- Bella está
quieta, por favor – pediu Marie.
A minha perna
tremia sem parar, tal eram os nervos que me arrasavam.
- Já te mandei
parar – resmungou ela de novo.
Pousei, por
completo, o pé no chão, obrigando a perna a estar quieta. Deste modo, Marie
conseguiu terminar os riscos de eyeliner que percorriam as linhas das minhas
pálpebras superiores, junto às pestanas.
- Podes abrir
os olhos – mandou.
A casa de Marie
não combinava nada com as roupas dela. Isto é, Marie parecia constantemente uma
modelo que não trocava as suas saias com cauda pelo fato de treino por nada
deste mundo; mas a verdade é que Marie tinha tanto ou mais de humildade que uma
pessoa sem qualquer regalias. Não que ela tivesse muitas. Pelo contrário, eu
conseguia perceber que toda a roupa de marca que Marie tinha, vinda do seu
bolso e não do dinheiro dos pais.
O seu quarto
era pequenino – pouco mais que o meu – e simples, mas com cores bastante
alegres. A cama ficava encostada à parede esquerda, vendo do ponto de vista da
porta. À frente da cama ficava o seu armário que já dava sinais da madeira a
lascar. E do lado direito, estava uma mobília bastante engraçada à qual eu
identificava como sendo um mini camarim. Toda a sua maquilhagem e material de
beleza encontrava-se espalhado pela mesinha.
Fiz o que me
mandou e abri os olhos. Endireitei-me, sentada na cadeira, enquanto estudava o
trabalho de Marie.
- É impressão
minha ou eu não pareço eu? –
Perguntei, abrindo e semicerrando os olhos numa sequência constante.
Ela deu uma
risadinha.
- Uma rapariga
é linda ao natural, mas a sua beleza só fica devastadora quando usamos um pouco
de maquilhagem. – Afirmou.
- Um pouco?!
A verdade é que
Marie enchera o meu rosto de base, blush e, tal como ela diz, uma ligeira cor rosada nas maçãs do rosto.
Porém, a sua mestria não ficara por aí. A segunda ronda deu-se quando ela
preparou o batom dourado, e passou-o ao de leve por cima das minhas olheiras;
admito que tremi os joelhos com medo que o corretor me denunciasse. A seguir aplicou
a sua perícia nos meus olhos, fazendo as linhas do eyeliner sem uma única
falha.
Olhei
atentamente para o meu rosto, redescobrindo as têmporas bem sublimes. E por
causa do eyeliner, os meus olhos destacavam-se em exuberância.
Virei-me para
Marie e expus um sorriso sincero, agradecendo-lhe.
- Obrigada.
- Não
agradeças, Bella – respondeu, dando-me um abraço. – Agora que já não precisamos
mais da maquilhagem, vamos para a sala. A minha tia ainda não chegou, mas vou
já ligar-lhe.
Arqueei a
sobrancelha, ajeitando o robe que me emprestara – era do pai dela – e
seguindo-a até à outra divisão.
- A tua tia? –
Perguntei.
- Sim – afirmou
ela, sorrindo. – É ela que nos vai arranjar o cabelo.
Dei uma
gargalhada, por ter pensado que ela contactara alguém profissional para o que
precisávamos.
Não tivemos que
esperar muito. Um quarto de hora depois, alguém batia fervorosamente à porta.
Marie levantou-se do sofá com um pulo e correu à porta para abrir.
- Tia Elizabeth!
– Cumprimentou ela, dando um abraço à pessoa que eu ainda não vira.
- Boa tarde,
minha querida. Olha-me para esse cabelo… tens utilizado o creme que te dei? –
Perguntou a senhora, e logo entrou dentro da casa.
A tia de Marie
era pequena e parecia uma bola de Berlim. Era bastante amorosa, de facto.
Levantei-me do sofá para a cumprimentar, assim que entrou na sala. Sorriu para
mim, dando uma gargalhada.
- Elizabeth
Joyce – apresentou-se. – Deves ser a Bella.
Acenei que sim,
esboçando um sorriso fechado.
- Quem é a
primeira? – Perguntou, e deduzi que se referia a quem seria a primeira a
arranjar o cabelo.
Apontei para
Marie.
- Assim seja –
assentiu. – Anda daí, loira. Também podes vir, Bella.
Marie meteu-se
atrás da tia, rumo à casa de banho e eu segui-lhes o passo.

Olá :D Adorei a história e tive que ler os capítulos todos de seguida porque está simplesmente espectacular. Se quiseres dar uma olhada na minha fic deixo-te aqui o link http://youremypreciousocean.blogspot.pt/
ResponderEliminarEstou ansiosa pelo proximo capítulo :) Beijos