Nem pensei duas vezes. Apenas olhei em volta, fixando algumas peças
de roupa como os vestidos ou os casacos de rapaz e dirigi-me ao casal.
- Bom dia – cumprimentei, com o melhor sorriso que consegui expor –
Precisam de ajuda com alguma coisa?
A rapariga pareceu-me tímida. E o rapaz olhou para ela de relance.
Esboçou-me um sorriso fechado.
- Não é preciso, obrigada – acabou por dizer.
Mas eu não ia desistir tão facilmente.
Com um rápido olhar, percebi que a rapariga gostava de camisolas de
cores vivas e com diferentes caricaturas sádicas – a sweatshirt que ela usava
era cor-de-rosa e no centro da sua frente havia uma versão em paródia da
cantora Ke$ha.
- Talvez encontres o que procuras na outra secção – comentei para
ela.
Olhou para mim com uns grandes olhos azuis e eu apontei para o outro
lado da loja. Ofereci a minha ajuda, comentando que talvez lhe ficasse bem uma
das camisolas da nossa nova coleção.
A senhora da loja sorria, percebendo que me aproveitava de
informações óbvias para parecer que trabalhava mesmo na DropDead.
- Isto nunca me iria servir – reclamou a rapariga, vendo o tamanho da
camisola preta com um gato estampado na frente parecido com o do País das
Maravilhas de Alice.
- Trinta e oito? Talvez até te serve o tamanho trinta e seis – dei
uma risadinha e a rapariga corou ligeiramente. – Experimenta – incitei.
Ela pegou na camisola e dirigiu-se aos provadores.
- Não queres também experimentar alguma coisa? – Perguntei ao rapaz.
Ele era pálido, os seus olhos eram do mais negros que eu já vira e o
seu estilo era parecidíssimo com o que a DropDead oferecia. Olhei para o skate que trazia na mão, reparando no
pormenor da caveira pirata imprimida na zona inferior.
- Hoje o dia é dela, não meu – respondeu.
- Faz anos? – Perguntei, temendo que fosse demasiado intrometida.
Ele acenou que sim e passou a mão pela zona da nuca.
Trinquei o lábio, pensativa. Se a namorada dele não comprasse
qualquer peça de roupa, eu teria que tentar fazer o rapaz comprar-lhe algo.
Pessoalmente achava piada ao estilo hardcore, no entanto, não era frequente misturar
o preto com cores, naquele jeito mais diferente e irreverente. Embora não fosse
a minha primeira escolha em questões de trabalho, a DropDead parecia-me ser a
minha última chance de começar no mundo do trabalho.
- Ali na vitrina do balcão talvez encontres algo para lhe oferecer de
surpresa – propus.
Ele olhou seriamente para mim e eu sorri, mostrando confiança. Lá
suspirou e dirigiu-se ao balcão.

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