quinta-feira, 29 de novembro de 2012

New Begginning - Capítulo 73

- O que estamos aqui a fazer? – Perguntei, quando depois de sairmos da loja da Cindy, ele conduziu até a uma loja de máscaras, com a montra preenchida de máscaras de lobisomens e chapéus de bruxa. – Não estás a pensar levar uns dentes de vampiro para a festa, pois não?
Zayn olhou para mim, ressentido.
- Esta loja não tem apenas o que mostra na montra. Acredita que eles vendem muitos trajes de diferentes épocas. Incluindo a Antiguidade.
Surpreendi-me, vendo que Zayn tinha razão. Dentro da loja, era um cosmos de diversas eras da História. Eles vendiam inclusive máscaras dos Homens das Cavernas. A primeira coisa que eu precisava que me veio à cabeça, foi uma coroa física de folhas de hera; em todos os filmes que retratavam a Antiguidade, tanto os deuses como os mortais de família real, tinham uma. Impedindo-me de pensar que era impossível eles terem essas grinaldas, Zayn apareceu à minha frente, agarrando uma em cada mão, sorrindo de orelha a orelha.
- Iremos parecer verdadeiros deuses com isto – disse ele.
- Qual é que é a minha? – Perguntei.
Ele apontou para a coroa revestida de folhas verde tropa. Nada a ver com Afrodite.
- É que nem penses, Zayn – reclamei.
Ele levou-me até à zona da loja onde tinha visto as grinaldas, encantando-me com os distintos objetos que relembravam a época antes de Cristo. Consegui contar várias tiaras de diferentes cores e tamanhos e distintos broches de diversas grandezas, entre outras coisas. Reparei numa coroa física com as folhas de hera revestidas de tinta dourada. Era a única, mas também era a mais cara. Sentindo uma pontada de tristeza, larguei-a, voltando toda a minha atenção para os broches.
- Não sei que escolher – confessei.
Zayn procurava comigo dois pares de broches iguais, mas sempre que encontrávamos um bonito – e eu pensava que era merecedor de Afrodite – nunca conseguíamos encontrar o outro par.
- Desisto. Não há nenhum que seja o indicado – suspirei. – A minha mãe haverá de encontrar uma solução.
Esperei, ao pé do carro por Zayn, enquanto este pagava a grinalda que escolhera. Após entrarmos dentro do Lamborghini, Zayn tirou do saco a coroa que me tinha encantado.
- Vi-te mirá-la. Quando vi o preço, percebi porque não me disseste que a querias. – Explicou-me ele.
O sorriso que se formou no meu rosto não desaparecia, mesmo que eu quisesse. O que ele tinha feito era de extrema bondade.
- Não sei que dizer, Zayn – Confessei.
- Promete-me que a usas.
Olhei para ele.
- Porquê? – Murmurei.
Zayn aproximou-se, pegou na grinalda e colocou-a em cima da minha cabeça, desajeitadamente.
- Irei reconhecer-te a partir dela. De alguma maneira eu tenho de saber quem serás.
Baixei o olhar, corando.
No segundo a seguir, um paparazzi apareceu, começando a tirar fotos sem parar.
- Eu devia ter previsto – murmurou Zayn, furioso.
Depressa meteu o carro em funcionamento, fazendo marcha atrás tão rápido que eu temi que perdesse o controlo do volante. O fotógrafo perdeu-nos o rasto, e Zayn levou-me a casa. Guardei a grinalda, enternecida com o gesto dele.
- Não te esqueças – disse-me, à porta de minha casa. – Usa a coroa.
Os seus olhos brilhavam, e ele acariciou-me o rosto. Depois passou o dedo pelos meus lábios, lambendo os dele.
- Só assim irei reconhecer-te – sussurrou e logo deu-me um beijo.
Para variar, senti os joelhos tremerem e a minha cabeça andar à roda. Perdi a noção do tempo e do espaço, mas Zayn afastou-se. Agarrou na minha cintura, impedindo que eu caísse com o desequilíbrio. Sorriu, satisfeito.
- Ainda bem que provoco esse efeito em ti. Mas não posso ficar.
Depois meteu-se no carro e retirou-se.
Tive que me encostar à parede, ainda me sentindo zonza. Alguns segundos depois entrei em casa, para receber um entusiástico Sam. Cumprimentei Laura, mostrando-lhe a grinalda e o tecido que escolhera para a vestimenta.
- Ainda não me disseste quem serás – observou ela, estudando o tecido e dirigindo-se à mesa de costura.
A minha mãe para além de pasteleira, também tinha dotes divinos de costureira. No entanto, nunca precisei dos afazeres dela, até porque a maior parte das roupas de que eu gostava nada tinham a ver com o que ela fazia.
- Serei Afrodite.
Laura olhou para mim, admirada. Preocupei-me quando ela não respondeu durante uma eternidade.
- Tens a certeza? – Perguntou.
O que me irritou não foi a sua surpresa após eu ter dito quem iria interpretar; foi mesmo a sua dúvida perante se eu era suficientemente bonita para ser a deusa do Amor.
- Mais vale dizeres de uma vez que não sou apta para tal – respondi.

Sem comentários:

Enviar um comentário