- Já aqui? – Perguntei. – Vieste cedo, ainda nem quarenta e cinco
minutos passaram.
Zayn sorriu enviesadamente.
- Sente-te lisonjeada. Nunca chego a horas, quanto mais antes do
tempo.
Encostei o traseiro à ombreira da porta e ele reparou, olhando de
relance para lá.
- E porquê chegar antes do tempo? – Trinquei o lábio e decidi
arriscar. – Foram as saudades a apertar?
Ele olhou fixamente para mim, quase que um sorriso se formava no seu
rosto, mas depressa desviou o olhar.
- Não tinha nada a fazer por lá, não ia ficar sentado à espera do
tempo passar.
Encolhi os ombros. Fiz-lhe sinal para entrar.
- Queres comer qualquer coisa? – Perguntei na esperança de que
dissesse que sim.
Mas antes de ele responder, a minha mãe levantou-se para o
cumprimentar.
- Olá Zayn, que bom ver-te! – Deu-lhe dois beijinhos. – Tudo bem?
Ele acenou com a cabeça, acompanhando um sorriso terno de quem sabia
como impressionar uma mulher.
Suspirei.
- Vem – pedi-lhe.
Entrámos na cozinha e peguei de novo no meu pão. Dei uma trinca
generosa e ele ficou a olhar para mim. Eu reparei e fiquei estática.
- Que é? – Perguntei.
Ele riu.
- Nunca vi uma rapariga dar uma trinca tão grande.
Lambi os dedos que estavam cheios de doce de morango.
- Isso é porque não conheces as portuguesas. Nós não temos medo de
comer. Se temos fome, não é trincas do tamanho de ervilhas que nos vão saciar.
Ele acenou com a cabeça concordando.
Ouvi os pés do meu irmão, enquanto ele descia as escadas. Veio ter à
cozinha e parou junto à porta, com as mãos atrás do corpo e um sorriso envergonhado
no rosto. Zayn curvou-se.
- Olá Sam – cumprimentou o meu irmão.
- Olá – disse Sam, envergonhado até aos calcanhares.
Eu observava de lado, porque ainda continuava com os olhos no meu
pão.
- Vens dar-me um beijinho? – Perguntou Zayn.
- Ele nunca dá beijinhos. Nunca deu um à minha mãe – falei. Zayn
virou-se para mim.
- A sério? – Inquiriu.
Acenei afirmativamente. Nisto, Sam chegou-se ao pé de mim para subir
ao meu colo. Peguei nele.
- Acho que tem a ver com o meu pai. Ele nunca fora afetivo com Sam,
só comigo. Sam era como… - tapei os ouvidos do meu irmão – o filho que ele
sempre rejeitara. – Afastei as mãos dos ouvidos de Sam. – Para o meu pai, ou
era apenas um, ou mais-valia nem ter.
Peguei numa bolacha que estava em cima duma bandeja de vidro e
ofereci-a a Zayn. Mas não lhe dei à mão, pus-lha diretamente à frente da boca.
- Prova – ordenei.
Ele olhou para mim com olhos de desconfiado, mas eu incitei-o a
provar. Depois de uma trinca, pegou na bolacha e comeu-a toda, indo buscar mais
uma.
- É bom, não é? A minha mãe é uma ótima pasteleira – justifiquei.
Ele acabou de mastigar a segunda bolacha e engoliu.
- Então, mas – começou por falar – onde está o teu pai agora?
- Morreu. Vai fazer um ano no Natal.
Depois da minha resposta, Sam ficou a olhar fixamente para a bancada
e Zayn para mim. Eu olhei para este, não lhe dando espaço para o fazer desviar
o olhar. Porém, Sam virou-se para mim e abraçou-me com força.
Zayn estava prestes a falar, mas eu não deixei.
- Não digas nada – pedi-lhe – este assunto já está encerrado. Queres
ir ver o quintal?
Ele acenou afirmativamente com lentidão.
- Booboo – chamei o meu irmão – vai ver se a mãe quer uma bolacha das
dela. Vai lá.
Ele largou-me, e tanto eu como Zayn reparámos que ele estivera a
chorar silenciosamente. Sam pegou em três bolachas e foi até à sala.
No quintal, abri a porta da cerca que dava para um prado verde.
- Estou a ver isto pela primeira vez, tanto como tu estás –
falei-lhe.
Ele não respondeu. Continuámos a andar até ficarmos a uns bons
cinquenta metros longe da minha casa.
- Porque é que Sam chora por quem não lhe dava carinho? – Perguntou.
Eu suspirei, porque eu própria não sabia responder a essa pergunta.
- Acho que isso é uma coisa que nunca saberemos.

aseriiio, escrever muiito bem, tou ansiosa plo 1º beijinho,ahahhaha ;)
ResponderEliminarate ao proximo <3
hihihi, até ao primeiro beijinho ainda vai rolar muita coisa :b continua a ler e divulga pfv c: beijinhos * <3
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