- Achas? – Tentei disfarçar. – Mal o conheço.
Ele arrancou os auriculares.
- Au! – Pronunciei. – Isso doeu.
- Tu estavas a sorrir mal eu disse que era ele que estava a cantar.
- E então? Não quer dizer nada.
Ele abanou a cabeça, com um pequeno sorriso, como se acabasse de
descobrir algo importante. Atrapalhou-se a falar.
- Eu reparei que coraste, Bella! Estavas a sorrir e a corar. E
tentaste esconder o sorriso com a mão, mas eu vi! Eu vi!
- Chiu!
Tapei-lhe a boca, alarmada, não querendo que a minha mãe acordasse.
Depois olhei para a lareira, retornando a olhar para ele.
- Ouve-me com atenção. – Pedi-lhe. – Nem penses em contar a alguém o
que dizes. – Quando notei no seu sorriso perverso a aparecer, apressei-me a não
fazê-lo pensar em coisas. – Não estou a admitir nada, Harry!
Afastei-me.
- Preciso de um cigarro – desabafei. – Já volto.
- A Bella gosta do Zayn – cantarolou ele em voz baixa, entre risos.
Revirei os olhos e rangi os dentes.
Cheguei ao meu quarto e procurei dentro da bolsa o maço de tabaco. O
meu irmão remexeu-se, e por momentos pensei que ia acordar. Mas continuou
ferrado como acontecia sempre.
- A tua mãe deixa-te fumar dentro de casa? – Perguntou Harry, à porta
do meu quarto. Assustei-me com a voz dele, desequilibrando-me e caindo de cu no chão.
Harry riu-se baixinho e entrou na divisão.
- Gosto particularmente do teu sistema de arrumação – comentou.
Semicerrei os olhos.
- Acabei de me mudar, acho que é compreensível ter o quarto neste
estado – sussurrei.
Levantei-me, massajando o traseiro.
- Acendo o cigarro aqui, ou vamos lá para baixo? – Perguntei.
Ele não respondeu, saindo do quarto, em silêncio. Segui-lhe o passo.
A noite passou, e durante duas horas não fizemos mais nada senão
falar e comer biscoitos de chocolate caseiros. Harry falava-me das diversas
aventuras que a banda tinha em imensos países por onde eles passavam.
- Vocês foram a tantos sítios – desabafei. – Deve ser extraordinário
conhecer o mundo.
- Nós temos muita sorte por termos recebido esta oportunidade.
Dei uma pequena trinca no quinto biscoito à minha mercê.
- Quero ouvir mais músicas vossas. – Pedi.
Harry sorriu e retirou novamente o iPhone do bolso.
Levantei-me para ir buscar o sumo de laranja ao frigorífico, e passei
pelo fogão. Olhei para o meu reflexo neste e soltei um silvo.
- Que se passa? – Perguntou Harry, virando-se para mim.
A minha expressão era de horrores. Fixei as olheiras que se cravaram
debaixo dos meus olhos, pensando na quão assustadora eu parecia.
- Oh meu Deus, Harry, como é que não te assustaste comigo? –
Murmurei, passando os dedos pelo rosto.
Eu tinha um ar doente; a cor do rosto passara de cor de azeitona para
um tom mais pálido. Os lábios volumosos estavam gretados, como se o frio os
tivesse quebrado. E os olhos estavam baços, secos.
- Sabes – comecei por dizer – a maquilhagem faz milagres.
Ele sorriu carinhosamente, não fazendo nenhuma alusão ao meu comentário.
Tirei o sumo de dentro do frigorífico, buscando depois dois copos para os
encher. Passei um a Harry e este logo deu um gole.
- Vá, vamos para a sala, para o quentinho, e até dá mais gosto ouvir
a música.
Sorri-lhe, transportando o prato dos biscoitos e o meu copo para ao
pé da lareira. Sentámo-nos de novo na alcatifa e ele passou-me um auricular.
- Chama-se Little Things. O segundo single do segundo álbum. Foi o Ed que escreveu e deu-nos a música.
- A sério? – Um sorriso de orelha a orelha apareceu-me no rosto. Os olhos
dele brilharam.
Ele acenou com a cabeça, afirmando as palavras que dissera.
Your hand fits in mine, Like it’s made just for me,
But bear this in mind, It was meant to be, And I’m joining up the dots, With
the freckles on your cheeks, And it all makes sense to me.
-
Vai-me identificando as vozes, ainda não consigo reconhecê-las. –
Pedi-lhe.
Harry fez um sorriso
enviesado.
- A primeira parte
pertence ao Zayn.
- Oh – intersectei.
I know you’ve never loved, The crinkles by your eyes,
When you smile, You’ve never love, Your stomach or your thighs, The dimples in
your back, At the bottom of your spine, But I’ll love them endlessly.
- O Liam – sussurrou Harry.
A situação estava a ficar demasiado emocional para o meu gosto. Eu
reconhecia a letra toda, cada palavra, cada verso, cada estrofe. Eles contavam
uma prova de amor a alguém, especificamente uma rapariga, insegura quanto a si
mesma. A partir da música, Ed Sheeran e os rapazes tinham conseguido fazer
sorrir certamente imensas raparigas no mundo inteiro. Afinal, qual é a menina
que se sente completamente segura de si mesma e do seu corpo? Certamente nenhuma, na minha opinião.
I won’t let these little things, Slip out of my mouth,
But if I do, It’s you, Oh It’s you, They add up to, I’m in love with you, And
all these little things.
Harry tossiu.
- O Zayn de novo.
Não consegui deixar de sorrir. A voz de Zayn era, sem exagero algum,
a mais ternurenta que eu já ouvira.
You can’t go to bed, Without a cup of tea, And maybe
that’s the reason, That you talk in your sleep, And all those conversation, Are
the secrets that I keep, Though it makes no sense to me.
- Louis – murmurou Harry.
- A música está linda – admiti, trincando o lábio. – Diz-me Harry…

Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderEliminarDesculpa, tinha aqui uma bacorada :) tens muito jeito para a escrita, por favor, continua :) Bjinhos
Eliminarvou continuar a escrever sim :) keep reading xx
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