terça-feira, 4 de dezembro de 2012

New Begginning - Capítulo 77


- Quando podemos ver o teu vestido? – Perguntou-me ela com um sorriso extremamente radioso.
No segundo a seguir, Laura dava ideia de que ainda estava por acabar alguns pormenores.
- É o tempo de irem lanchar, meninas. Não demora nem um quarto de hora – disse a minha mãe, apressando-se a ir ao cubículo da zona de costura.
Cheguei à cozinha e retirei do frigorífico os pastéis de nata, caseiros. Coloquei em cima da mesa, voltando-me de novo para a bancada, tirando dois copos do armário.
- Que é isto? – Inquiriu Marie, apontando para os pastéis.
- Nunca provaste?
Ela abanou a cabeça e eu dei uma gargalhada.
- São tipicamente portugueses. E português que é português aprecia sempre um bom pastel de nata. – Expliquei, tirando um da caixa e colocando à frente dela.
Recuou um pouco, recetiva a provar. Revirei os olhos.
- Marie são ótimos, vais adorar.
Ela lançou-me um olhar curioso. Depois pegou no pastel e colocou-o por baixo do nariz, farejando. Ri um pouco mais. Deu uma trinca, e dois segundos depois, um sorriso formou-se no seu rosto.
No final, acabou por comer mais dois, acompanhados de um copo de leite. Marie esteve a contar-me que conhecia Niall desde os seus quinze anos, mas que não deu tempo de se aproximar dele tanto quanto gostava porque este também não lhe dava hipótese.
- Quando o vi pela primeira vez, soube logo que ele não era igual aos outros – segredou-me. – Fiz de tudo para travar uma amizade com ele, e não me arrependo de nada. Afinal, - as suas maçãs do rosto estavam vermelhas – cada vez estou mais próxima do seu coração.
- Não sabia que eras romântica – confessei, trincando o lábio.
Ela estalou a língua e ajeitou o cabelo, mesmo não precisando de o fazer.
- Tenho a noção que se nota à distância que estou completamente apaixonada pelo Nialler. Quando se apanha o bichinho do amor, é melhor estar-se preparado para parecer um idiota in love.
Marie ainda conseguiu dizer-me que tinha medo de não ser correspondida; mas se Niall não sentia por ela o mesmo que ela sentia por ele, recusar-se-ia a chorar por esse amor perdido.
A minha mãe veio ter connosco à cozinha, em passo apressado e empolgada demais para o esconder. Rasgou o rosto com um sorriso, olhando bem para mim.
- Está pronto. – Anunciou, e aí, foi o momento em que comecei a sentir o nervosismo.
Dirigimo-nos à zona de costura. Marie ia à frente, e quando olhou na direção do manequim, susteve a respiração sonoramente. Marie não pronunciou nenhuma palavra, e o espanto no seu rosto assolou-me. Quando cheguei ao pé dela, e olhei para a túnica no manequim, percebi porque tinha ficado sem palavras.
Aproximei-me da túnica extraordinariamente sublime. Toquei no tecido, enquanto percorria com o olhar o enorme decote em V até ao seu fim, na zona do umbigo. Às alças, a minha mãe conseguiu fazer uma excecional trança de cada lado. À medida que ia olhando para o vestido em todas as diferentes componentes, descobri outro decote em V atrás. Curiosamente, a túnica relembrava-me as jardineiras que na infância conseguia vestir todos os dias.
- Está lindo – murmurei.
- A senhora Ferreira devia reconsiderar a hipótese de ser estilista – comentou Marie.
Lembrei-me das joias que Louis me tinha dado, e corri até ao quarto, para as ir buscar. Quando voltei, mostrei-as a Laura.
- Consegues coloca-las na túnica? – Perguntei, esperando ouvir um sim.
A minha mãe apenas sorriu e pegou nos broches. Em silêncio, Marie e eu esperámos. As joias acabaram por ficar nas alças entrelaçadas, fazendo-as passar por despercebidas.
- Estou ansiosa pelo dia de amanhã – disse Marie à porta de minha casa, por volta das oito horas da noite. Preparava-se para ir embora.
- Ainda estou para descobrir quem serás e que deus interpretará Niall – dei uma risada. Depois lembrei-me que pouco ou nada sabia sobre a mitologia grega. Levei a mão à testa. – Santo Deus, esqueci-me de fazer os trabalhos de casa!
Marie arqueou uma sobrancelha e eu expliquei-lhe o que queria dizer.
- Ainda tens tempo, mas aconselho a pesquisares sucintamente todas as lendas em que Afrodite está envolvida. O mais certo será que os convidados, para além dos rapazes, meter-se-ão contigo e te farão diversas perguntas sobre a deusa. – Abanou afirmativamente com a cabeça. – A primeira vez a que fui a este evento, estava pouco preparada, não sabia muito bem quem era Andrómeda. – Marie fechou os olhos, como que lamentando o sucedido. – Só não apanhei uma vergonha maior, porque ninguém me reconheceu.
Depois suspirou, andou até ao carro e não me deu hipótese de me despedir. Mas antes de ir embora, abriu a janela do carro e gritou:
- Não te esqueças, Bella, faz os trabalhos de casa!
Deu uma gargalhada bem sonora, e retirou-se.

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