sábado, 29 de dezembro de 2012

New Begginning - Capítulo 96



A primeira semana de novembro trouxe sossego. Para além de não poder sair de casa, também não recebíamos visitas, pois os rapazes e Marie estavam fora e as poucas palavras que Laura trocara com a vizinhança, não foram o suficiente para que os vizinhos quisessem conhecer-nos melhor.
- Quando é que eles voltam? – Perguntou-me Laura, em certo dia.
A minha resposta foi um encolher de ombros.
- Harry não me disse completamente na íntegra. Apenas disse que seria a meio do mês.
Sam continuou a perguntar por eles, ao início, mas quando se apercebeu que nem mesmo Louis me ligava para falar com ele, deixou de perguntar. E eu não me dei mais ao trabalho de ligar o computador; se fosse a ver as notícias que havia deles, deparar-me-ia com os seus sorrisos e nada de desgostos amorosos. Aliás, Zayn continuava com Perrie. Porém, houve uma vez ou outra que, ou fosse num programa espanhol ou fosse um programa italiano, certos jornalistas perguntavam a Louis se ele estava solteiro, e este, respondia que sim.
Nessas alturas eu sentia-me com o coração aliviado por saber que ele não voltara com a Eleanor. Significava que ainda me amava. Certo?
Todavia, todos os dias depois do jantar, pegava no casaco e no maço de cigarros. Saía para o descampado onde eu e Zayn passáramos aquela noite e, primeiro, deixava-me ficar a ouvir os grilos. Depois não aguentava e começava a chorar.
Não falhava uma única vez. Os meus joelhos desfaleciam contra o chão, enquanto eu tentava agarrar o peito, escalfando-o para que a dor saísse. Eles estavam bem, não precisavam de mim. Afinal, Zayn não me amava assim tanto. E Louis…
Às vezes pensava que nem valia a pena pensar neles. Talvez não doesse tanto, se eu evitasse que o meu pensamento se enchesse com as imagens de ambos. Para tentar aliviar toda a angústia que sentia, tentava ouvir a voz de Harry dentro do meu consciente.
- Não fiques assim, Ferrero. Não gosto de te ver nesse estado – era o que eu continuava repetidamente a reproduzir na minha memória.
No dia onze de novembro decidi fazer alguma coisa da vida. Ficar fechada em casa deixara de ser opção, então pedi ajuda à minha mãe para que me desse dinheiro para a viagem de ida e volta do táxi e mais algum para enquanto eu estivesse no centro de Londres.
- Acreditas mesmo que irás encontrar trabalho? – Perguntou, à porta de casa.
Ajeitei melhor o cachecol. O taxista apitou duas vezes e eu fiz-lhe sinal para que esperasse.
- Tenho que tentar, não posso ficar aqui fechada todos os dias a fazer nenhum.
Despedi-me dela e corri para o táxi.
- London Eye, por favor – indiquei, encostando-me para trás.
Durante a viagem fui tentando fixar as ruas por onde passava. Teria que pensar como iria fazer mal arranjasse dinheiro para a carta, e por ventura, para um carro. Desde o primeiro dia em que cheguei, fazia-me confusão a condução dos britânicos. Não me inspirava muita confiança conduzir do lado direito. Apesar de falar sem sequer alguma vez ter conduzido na vida, safar-me-ia melhor se conduzisse à esquerda, e não à direita.
- Obrigada – agradeci, mal parou o carro a vinte metros do London Eye.
Durante duas horas e trinta minutos, entrei em todos os cafés e lojas por onde passava e fazia a mesma pergunta padrão a todos.
- Bom dia, poderia dizer-me se andam a precisar de nova empregada?
Um sorriso amistoso colocado no rosto era tudo o que precisava para transmitir o meu interesse. No entanto, na maior parte dos locais negavam-me e eu, com um sorriso sincero, agradecia a atenção dada.
- Antes que tudo precisaria de ver o seu currículo – disse-me a gerente da loja DropDead Clothing.
- Não tenho nenhum – respondi com vergonha.
A mulher, uma atraente senhora com pouco mais de trinta anos, ficou pensativa.
Eu precisava mesmo de um emprego. Estava a enlouquecer ficar fechada dentro de casa vinte e quatro horas por vinte e quatro horas, sete dias por semana.
- Consigo fazer um pouco de tudo – adiantei-me a explicar, temendo que me negasse na hora qualquer hipótese de reconsideração.
Depois lembrei-me de uma coisa que nunca falhava.
- Ponha-me à prova – desafiei. – Explique-me apenas o básico do sistema da colocação das peças de roupa e eu prometo fazer o meu melhor.
Ela olhou-me durante algum tempo e depois um casal de jovens entrou na loja, sorrindo na nossa direção. Voltei a olhar a senhora que naquele momento sorria matreiramente na direção dos adolescentes.
- Fazemos assim – disse-me, e depois apontou para eles – se conseguires que o rapaz, ou a rapariga, comprem pelo menos uma peça de roupa ou qualquer um destes artigos – apontou para a vitrina –, eu dou-te o emprego.

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