- Assim do nada? Ela deu-te o emprego assim do nada?! – Gritou Marie,
no Starbucks do centro da cidade.
- Chiu! Tens mesmo que falar alto?
Depois de acertar algumas coisas com Lana – a senhora da loja –
nomeadamente o meu horário de trabalho, a data a que receberia o salário e
notificar-me de algumas coisas fulcrais que eu precisava de saber na hora,
caminhei entusiasticamente até ao Nando’s.
Quando ia a virar uma esquina, embati contra alguém que trazia um bolo na mão.
Era Marie. E um pastel de nata.
Ela deu uma risadinha e um gole no seu Frappuccino light de leite de soja e caramelo.
- Ninguém quer saber, tonta – revelou, encolhendo os ombros. – Mas
explica-me melhor como conseguiste esse emprego… sabias que o proprietário é de
uma banda de metal? – Marie arqueou a sobrancelha, pensativa. – Ou de hardcore…
Espera, deixa-me pensar um pouco.
Deixei-a então pensar,
esperando.
- Sabes que mais? – Acabou por me dizer. – Não te sei dizer ao certo.
Mas eles têm fama e são muito conhecidos.
Dei uma gargalhada sonora.
- És fã da banda? – Perguntei.
- Nem por isso. – Depois suspirou e olhou-me atentamente. – Não tens
falado com eles, pois não?
Eu sabia a quem ela se referia. Não precisava de dizer nomes e se calhar
talvez fosse melhor assim. Se eu ouvisse o nome… dele ou… do ex-namorado da
Eleanor, aperceber-me-ia que muito provavelmente já me tinham esquecido. Todas
as noites rezava para que não fosse o caso, mas isso Marie não tinha que saber.
- É como se eu tivesse sido uma fã que ganhou um concurso ao qual o
prémio foi quase três meses de contacto com eles e… claro tive a sorte de me
envolver com dois da banda, mas… É como se tivesse terminado o meu tempo com
eles e eles seguissem com a vida deles e eu com a minha.
Marie não respondeu de imediato, olhava para o Frappuccino
atentamente, perdida em pensamentos, sempre a mexer a palhinha no sentido dos
ponteiros do relógio. Logo ali ao meu lado conseguia ouvir um homem a falar ao
telefone e a rir-se. Mas não me interessou sobre o que ele falava.
- Sabes – adiantei ainda. – Eu não os percebo. Podiam ter ligado.
Podiam ter continuado a contactar-me, de uma maneira ou de outra. Eu até
entendo que não tenho twitter e que
basicamente é essa rede social que eles utilizam, mas eles têm o meu número de
telefone. Acreditas que o Sam está farto de perguntar pelo Louis e pelo Harry?
Dizer os nomes deles magoava-me. E com razão. O que eles estavam a
fazer era muito errado e maldoso. Porque não falavam comigo? E o Harry é meu amigo,
ele mais do que ninguém não deveria ter deixado de me falar. Não está correto,
simplesmente não está.
- Ouve Marie, eu vou para casa, está bem? Nós falamos outro dia.
Levantei-me da cadeira e larguei dez libras em cima da mesa.
- E agradece aos rapazes por me terem ligado. Eles já cá estão, não
já? – Perguntei.
- Só o Harry e o Liam.
Não respondi mais nada, saindo dali para fora o mais depressa que eu
consegui. Andei até ao centro de Londres, relembrando todos os episódios que
eles tiveram ao longo da semana. As várias aparições e os encontros com os fãs,
nunca esquecendo os sorrisos marcados no rosto de cada um. Foi como se eu nunca
tivesse existido.
Tropecei no passeio, caindo. Os meus reflexos rápidos evitaram que batesse com a cara no chão, o que foi um pouco constrangedor. No momento não pensei nisso, apenas desejei que um buraco negro e sem fundo me sugasse dali para fora. Ou melhor, que sugasse tudo o que eu estava a sentir naquele momento.
Tropecei no passeio, caindo. Os meus reflexos rápidos evitaram que batesse com a cara no chão, o que foi um pouco constrangedor. No momento não pensei nisso, apenas desejei que um buraco negro e sem fundo me sugasse dali para fora. Ou melhor, que sugasse tudo o que eu estava a sentir naquele momento.

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