- Mas não
podemos, Bella.
- Não podemos o
quê?
Aquilo não me
agradava. O tom de voz dele, a própria frase não me agradava.
- Não podemos
começar isto.
Desprendi as
pernas, saltando para o chão.
- Estás a gozar
comigo, certo, Zayn?
Ele olhou para
mim, não soube dizer se com dor ou com pena.
- Não vou
acabar com a Perrie. Não posso.
Subitamente
senti perder o chão. Zayn não podia estar a fazer-me aquilo. Não depois de
dizer “Não imaginas há quanto tempo estou para fazer isto”.
- Sabes uma
coisa? – Disse-lhe.
Olhei para ele,
levantei a mão e com toda a força que tinha, preguei-lhe um estalo no rosto. A
cara dele deu uma volta de noventa graus e eu desejei dar-lhe mais, mas não me
ia dar ao trabalho.
- Metes-me
nojo. E para que conste, é provável que a Perrie não te mereça. Tens aqui o que
é teu – larguei o isqueiro na mesa e saí da cozinha pela porta por onde tinha
entrado.
Olhei para os
rapazes; todos também olhavam para mim, curiosos.
- Harry, podes
levar-me a casa, por favor? Não estou aqui a fazer nada. – Depois olhei para
Liam e esbocei um pequeno sorriso. – Obrigada pela hospitalidade. – Virei-me
para Louis, olhando-o seriamente. – Não te preocupes. Só espero que esteja tudo
bem entre nós. – Encarei, por último, Niall. – Espero poder vê-los mais vezes.
Com Harry no
meu encalce, saímos.
Durante a
pequena viagem de carro, ninguém falou. Tive medo de perder as estribeiras e
chorar. Evitei a todo o custo olhar para lá do meu lado esquerdo, concentrando
a visão no lado de fora do carro. A música, saída do rádio, era deles. Não me
recordava do nome.
- Estás bem? –
Perguntou Harry, desligando o rádio.
Não o devia ter
feito, mas virei-me para ele. Olhou para mim, transmitindo uma sensação de
confiança. Não aguentei.
Os meus olhos
lacrimejavam sem parar, e eu simplesmente tapei a cara, com vergonha. Porque eu
sentia vergonha do que fizera. Não era suposto ter acontecido.
- Porque mesmo
que em todos os eventuais planos de futuro daquela hora, mesmo que estivesse
predestinado a acontecer, por que razão foi ele dizer uma coisa daquelas? –
Perguntei a Harry, depois de a soluçar, explicar o que acontecera.
No entanto,
Harry não me sabia responder àquilo.
- Não te vou
levar a casa nesse estado. – Anunciou. – É provável que descarregues em cima da
tua mãe e do Sam.
- O nome dela é
Laura – resmunguei.
Ele não ligou,
virando de repente antes de chegar à rua que levava ao meu bairro. Retornou
para Londres.
- E vamos para
onde? Estou num estado lastimável, não me podem ver assim.
Ele bufou.
- Mesmo a
chorar, és bonita, Bella.
Sorri, perante
o elogio.
- Pois, mas nem
toda a gente acha o mesmo.
O silêncio
pairou. Observei as ruas de Londres sobre o manto negro e o luar. Estava tudo
animado porque era noite de Sábado, noite para sair de casa e só voltar de
madrugada. Ainda era cedo para tal coisa, mas as pessoas já começavam a festa
aos pouco e poucos. Malta da minha idade enchiam os cafés enquanto os mais
velhos usufruíam dos restaurantes para um serão bem passado.
Limpei os
vestígios de lágrimas que havia no meu rosto.
- Quero ir para
casa, Harry.
Ele olhou para
mim.
- Já estás
melhor?
Acenei com um
sorriso.
- Mesmo assim
quero tentar fazer-te abstrair do que aconteceu.
- Boa sorte com
isso, rapaz.
Ele não disse
nada, limitando-se a conduzir até ao nosso destino desconhecido. Chegou a um
beco escuro e vazio de pessoas ou carros.
- Agora vais
violar-me? É essa a abstração que queres fazer? – Perguntei.
Harry arregalou
os olhos, chocado.
- Deus senhor,
achas mesmo, Bella?
Encolhi os
ombros, apontando para a nossa frente.
- Eu vou-te
levar para um sítio onde nunca levei ninguém comigo.
- Ew, Harry,
não me digas que estás tu também apanhadinho por mim.
Ele revirou os
olhos, saindo do carro. Fiz o mesmo.
- Isso – disse
ele, vindo ter comigo – era o que tu querias!
Avançou até uma
porta traseira do edifício à nossa frente e abriu-a. Fez-me sinal para entrar.
Com relutância, assim o fiz. Fechou a porta atrás de nós e eu não consegui ver
nada com a escuridão que se instalara.
- Espero que
conheças o caminho de cor até esse lugar, Harry, porque não consigo ver nada.
Ele pegou-me na
mão, assustando-me. Depois puxou-me para a frente, fazendo-me virar à direita,
para subir umas escadas onde eu tropecei a cada degrau, até chegar em frente ao
que me pareceu uma porta, de onde saía uma luz branca no freixo. Harry abriu-a.
Pisquei os olhos algumas vezes, tentando habituar-me à claridade que saía de
dentro.
- Harry, meu
querido! Há tanto tempo que não nos vinhas visitar, Harry! – Clamou alguém que
o agarrou. Era uma senhora pequena e gorducha.
Depois olhou
para mim, surpreendendo-se.
- Oh, Harry,
nunca trouxeste aqui ninguém… nem é qualquer pessoa que pode entrar! – Afirmou
ela. Dei um passo atrás, relutante.
Harry olhou
para mim, notando no passo que eu dera e pegando na minha mão para me puxar.
- Por isso
mesmo é que a trouxe. A Bella não é uma pessoa qualquer, Leticia. – Então o
nome da senhora era Leticia. – Dá-lhe uma oportunidade.
Ela assentiu.
Era uma senhora de meia-idade, mulata e com os olhos da cor da sua pele. Tinha
o rosto redondo e os lábios bem mais volumosos que os meus.
- Oh, minha
querida… - sussurrou ela, aproximando-se de mim. – Que aconteceu para teres os
olhos nesse estado?
O meu lábio
inferior tremeu, e por momentos pensei que ia voltar a chorar. Mas sentir a mão
de Harry apertar a minha deu-me força para aguentar.
- Nada que não
se resolva, senhora Leticia – ofereci um sorriso.
- Anda –
murmurou-me Harry.
A medo, entrei.

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