3 de Novembro
- Calma, Bella – disse-me Harry.
Enquanto ele me ajudava a sair do carro dele, olhei para a minha mãe
e para Sam que me esperavam à porta de casa. Estava a chuviscar, então virei o
rosto para o céu, sentindo os pingos de chuva embaterem contra os meus lábios,
os meus olhos e as minhas bochechas.
Quando me encontrei totalmente em pé, apoiei-me no Lamborghini
enquanto Harry fechava a porta.
- Anda lá, Ferrero – disse ele, chamando-me pela nova alcunha que me
pusera.
Apoiei-me no seu ombro, dando pequenos passos até à entrada. O médico
dissera que não podia fazer esforços, então Harry achou por bem que eu tivesse
de me apoiar em tudo o que era canto. Para lhe satisfazer a vontade, abusei um
bocadinho da sua ajuda.
À saída do hospital, obriguei Harry a levar-me ao colo, o que conduziu
toda a gente a olhar para nós, enquanto eu me ria desbragadamente. Também havia
paparazzi. Mal souberam que os One
Direction tinham passado a noite de Halloween e o dia do pão por Deus no
hospital, correram feitos que nem galos atrás da franga, à procura de capturar fotografias.
Ficaram todos contentes por verem uma rapariga nova no colo de Harry, mas
nenhum de nós ficou incomodado. Ambos sabíamos o porquê e mais nada
interessava.
- Sam, cuidado porque a tua irmã ainda está frágil – avisou a minha
mãe.
Sam encontrava-se feliz por me voltar a ver em casa e dava pequeninos
saltos de alegria.
- Mas eu quero abraçar a mana – pedinchou ele.
Um sorriso formou-se no meu rosto.
- Fazemos assim – propus. – O Harry pega-te ao colo e tu dás-me um
abraço no colo dele, está bem?
Harry colocou-se em modo de preparação de receber o meu irmão e este
correu até ele. Ri-me ao ver a cara de cansaço de Harry quando pegou em Sam,
mas eu sabia que ele apenas estava a fingir. Sam estendeu os braços para mim e
eu aproximei-me, deixando-o abraçar-me o pescoço com força.
- Tanta saudade que tens – disse-lhe em português. – Porque tiveste
tanta saudade da mana?
Sam colocou uma expressão triste e quase chorou.
- Não quero que vás ter com o papá – soluçou.
Sinceramente ver o meu irmão assim punha-me com o coração a doer.
Cada vez mais eu tinha a noção do quão importante eu era para Sam. Uma lágrima
caiu-me do olho. Peguei no rosto do meu irmão e dei-lhe um beijo.
- Ouve bem a mana, pirralho – falei. – Eu não vou a lado nenhum, está
bem?
Sam limpou as lágrimas do meu rosto.
- Não chores mana – disse, mostrando um sorriso pequeno.
Dei uma gargalhada e depois olhei de relance para Harry; os seus
olhos estavam vermelhos.
- Oh bolas, agora coloquei toda a gente a chorar – resmunguei.
- Não foste tu, foi o teu irmão – disse Harry, rindo-se.
Entrámos em minha casa e ele levou-me até ao quarto. Harry não se
demorou muito. Despediu-se, com a justificação que ainda tinha de fazer as
malas. Sam levou-o até à porta, mas depois subiu com rapidez as escadas para
voltar a ficar comigo.
- Queres-te deitar aqui comigo? – Perguntei.
Levantei os lençóis e Sam tirou os sapatos desajeitadamente,
deitando-se ao meu lado.
Fechei os olhos, refletindo no que acontecera nos últimos dois dias.
O meu coração doía. Zayn e Louis lutavam por mim, como se não fossem irmãos.
Lutavam por mim como se nunca tivessem formado uma família; a sua banda.
Recordo-me da primeira vez que acordei no hospital, ter sido a primeira fase da
ameaça que cada um fez ao outro. Graças a Deus que o meu desmaio conseguiu
acalmá-los nesse dia.
Porém, quando Marie e Niall me foram visitar no segundo dia, o louro
revelou-me que as coisas não estavam nada bem.
- Não sei como iremos fazer nos próximos dias – confessou ele e eu notei
na tristeza que a sua voz transmitia – Se eles dão indícios de estarem mal um
com o outro, podem surgir rumores de que a banda irá acabar, e isso não irá
ajudar-nos.
Isso era uma das coisas que eu mais temia. Não queria que eles
acabassem com a banda, depois de tudo o que passaram para alcançar o que têm
hoje, isso não pode acontecer.
No mesmo dia em que Niall e Marie visitaram-me, Louis passou um serão
comigo.
- Promete-me que não irás provocar o Zayn – pedi, seriamente.
Louis havia suspirado e pegou-me na mão direita.
- Eu não farei nada se ele também não o fizer – respondeu-me.
- Louis – chamei-o à razão. – Ambos sabemos que tu é que provocas.
Ele resmungou qualquer coisa e levantou-se da cadeira, dando passos
para lá e para cá continuamente.
- Tu não percebes, Bella? – Perguntou um pouco alto.
- Não percebo o quê? – Inquiri, confusa.
Louis olhou para mim furiosamente. Voltou a sentar-se e pegou-me na
mão, apertando-a ligeiramente. Levou-a à sua boca, dando um longo beijo
enquanto me fixava. Os seus olhos eram pura agonia.
- Não percebes que é comigo que deves ficar? – Murmurou.

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