A voz da minha
mãe, saída da cozinha, fez Zayn afastar-se de mim aos tropeções. Sentia-me
desorientada, nervosa e com poucas forças no corpo.
- A Laura tem
razão, Zayn, é melhor ires embora. – Sussurrei, mas penso que ele não me deve
ter ouvido.
Levantei-me,
colocando a cabeça de Sam pousada no meu ombro enquanto dormia. Acompanhei Zayn
até à porta de casa.
- O Sam gostou
de te ver – comentei, enquanto ele se afastava. Parou e virou-se.
- Só ele é que
gostou de me ver?
Revirei os
olhos.
- Zayn para.
Ouvi-o rir-se.
Até o teu riso é incrivelmente encantador, rapaz.
Os dias
passaram, e nada de One Direction na minha casa.
A única altura
em que tive contacto com eles fora quando Harry me ligara a informar que Panda,
o gatinho de Louis, morrera de insuficiência cardíaca. Pobrezinho, não
aguentara lutar contra algo desconhecido ao qual não tivera imunidade para. Sam
a dada altura perguntara pelo gato, e eu não tive coragem de lhe dizer a
verdade. Então apenas disse “Está com o papá, Booboo”.
Tinha sido
oficial, eles aceitaram que eu decidira-me afastar por causa de Louis. Lá no
fundo não tinha sido só por causa dele. Punha as minhas mãos no fogo,
acreditando que ninguém sabia do quase beijo meu e do Zayn. Podia não saber
muito sobre ele, mas se havia coisa que eu tinha a certeza era de que nem mesmo
os seus irmãos sabiam do que quase
acontecera.
Não podia negar
que estava triste. Eu adorava estar com eles, era das raras coisas que me fazia
sentir bem aqui em Londres. A maior parte dos dias passava-os em casa, já que
ainda não tinha a carta de condução e a minha mãe não podia andar a pagar-me viagens
de táxi até ao centro de Londres. Aliás, eu não andava com muita vontade de ir
para onde quer que fosse. Não conhecia ninguém, não sabia sequer dizer onde eu
estava, então para quê dar-me ao trabalho de me perder?
Uma coisa que
tinha mudado, não só em mim mas também na minha vida, eram os meus gostos
musicais. Tinha-me tornado com orgulho numa Directioner.
Praticamente todos os dias pedia à minha mãe para utilizar o seu intocável
portátil, a fim de ficar a par das últimas novidades da banda. Uma vez
deparei-me com várias fotos de Zayn, Harry, Liam e eu a caminho do Nando’s. A princípio fiquei nervosa, as
mãos tremiam e o meu coração pesava enquanto bombeava a mil à hora. Mas depois
acalmei-me quando percebi, pelos comentários, que ninguém me sabia reconhecer.
O problema maior estava para Liam, que teria de lidar com os media por causa do seu braço colocado à
volta do meu pescoço. “Quem será a nova
namorada de Liam?”, “Amiga colorida
ou relação assumida?”
Por outro lado,
as coisas entre Louis e Eleanor estavam a correr de vento em polpa. No jogo de
futebol que Louis organizara para a caridade, ela encontrava-se lá a apoiar o
namorado. Está bem, eu admito; sentia ciúmes, sim. E não sabia porquê.

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