segunda-feira, 26 de novembro de 2012

New Begginning - Capítulo 69


Só o facto de Harry crer que eu nunca usaria o meu irmão para proveito próprio, fazia-me querer chorar. Mas não de dor. Pôr-me-ia a chorar de contentamento porque eu não me lembrava de ninguém que acreditasse que eu amava mais o meu irmão que à minha própria mãe. De certo modo, eu conseguia ver que Harry testemunhava isso.
- Obrigada, encaracolado. – Sussurrei com honestidade. – Maldita a hora em que vocês vão estar ausentes.
Harry deu uma risada.
- Não te preocupes, porque nós voltamos.
Tinha o pé dormente, então mudei de posição, dando acidentalmente uma cotovelada no estômago de Harry. Ambos nos rimos, depois de ele se queixar veemente de dor.
- Lembras-te da Marie? – Perguntou, enquanto fazíamos concha.
- Claro que me lembro, porquê?
- Eu ia a caminho da casa do Niall, porque os rapazes estão lá todos reunidos. Ela tem um convite a fazer a todos nós.
Arqueei uma sobrancelha.
- Sim, e pretendes fazer-me ciúmes ou…?
Harry deu uma gargalhada.
- És mesmo tola. Quando eu digo a todos nós, tu também estás incluída!
Começou a fazer-me cócegas, um ataque que me deixava sempre vulnerável.
- Ok, já percebi, podes parar! – Pedi, quase sem ar nos pulmões. – Eu saio da cama, mas para Harry, por favor!
Ele assim o fez, puxando os lençóis para trás. Como o habitual, uma corrente de vento frio fez-se sentir, causando-me pele de galinha nos braços e nas pernas.
- Vais imediatamente tomar um banho e vestir outra roupa. Quero-te pronta em menos de dez minutos, Isabela Ferrera.
Comecei a rir, levantando-me da cama e colocando-me em frente a ele.
- Ferreira, Harry! E dez minutos não dá nem para tomar banho, portanto, não penses que ficarei pronta, nem mesmo, em meia hora.
Dito isto, atirei o cabelo para trás e empinei o nariz, dirigindo-me à casa de banho. Fechei a porta, à chave, e verdade seja dita, eu estava ansiosa para o que seria que Marie nos iria convidar. Então atirei o pijama ao chão e enfiei-me dentro da banheira. Com o que eu não contava, era com o tempo perdido de a água fria tornar-se quente. Senti a água chegar-se aos meus pés, o que me arrepiou o corpo todo, inclusive, deixando-me a tremer de frio.
Depois do banho, sequei o cabelo, pois iria para o quarto de toalha, mas não era capaz de ir com uma carapuça na cabeça.
Cheguei ao quarto e Harry virou-se para mim, ficando todo atrapalhado. Logo assumiu uma postura como se fosse habitual ver uma rapariga só de toalha, no entanto, ficou a olhar para mim, pensativo.
- Estás a tentar seduzir-me, deixar-me completamente atrapalhado? – Perguntou.
Até percebia o seu lado; à primeira vista, pensava-se que a minha intenção seria provocar em Harry sentimentos pouco inocentes. Mas não era disso que se tratava.
- Em primeiro lugar, Harry, é completamente normal uma pessoa estar de toalha depois do banho. Se eu não estivesse, aí sim terias que te preocupar com as minhas intenções. Em segundo lugar, se eu quisesse seduzir-te, não estaríamos a ter uma conversa neste momento. Concluindo, não, não estou a tentar seduzir-te. – Depois trinquei o lábio. – Mas se te deixo atrapalhado, podes sair.
Ele digeriu toda a informação durante alguns segundos.
- Queres dizer que se eu agisse com normalidade, podia ficar aqui enquanto… te vestias?
Lancei a mão à testa, lamentando o facto de ele não me ter percebido. Depois suspirei.
- Mesmo se tivesses agido com normalidade, eu expulsar-te-ia do quarto com um pontapé no rabo!
Empurrei-o até ao corredor, para depois mostrar-lhe a língua fora e fechar a porta.
O outfit que escolhi, a meu ver, era completamente casual. Vesti as leggings pretas e calcei as botas brancas com pelo cinzento. Até ter escolhido a camisola de manga comprida verde tropa, foi um caos autêntico, porque as camisolas que se encontravam no meu armário, não me pareciam bonitas o suficiente.
Fui até à casa de banho, notando que Harry não estava no corredor. Tal como em todos os dias, antes de sair de casa, tapei as olheiras com o corretor. Não me apeteceu utilizar muito mais maquilhagem, apenas equilibrando a cor da minha pele que se encontrava rosada nas maçãs do rosto. Após espalhar a base até mesmo ao pescoço, passei mais uma vez pelo quarto. Verifiquei se tinha tudo o que precisava na mala preta com a alça-corrente, e desci até lá abaixo.
- Não é assim o som do tiranossauro Rex – reclamou Sam, tirando das mãos de Harry o dinossauro carnívoro. – Eu mostro como se faz.
Rugiu o mais forte que conseguiu, enquanto manejava o animal.
- Oh, tens razão! – Disse Harry, fingindo estar maravilhado com a proeza de Sam. – E este aqui?
Apontou para o plateossauro.
- Esse é um dinossauro calmo, ele não roje assim tanto – respondeu Sam.
- Booboo, não sejas mentiroso. – Retorqui, aproximando-me deles. – Mais vale dizeres ao Harry porque não fazes o rugido.
Sam suspirou, triste.
- Eu não consigo fazê-lo – murmurou, escondendo a cara.

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