A primeira cor
que me ocorria à mente sempre que pensava em Afrodite, era o rosa. Mas tanto
Marie como Elizabeth utilizaram tons dourados na maquilhagem e no embelezamento
do penteado.
Num drapeado
perfeito, Elizabeth conseguiu que o meu cabelo parecesse completamente torcido
para o lado direito. Uma trança parecia diminuir de tamanho à medida que ia
descendo sobre o meu peito.
- Utilizou
extensões? – Perguntei, reparando de imediato no tamanho soberbo do cabelo.
Quase que chegava à zona da minha cintura.
- Ora, pois
claro. A Marie disse-me que o teu cabelo não era grande o suficiente.
Revirei os olhos
e mostrei a língua a Marie. Esta riu-se.
- Não sei o que
dizer – gaguejei.
Elizabeth Joyce
fez uma pequena vénia e mostrou um sorriso.
- Gosto de
ajudar a minha sobrinha sempre que posso.
Suspirei,
olhando mais uma vez a minha figura ao espelho.
As horas
seguintes foram uma correria. O baile, reunião, encontro – eu própria não sabia
o que havia de chamar ao evento ao qual nós íamos – dava início às oito e meia
da noite. Continuava sem saber onde iria ser. Marie insistia em manter segredo.
- Não te
esqueças que vamos em anonimato – usava como desculpa.
Enfim, uma
correria autêntica os momentos seguintes. Marie tentava telefonar a Niall sobre
a que horas iriam eles aparecer no evento, mas este não atendia o telemóvel.
Perguntei a ela porque não ligava a Harry ou a outros dos rapazes, mas ela
abanava a cabeça sempre que eu dava essa hipótese.
- O meu acordo é
com o Niall, eles não podem suspeitar que vamos chegar atrasadas.
Assim que Marie
deixou escapar aquela informação, deu uma palmada na própria testa, dizendo um
palavrão. Possivelmente eu não devia
saber aquilo. Porém, não levantei qualquer poeira para insistir no assunto.
Por volta das
sete e meia, vestimos tardiamente as túnicas. Desculpei-me que esta era a
semana menstrual e que tinha que me vestir na casa de banho. Óbvio que a
verdade não era essa.
Respirei fundo
no momento em que ouvi o trinco da porta da casa de banho, podendo tirar o robe
sem ter que verificar frequentemente se Marie repararia nas cicatrizes das
costas ou até mesmo dos meus seios. E não só nessas zonas.
Pus-me em frente
ao espelho, observando o meu corpo de alto a baixo, tanto de frente como de
trás. Virei o corpo, fixando o olhar no fundo das costas, perto do cóccix. Era
difícil recordar por que razão ele me queimara naquela zona. Semicerrei os
olhos, tentando puxar pelas memórias que já se apagavam lentamente.
Não valia a
pena. A maior parte das vezes em que ele me castigava, ou estavam absolutamente
soterradas na minha consciência, ou tinham sido eliminadas, sem haver quaisquer
vestígios delas na minha cabeça.
Vesti as meias
de vidro, com cuidado e lentidão. Depois coloquei os nu bra. O cabide de fatos estava pendurado na porta; abri-o e
retirei com cuidado a túnica. Ao colocá-la, reparei que me assentava que nem
uma luva na mão. Com cuidado para que o nu
bra não caísse, coloquei as alças em cima dos meus ombros.
Estava pronta. A
túnica tinha o comprimento certo, o tamanho perfeito e o corte totalmente no
ponto.
- Já estás
pronta? – Ouvi Marie, do outro lado da porta.
Olhei para o meu
reflexo no espelho e sorri. Sentia-me bonita.
- Sim –
respondi. – Estou pronta.
Os meus joelhos
tremiam. As minhas mãos suavam. E um nervosismo absurdo assolou-me de tal
maneira que eu não conseguia respirar com calma e corretamente.
- Bella,
acalma-te imediatamente – ordenou Marie.
- A-Achas que
consigo? – Perguntei, vacilando.
Elizabeth Joyce,
a tia de Marie, guiava o carro com alguma calma em direção ao evento. Não
consegui prestar atenção ao caminho que percorríamos, pouco preocupando-me se
precisava de saber como lá voltar ou não. O que me estava a meter completamente
fora de mim era o facto de saber que Louis seria Ares e não saber quem seria Zayn.
- Vai correr
bem, não é nada demais – tentou Marie confortar-me.
Respirei fundo
algumas vezes e obriguei o meu próprio sistema nervoso acalmar as hormonas.
Não tens necessidade de fazer isto… Vai correr
tudo bem… Estás bonita e tens que arrasar…
A pouco e pouco,
os pensamentos que eu tinha antes de ir a qualquer festa, dominaram-me,
aquietando os tremores e os suores.
- Isso mesmo –
disse Marie, atenta à minha figura.
Levantei o
olhar, sorrindo-lhe. Depois olhei para o lado de fora da janela e reparei que
passámos por uma ponte. De novo, não consegui saber identificar onde nos
encontrávamos, nem para onde nos dirigíamos. Decidi fechar os olhos e desfrutar
do som do vento ser rasgado pelo vidro semiaberto.

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