall sobre a que horas iriam eles aparecer no evento, mas este não atendia o telemóvel. Perguntei a ela porque não ligava a Harry ou a outros dos rapazes, mas ela abanava a cabeça sempre que eu dava essa hipótese.
- O meu acordo é com o Niall, eles não podem suspeitar que vamos chegar atrasadas.
Assim que Marie deixou escapar aquela informação, deu uma palmada na própria testa, dizendo um palavrão. Possivelmente eu não devia saber aquilo. Porém, não levantei qualquer poeira para insistir no assunto.
Por volta das sete e meia, vestimos tardiamente as túnicas. Desculpei-me que esta era a semana menstrual e que tinha que me vestir na casa de banho. Óbvio que a verdade não era essa.
Respirei fundo no momento em que ouvi o trinco da porta da casa de banho, podendo tirar o robe sem ter que verificar frequentemente se Marie repararia nas cicatrizes das costas ou até mesmo dos meus seios. E não só nessas zonas.
Pus-me em frente ao espelho, observando o meu corpo de alto a baixo, tanto de frente como de trás. Virei o corpo, fixando o olhar no fundo das costas, perto do cóccix. Era difícil recordar por que razão ele me queimara naquela zona. Semicerrei os olhos, tentando puxar pelas memórias que já se apagavam lentamente.
Não valia a pena. A maior parte das vezes em que ele me castigava, ou estavam absolutamente soterradas na minha consciência, ou tinham sido eliminadas, sem haver quaisquer vestígios delas na minha cabeça.
Vesti as meias de vidro, com cuidado e lentidão. Depois coloquei os nu bra. O cabide de fatos estava pendurado na porta; abri-o e retirei com cuidado a túnica. Ao colocá-la, reparei que me assentava que nem uma luva na mão. Com cuidado para que o nu bra não caísse, coloquei as alças em cima dos meus ombros.
Estava pronta. A túnica tinha o comprimento certo, o tamanho perfeito e o corte totalmente no ponto.
- Já estás pronta? – Ouvi Marie, do outro lado da porta.
Olhei para o meu reflexo no espelho e sorri. Sentia-me bonita.
- Sim – respondi. – Estou pronta.

Os meus joelhos tremiam. As minhas mãos suavam. E um nervosismo absurdo assolou-me de tal maneira que eu não conseguia respirar com calma e corretamente.
- Bella, acalma-te imediatamente – ordenou Marie.
- A-Achas que consigo? – Perguntei, vacilando.
Elizabeth Joyce, a tia de Marie, guiava o carro com alguma calma em direção ao evento. Não consegui prestar atenção ao caminho que percorríamos, pouco preocupando-me se precisava de saber como lá voltar ou não. O que me estava a meter completamente fora de mim era o facto de saber que Louis seria Ares e não saber quem seria Zayn.
- Vai correr bem, não é nada demais – tentou Marie confortar-me.
Respirei fundo algumas vezes e obriguei o meu próprio sistema nervoso acalmar as hormonas.
Não tens necessidade de fazer isto… Vai correr tudo bem… Estás bonita e tens que arrasar…
A pouco e pouco, os pensamentos que eu tinha antes de ir a qualquer festa, dominaram-me, aquietando os tremores e os suores.
- Isso mesmo – disse Marie, atenta à minha figura.
Levantei o olhar, sorrindo-lhe. Depois olhei para o lado de fora da janela e reparei que passámos por uma ponte. De novo, não consegui saber identificar onde nos encontrávamos, nem para onde nos dirigíamos. Decidi fechar os olhos e desfrutar do som do vento ser rasgado pelo vidro semiaberto.

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