terça-feira, 30 de outubro de 2012

New Begginning - Capítulo 36



- Achas? – Tentei disfarçar. – Mal o conheço.
Ele arrancou os auriculares.
- Au! – Pronunciei. – Isso doeu.
- Tu estavas a sorrir mal eu disse que era ele que estava a cantar.
- E então? Não quer dizer nada.
Ele abanou a cabeça, com um pequeno sorriso, como se acabasse de descobrir algo importante. Atrapalhou-se a falar.
- Eu reparei que coraste, Bella! Estavas a sorrir e a corar. E tentaste esconder o sorriso com a mão, mas eu vi! Eu vi!
- Chiu!
Tapei-lhe a boca, alarmada, não querendo que a minha mãe acordasse. Depois olhei para a lareira, retornando a olhar para ele.
- Ouve-me com atenção. – Pedi-lhe. – Nem penses em contar a alguém o que dizes. – Quando notei no seu sorriso perverso a aparecer, apressei-me a não fazê-lo pensar em coisas. – Não estou a admitir nada, Harry!
Afastei-me.
- Preciso de um cigarro – desabafei. – Já volto.
- A Bella gosta do Zayn – cantarolou ele em voz baixa, entre risos.
Revirei os olhos e rangi os dentes.
Cheguei ao meu quarto e procurei dentro da bolsa o maço de tabaco. O meu irmão remexeu-se, e por momentos pensei que ia acordar. Mas continuou ferrado como acontecia sempre.
- A tua mãe deixa-te fumar dentro de casa? – Perguntou Harry, à porta do meu quarto. Assustei-me com a voz dele, desequilibrando-me e caindo de cu no chão.
Harry riu-se baixinho e entrou na divisão.
- Gosto particularmente do teu sistema de arrumação – comentou.
Semicerrei os olhos.
- Acabei de me mudar, acho que é compreensível ter o quarto neste estado – sussurrei.
Levantei-me, massajando o traseiro.
- Acendo o cigarro aqui, ou vamos lá para baixo? – Perguntei.
Ele não respondeu, saindo do quarto, em silêncio. Segui-lhe o passo.
A noite passou, e durante duas horas não fizemos mais nada senão falar e comer biscoitos de chocolate caseiros. Harry falava-me das diversas aventuras que a banda tinha em imensos países por onde eles passavam.
- Vocês foram a tantos sítios – desabafei. – Deve ser extraordinário conhecer o mundo.
- Nós temos muita sorte por termos recebido esta oportunidade.
Dei uma pequena trinca no quinto biscoito à minha mercê.
- Quero ouvir mais músicas vossas. – Pedi.
Harry sorriu e retirou novamente o iPhone do bolso.
Levantei-me para ir buscar o sumo de laranja ao frigorífico, e passei pelo fogão. Olhei para o meu reflexo neste e soltei um silvo.
- Que se passa? – Perguntou Harry, virando-se para mim.
A minha expressão era de horrores. Fixei as olheiras que se cravaram debaixo dos meus olhos, pensando na quão assustadora eu parecia.
- Oh meu Deus, Harry, como é que não te assustaste comigo? – Murmurei, passando os dedos pelo rosto.
Eu tinha um ar doente; a cor do rosto passara de cor de azeitona para um tom mais pálido. Os lábios volumosos estavam gretados, como se o frio os tivesse quebrado. E os olhos estavam baços, secos.
Fechei os olhos, lamentando Harry ter-me visto assim.
- Sabes – comecei por dizer – a maquilhagem faz milagres.
Ele sorriu carinhosamente, não fazendo nenhuma alusão ao meu comentário. Tirei o sumo de dentro do frigorífico, buscando depois dois copos para os encher. Passei um a Harry e este logo deu um gole.
- Vá, vamos para a sala, para o quentinho, e até dá mais gosto ouvir a música.
Sorri-lhe, transportando o prato dos biscoitos e o meu copo para ao pé da lareira. Sentámo-nos de novo na alcatifa e ele passou-me um auricular.
- Chama-se Little Things. O segundo single do segundo álbum. Foi o Ed que escreveu e deu-nos a música.
- A sério? – Um sorriso de orelha a orelha apareceu-me no rosto. Os olhos dele brilharam.
Ele acenou com a cabeça, afirmando as palavras que dissera.
Your hand fits in mine, Like it’s made just for me, But bear this in mind, It was meant to be, And I’m joining up the dots, With the freckles on your cheeks, And it all makes sense to me.
-        Vai-me identificando as vozes, ainda não consigo reconhecê-las. – Pedi-lhe.
Harry fez um sorriso enviesado.
- A primeira parte pertence ao Zayn.
- Oh – intersectei.
I know you’ve never loved, The crinkles by your eyes, When you smile, You’ve never love, Your stomach or your thighs, The dimples in your back, At the bottom of your spine, But I’ll love them endlessly.
-    O Liam – sussurrou Harry.
A situação estava a ficar demasiado emocional para o meu gosto. Eu reconhecia a letra toda, cada palavra, cada verso, cada estrofe. Eles contavam uma prova de amor a alguém, especificamente uma rapariga, insegura quanto a si mesma. A partir da música, Ed Sheeran e os rapazes tinham conseguido fazer sorrir certamente imensas raparigas no mundo inteiro. Afinal, qual é a menina que se sente completamente segura de si mesma e do seu corpo? Certamente nenhuma, na minha opinião.
I won’t let these little things, Slip out of my mouth, But if I do, It’s you, Oh It’s you, They add up to, I’m in love with you, And all these little things.
Harry tossiu.
- O Zayn de novo.
Não consegui deixar de sorrir. A voz de Zayn era, sem exagero algum, a mais ternurenta que eu já ouvira.
You can’t go to bed, Without a cup of tea, And maybe that’s the reason, That you talk in your sleep, And all those conversation, Are the secrets that I keep, Though it makes no sense to me.
- Louis – murmurou Harry.
- A música está linda – admiti, trincando o lábio. – Diz-me Harry…

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