Entretanto a rapariga demorou-se pelo menos cinco minutos, o tempo necessário de eu encontrar mais peças de roupa que ela talvez gostasse. Acabei por pegar no vestido preto direito, com diversas cruzes cinzentas espalhadas por ele e atrás, nas costas, uma cruz enorme com um tecido transparente escuro na zona. Era lindo, admito, mas concentrei-me em vender o produto.
Ela saiu dos provadores, com uma expressão frustrada. Abanou negativamente a cabeça e passou-me a camisola à mão.
- E que tal este? – Mostrei-lhe o vestido. – É o trinta e oito…
Suspirou prolongadamente, um gesto relativamente idêntico ao do namorado. Pegou no vestido e dirigiu-se de novo ao provador.
Não demorou muito tempo como da primeira vez. Devolveu-me o vestido e com poucas palavras desistiu.
- Obrigada pela ajuda, mas pode ser que encontre o que procuro noutro lado. Oliver?
O rapaz virou-se para ela, atrapalhado, e despediu-se de mim e da
senhora da loja. Por momentos pensei em insistir, mas hesitei, sabendo que não
valeria de nada. As chances de arranjar um trabalho estavam oficialmente over.
- Bom, obrigada na mesma pela oportunidade de me deixar tentar – agradeci
à senhora, afastando-me até à porta.
- Not so fast, little girl
– disse-me ela no seu britânico requintado. Saiu de trás do balcão,
aproximando-se de mim – O namorado da rapariga estava indeciso entre
comprar-lhe uma capa de telemóvel única ou um porta-chaves. Também único –
sorriu.
Será que o que eu estava a prever ia acontecer? Deus é grande.
- Sim…
- E ele acabou por comprar ambas as coisas. Parabéns…
- Bella – disse, entusiasmada. Ela sorriu e estendeu-me a mão.
- Parabéns Bella. Trabalhas oficialmente para uma das muitas lojas da
DropDead Clothing.

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