Decidi por ventura não acordar ruidosamente. No entanto, as dores
dificultavam essa minha decisão. A minha cabeça parecia estalar e sentia
constantemente uma picada no pulso esquerdo. Quando os meus olhos se abriram,
ficaram agradecidos por não haver muita claridade, onde quer que eu estivesse.
Pisquei-os algumas vezes, ainda tendo a visão desfocada.
Mas consegui olhar para a pessoa que estava deitada sobre a minha
cama e com o rosto virado para baixo. A sua mão pegava na minha e no nosso
pequeno casulo encontrava-se um dos broches que Louis me dera. Apertei-lhe a
mão ao de leve, provocando um susto à pessoa. Levantou a cabeça num ápice,
revelando ser o próprio.
- Calma – sussurrei, mas a minha voz estava demasiado rouca para que
ele percebesse alguma coisa.
- Bella – disse ele, exasperando alívio.
Reparei que Louis não estava sozinho no que percebi ser um quarto de
hospital, então olhei para o fundo, vendo Zayn levantar-se duma cadeira e vir
ter comigo. Os seus olhos brilhantes fixavam-me o rosto.
- Nem acredito que finalmente acordaste – disse Louis, o que me
obrigou a olhar para ele.
Sorri, feliz por saber que eles se preocupavam.
- Ainda bem que estão aqui – murmurei baixinho.
- Não fales, será pior – aconselhou Zayn.
- Mas eu quero – sussurrei. – O que aconteceu?
- Estavas a ter uma discussão que nunca deveria ter acontecido, e
desmaiaste – respondeu Louis.
Zayn agachou-se, sentando-se na cadeira do meu lado esquerdo e
pegando na mão livre.
- Era eu que lá estava, portanto eu
é que sei o que aconteceu – respondeu a Louis.
- Se não fosse por tua culpa, ela não estava aqui. Aliás – disse,
levantando-se – se não fosse por tua
culpa, ela não teria desmaiado.
Zayn também se levantou, fazendo frente a Louis.
- Parem – pedi, mas nenhum me ouviu.
- O médico disse que a razão foi fraqueza e poucos glóbulos brancos
no sistema, não teve nada a ver comigo – retorquiu Zayn com fúria.
- Continuas a ser o culpado, pois a partir do momento em que te
meteste entre mim e ela tudo piorou para o lado dela.
- O vosso beijo nunca devia ter acontecido, ela própria o disse –
provocou Zayn.
O meu coração ficou pesado. A minha respiração acelerou, mas eu
sentia-me presa e sem ar.
- Parem – murmurei mais uma vez. – Parem.
- Ela sofre por saber que continuas com a Perrie. Vê-se mesmo que não
a amas de verdade, Zayn. Volta a meter-te entre mim e ela e vais ver o que te
espera – disse Louis, estalando os dedos.
- É quando quiseres, Louis – respondeu Zayn, dirigindo-se à porta.
Louis ia atrás dele, mas eu gritei.
- Parem!
Depois senti-me perder os sentidos de novo.

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