- O que estamos
aqui a fazer? – Perguntei, quando depois de sairmos da loja da Cindy, ele
conduziu até a uma loja de máscaras, com a montra preenchida de máscaras de
lobisomens e chapéus de bruxa. – Não estás a pensar levar uns dentes de vampiro
para a festa, pois não?
Zayn olhou para
mim, ressentido.
- Esta loja não
tem apenas o que mostra na montra. Acredita que eles vendem muitos trajes de
diferentes épocas. Incluindo a Antiguidade.
Surpreendi-me,
vendo que Zayn tinha razão. Dentro da loja, era um cosmos de diversas eras da
História. Eles vendiam inclusive máscaras dos Homens das Cavernas. A primeira
coisa que eu precisava que me veio à cabeça, foi uma coroa física de folhas de
hera; em todos os filmes que retratavam a Antiguidade, tanto os deuses como os
mortais de família real, tinham uma. Impedindo-me de pensar que era impossível
eles terem essas grinaldas, Zayn apareceu à minha frente, agarrando uma em cada
mão, sorrindo de orelha a orelha.
- Iremos
parecer verdadeiros deuses com isto – disse ele.
- Qual é que é
a minha? – Perguntei.
Ele apontou
para a coroa revestida de folhas verde tropa. Nada a ver com Afrodite.
- É que nem
penses, Zayn – reclamei.
Ele levou-me
até à zona da loja onde tinha visto as grinaldas, encantando-me com os distintos
objetos que relembravam a época antes de Cristo. Consegui contar várias tiaras
de diferentes cores e tamanhos e distintos broches de diversas grandezas, entre
outras coisas. Reparei numa coroa física com as folhas de hera revestidas de
tinta dourada. Era a única, mas também era a mais cara. Sentindo uma pontada de
tristeza, larguei-a, voltando toda a minha atenção para os broches.
- Não sei que
escolher – confessei.
Zayn procurava
comigo dois pares de broches iguais, mas sempre que encontrávamos um bonito – e
eu pensava que era merecedor de Afrodite – nunca conseguíamos encontrar o outro
par.
- Desisto. Não
há nenhum que seja o indicado – suspirei. – A minha mãe haverá de encontrar uma
solução.
Esperei, ao pé
do carro por Zayn, enquanto este pagava a grinalda que escolhera. Após
entrarmos dentro do Lamborghini, Zayn tirou do saco a coroa que me tinha
encantado.
- Vi-te
mirá-la. Quando vi o preço, percebi porque não me disseste que a querias. –
Explicou-me ele.
O sorriso que
se formou no meu rosto não desaparecia, mesmo que eu quisesse. O que ele tinha
feito era de extrema bondade.
- Não sei que
dizer, Zayn – Confessei.
- Promete-me
que a usas.
Olhei para ele.
- Porquê? –
Murmurei.
Zayn
aproximou-se, pegou na grinalda e colocou-a em cima da minha cabeça,
desajeitadamente.
- Irei
reconhecer-te a partir dela. De alguma maneira eu tenho de saber quem serás.
Baixei o olhar,
corando.
No segundo a
seguir, um paparazzi apareceu,
começando a tirar fotos sem parar.
- Eu devia ter
previsto – murmurou Zayn, furioso.
Depressa meteu
o carro em funcionamento, fazendo marcha atrás tão rápido que eu temi que
perdesse o controlo do volante. O fotógrafo perdeu-nos o rasto, e Zayn levou-me
a casa. Guardei a grinalda, enternecida com o gesto dele.
- Não te
esqueças – disse-me, à porta de minha casa. – Usa a coroa.
Os seus olhos
brilhavam, e ele acariciou-me o rosto. Depois passou o dedo pelos meus lábios,
lambendo os dele.
- Só assim irei
reconhecer-te – sussurrou e logo deu-me um beijo.
Para variar,
senti os joelhos tremerem e a minha cabeça andar à roda. Perdi a noção do tempo
e do espaço, mas Zayn afastou-se. Agarrou na minha cintura, impedindo que eu
caísse com o desequilíbrio. Sorriu, satisfeito.
- Ainda bem que
provoco esse efeito em ti. Mas não posso ficar.
Depois meteu-se
no carro e retirou-se.
Tive que me
encostar à parede, ainda me sentindo zonza. Alguns segundos depois entrei em casa,
para receber um entusiástico Sam. Cumprimentei Laura, mostrando-lhe a grinalda
e o tecido que escolhera para a vestimenta.
- Ainda não me
disseste quem serás – observou ela, estudando o tecido e dirigindo-se à mesa de
costura.
A minha mãe
para além de pasteleira, também tinha dotes divinos de costureira. No entanto,
nunca precisei dos afazeres dela, até porque a maior parte das roupas de que eu
gostava nada tinham a ver com o que ela fazia.
- Serei
Afrodite.
Laura olhou
para mim, admirada. Preocupei-me quando ela não respondeu durante uma
eternidade.
- Tens a
certeza? – Perguntou.
O que me
irritou não foi a sua surpresa após eu ter dito quem iria interpretar; foi
mesmo a sua dúvida perante se eu era suficientemente bonita para ser a deusa do
Amor.
- Mais vale
dizeres de uma vez que não sou apta para tal – respondi.

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