sexta-feira, 9 de novembro de 2012

New Begginning - Capítulo 47

 

- Mas não podemos, Bella.
- Não podemos o quê?
Aquilo não me agradava. O tom de voz dele, a própria frase não me agradava.
- Não podemos começar isto.
Desprendi as pernas, saltando para o chão.
- Estás a gozar comigo, certo, Zayn?
Ele olhou para mim, não soube dizer se com dor ou com pena.
- Não vou acabar com a Perrie. Não posso.
Subitamente senti perder o chão. Zayn não podia estar a fazer-me aquilo. Não depois de dizer “Não imaginas há quanto tempo estou para fazer isto”.
- Sabes uma coisa? – Disse-lhe.
Olhei para ele, levantei a mão e com toda a força que tinha, preguei-lhe um estalo no rosto. A cara dele deu uma volta de noventa graus e eu desejei dar-lhe mais, mas não me ia dar ao trabalho.
- Metes-me nojo. E para que conste, é provável que a Perrie não te mereça. Tens aqui o que é teu – larguei o isqueiro na mesa e saí da cozinha pela porta por onde tinha entrado.
Olhei para os rapazes; todos também olhavam para mim, curiosos.
- Harry, podes levar-me a casa, por favor? Não estou aqui a fazer nada. – Depois olhei para Liam e esbocei um pequeno sorriso. – Obrigada pela hospitalidade. – Virei-me para Louis, olhando-o seriamente. – Não te preocupes. Só espero que esteja tudo bem entre nós. – Encarei, por último, Niall. – Espero poder vê-los mais vezes.
Com Harry no meu encalce, saímos.
Durante a pequena viagem de carro, ninguém falou. Tive medo de perder as estribeiras e chorar. Evitei a todo o custo olhar para lá do meu lado esquerdo, concentrando a visão no lado de fora do carro. A música, saída do rádio, era deles. Não me recordava do nome.
- Estás bem? – Perguntou Harry, desligando o rádio.
Não o devia ter feito, mas virei-me para ele. Olhou para mim, transmitindo uma sensação de confiança. Não aguentei.
Os meus olhos lacrimejavam sem parar, e eu simplesmente tapei a cara, com vergonha. Porque eu sentia vergonha do que fizera. Não era suposto ter acontecido.
- Porque mesmo que em todos os eventuais planos de futuro daquela hora, mesmo que estivesse predestinado a acontecer, por que razão foi ele dizer uma coisa daquelas? – Perguntei a Harry, depois de a soluçar, explicar o que acontecera.
No entanto, Harry não me sabia responder àquilo.
- Não te vou levar a casa nesse estado. – Anunciou. – É provável que descarregues em cima da tua mãe e do Sam.
- O nome dela é Laura – resmunguei.
Ele não ligou, virando de repente antes de chegar à rua que levava ao meu bairro. Retornou para Londres.
- E vamos para onde? Estou num estado lastimável, não me podem ver assim.
Ele bufou.
- Mesmo a chorar, és bonita, Bella.
Sorri, perante o elogio.
- Pois, mas nem toda a gente acha o mesmo.
O silêncio pairou. Observei as ruas de Londres sobre o manto negro e o luar. Estava tudo animado porque era noite de Sábado, noite para sair de casa e só voltar de madrugada. Ainda era cedo para tal coisa, mas as pessoas já começavam a festa aos pouco e poucos. Malta da minha idade enchiam os cafés enquanto os mais velhos usufruíam dos restaurantes para um serão bem passado.
Limpei os vestígios de lágrimas que havia no meu rosto.
- Quero ir para casa, Harry.
Ele olhou para mim.
- Já estás melhor?
Acenei com um sorriso.
- Mesmo assim quero tentar fazer-te abstrair do que aconteceu.
- Boa sorte com isso, rapaz.
Ele não disse nada, limitando-se a conduzir até ao nosso destino desconhecido. Chegou a um beco escuro e vazio de pessoas ou carros.
- Agora vais violar-me? É essa a abstração que queres fazer? – Perguntei.
Harry arregalou os olhos, chocado.
- Deus senhor, achas mesmo, Bella?
Encolhi os ombros, apontando para a nossa frente.
- Eu vou-te levar para um sítio onde nunca levei ninguém comigo.
- Ew, Harry, não me digas que estás tu também apanhadinho por mim.
Ele revirou os olhos, saindo do carro. Fiz o mesmo.
- Isso – disse ele, vindo ter comigo – era o que tu querias!
Avançou até uma porta traseira do edifício à nossa frente e abriu-a. Fez-me sinal para entrar. Com relutância, assim o fiz. Fechou a porta atrás de nós e eu não consegui ver nada com a escuridão que se instalara.
- Espero que conheças o caminho de cor até esse lugar, Harry, porque não consigo ver nada.
Ele pegou-me na mão, assustando-me. Depois puxou-me para a frente, fazendo-me virar à direita, para subir umas escadas onde eu tropecei a cada degrau, até chegar em frente ao que me pareceu uma porta, de onde saía uma luz branca no freixo. Harry abriu-a. Pisquei os olhos algumas vezes, tentando habituar-me à claridade que saía de dentro.
- Harry, meu querido! Há tanto tempo que não nos vinhas visitar, Harry! – Clamou alguém que o agarrou. Era uma senhora pequena e gorducha.
Depois olhou para mim, surpreendendo-se.
- Oh, Harry, nunca trouxeste aqui ninguém… nem é qualquer pessoa que pode entrar! – Afirmou ela. Dei um passo atrás, relutante.
Harry olhou para mim, notando no passo que eu dera e pegando na minha mão para me puxar.
- Por isso mesmo é que a trouxe. A Bella não é uma pessoa qualquer, Leticia. – Então o nome da senhora era Leticia. – Dá-lhe uma oportunidade.
Ela assentiu. Era uma senhora de meia-idade, mulata e com os olhos da cor da sua pele. Tinha o rosto redondo e os lábios bem mais volumosos que os meus.
- Oh, minha querida… - sussurrou ela, aproximando-se de mim. – Que aconteceu para teres os olhos nesse estado?
O meu lábio inferior tremeu, e por momentos pensei que ia voltar a chorar. Mas sentir a mão de Harry apertar a minha deu-me força para aguentar.
- Nada que não se resolva, senhora Leticia – ofereci um sorriso.
- Anda – murmurou-me Harry.
A medo, entrei.

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