Em pouco tempo
coloquei-me em frente ao portátil, procurando tudo o que conseguia reter sobre
a deusa do Amor. Até agora sabia que era a filha de Zeus, fruto do seu
relacionamento esporádico com Díone, uma mortal, e era considerada uma dos
grandes Doze. No entanto, havia também a versão de que nascera da espuma do
mar, aquando houve o derrame de esperma de Cronos quando Zeus lhe cortou os
genitais.
- A mitologia
grega é completa e absurdamente estranha – comentei para Booboo que saltitava
em cima do meu colo.
- Porquê? –
Perguntou-me com a sua voz fina e doce.
Dei uma
risadinha.
- Não queiras
saber, Booboo.
Enquanto lia as
aventuras amorosas de Afrodite, relembrei também que era casada com Hefesto, o
deus do fogo, mas amava Ares, o deus da Guerra.
Agora percebia
a escolha de Louis querer interpretar o deus violento. Uma coisa que eu ainda
não percebera era quem seria Hefesto. Arriscava-me a que um desconhecido
tivesse a esperança de, ao interpretar Hefesto, encontrar a sua legítima
mulher. A única coisa que eu podia fazer era pedir para que não houvesse
Hefesto neste encontro de deuses e semideuses, ou algum dos rapazes decidisse
ser feio e manco. Seria menos mau.
Apenas por
curiosidade, coloquei no motor de busca o nome Ares. E, mais outra surpresa, o
deus da Guerra era também filho de Zeus, no entanto era fruto do casamento com
Hera, a deusa da maternidade. Ares é também um dos grandes Doze. Algumas das
características que descobri serem interessantes sobre Ares, eram que é
anormalmente alto e “solta gritos terríveis”; tem dois filhos, Deimo e Fobo
(Medo e Terror, respetivamente) que estão sempre ao seu lado. Iria Louis
obrigar dois dos seus quatro irmãos a serem Deimo e Fobo?
Quando dei
conta, passava da meia-noite. Não encarei que fosse algo muito mau, porque
aprendi bastante sobre a religião dos antigos gregos. Apesar de antes desta
grande busca eu já conhecer os deuses principais do politeísmo grego, não
conhecia as lendas, apenas os nomes e os respetivos poderes.
Desliguei o
portátil, não o movendo de cima da minha secretária. Peguei em Sam e fui
deitá-lo na sua cama.
O quarto de Sam
era um Universo de estrelas, cometas e constelações. Com a luz desligada, a
porta fechada e os olhos bem atentos, dentro do quarto do meu irmão era difícil
encontrar onde começava um lado da parede e onde terminava o outro. A minha mãe
pediu que primeiro pintassem as paredes de um azul escuríssimo. Depois encarregou
os pintores da fábrica – da qual não me recordo o nome, Painting qualquer coisa – que anteriormente tinham pintado o quarto
todo do azul, de criarem um efeito infinito. Isto é, pintarem centenas de
estrelas em todas as paredes e no teto, com uma tinta fluorescente.
Eu também não
sabia que existia uma tinta que brilhava no escuro, mas no entanto, ela estava
em toda a parte no quarto de Sam. Ainda estava por conseguir descobrir como
tinham alcançado fazer uma estrela cadente a rasgar o céu do quarto.
No momento em
que ia para fechar a porta do seu quarto, Sam chamou-me.
- Cookie – murmurou ele.
- Estou aqui,
Booboo – respondi.
Sam remexeu-se
na cama, embriagado pelo sono.
- Não vás
embora, Cookie.
Aproximei-me da
sua cama, baixando-me ao seu nível. Sam desviou-se para o outro lado e abriu os
lençóis. Quando ele estava triste, pedia-me que dormisse com ele.
Larguei os chinelos
no chão e entrei na sua cama. Estava fria, o que me deu arrepios. Envolvi Sam
nos meus braços, dando-lhe um beijo na testa.
- Aonde é que
vais amanhã com o vestido que a mamã te fez? – Perguntou ele, sussurrando.
- Tenta dormir,
Sam – aconselhei.
- Não me queres
dizer…
Suspirei,
sabendo que no dia seguinte teria que enfrentar uma birra infernal se não lhe
dissesse o porquê de a mamã ter feito
a túnica.
- Vou a uma
festa. Uma festa para gente grande.
- Porque não
vai a mamã?
Ri-me baixinho.
- Porque a mamã
não foi convidada.
Sam assentiu.
Olhei para o teto e a estrela cadente passou.
Um… dois… três… quatro… cinco… seis… sete… lá estava ela de novo.
Comecei a
cantarolar o refrão da música Little Things, pensando que Sam já tinha
adormecido profundamente.
- O Zayn e o
Nouis vão?
A voz dele
fez-me sobressaltar.
- Sim, o Harry
e o Liam também. E o Niall que ainda não conheces – expliquei em voz baixa.
Sam agarrou-se
à minha camisola e estendeu os lábios. Dei-lhe um beijinho e ele sorriu. Depois
abriu os olhos.
- O Nouis vai
adorar ver-te com o vestido – disse ele, escondendo a cara.
Revirei os
olhos, mas não respondi.
Por instantes
pensei no que Sam dissera e, verdade maldita, eu queria que Louis gostasse de
me ver com a túnica. Não só ele, mas também outro alguém que eu tinha medo
sequer de pronunciar o nome em mente. Outro alguém, moreno e com uma madeixa
loura no cabelo.
Não demorei a
afastar aqueles pensamentos maldosos e que me faziam ficar cada vez mais
confusa. Adormeci a contar quanto tempo demorava a aparecer a constelação
sagitariana.
Um… dois… três… quatro… cinco… seis… sete… oito…
nove… dez… onze…

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