Só o facto de
Harry crer que eu nunca usaria o meu irmão para proveito próprio, fazia-me
querer chorar. Mas não de dor. Pôr-me-ia a chorar de contentamento porque eu
não me lembrava de ninguém que acreditasse que eu amava mais o meu irmão que à
minha própria mãe. De certo modo, eu conseguia ver que Harry testemunhava isso.
- Obrigada,
encaracolado. – Sussurrei com honestidade. – Maldita a hora em que vocês vão
estar ausentes.
Harry deu uma
risada.
- Não te
preocupes, porque nós voltamos.
Tinha o pé
dormente, então mudei de posição, dando acidentalmente uma cotovelada no
estômago de Harry. Ambos nos rimos, depois de ele se queixar veemente de dor.
- Lembras-te da
Marie? – Perguntou, enquanto fazíamos concha.
- Claro que me
lembro, porquê?
- Eu ia a
caminho da casa do Niall, porque os rapazes estão lá todos reunidos. Ela tem um
convite a fazer a todos nós.
Arqueei uma
sobrancelha.
- Sim, e
pretendes fazer-me ciúmes ou…?
Harry deu uma
gargalhada.
- És mesmo
tola. Quando eu digo a todos nós, tu também estás incluída!
Começou a
fazer-me cócegas, um ataque que me deixava sempre vulnerável.
- Ok, já percebi,
podes parar! – Pedi, quase sem ar nos pulmões. – Eu saio da cama, mas para
Harry, por favor!
Ele assim o
fez, puxando os lençóis para trás. Como o habitual, uma corrente de vento frio
fez-se sentir, causando-me pele de galinha nos braços e nas pernas.
- Vais
imediatamente tomar um banho e vestir outra roupa. Quero-te pronta em menos de
dez minutos, Isabela Ferrera.
Comecei a rir,
levantando-me da cama e colocando-me em frente a ele.
- Ferreira,
Harry! E dez minutos não dá nem para tomar banho, portanto, não penses que
ficarei pronta, nem mesmo, em meia hora.
Dito isto,
atirei o cabelo para trás e empinei o nariz, dirigindo-me à casa de banho.
Fechei a porta, à chave, e verdade seja dita, eu estava ansiosa para o que
seria que Marie nos iria convidar. Então atirei o pijama ao chão e enfiei-me
dentro da banheira. Com o que eu não contava, era com o tempo perdido de a água
fria tornar-se quente. Senti a água chegar-se aos meus pés, o que me arrepiou o
corpo todo, inclusive, deixando-me a tremer de frio.
Depois do
banho, sequei o cabelo, pois iria para o quarto de toalha, mas não era capaz de
ir com uma carapuça na cabeça.
Cheguei ao
quarto e Harry virou-se para mim, ficando todo atrapalhado. Logo assumiu uma
postura como se fosse habitual ver uma rapariga só de toalha, no entanto, ficou
a olhar para mim, pensativo.
- Estás a
tentar seduzir-me, deixar-me completamente atrapalhado? – Perguntou.
Até percebia o
seu lado; à primeira vista, pensava-se que a minha intenção seria provocar em
Harry sentimentos pouco inocentes. Mas não era disso que se tratava.
- Em primeiro
lugar, Harry, é completamente normal uma pessoa estar de toalha depois do
banho. Se eu não estivesse, aí sim terias que te preocupar com as minhas
intenções. Em segundo lugar, se eu quisesse seduzir-te, não estaríamos a ter
uma conversa neste momento. Concluindo, não, não estou a tentar seduzir-te. –
Depois trinquei o lábio. – Mas se te deixo atrapalhado, podes sair.
Ele digeriu
toda a informação durante alguns segundos.
- Queres dizer
que se eu agisse com normalidade, podia
ficar aqui enquanto… te vestias?
Lancei a mão à
testa, lamentando o facto de ele não me ter percebido. Depois suspirei.
- Mesmo se
tivesses agido com normalidade, eu expulsar-te-ia do quarto com um pontapé no
rabo!
Empurrei-o até
ao corredor, para depois mostrar-lhe a língua fora e fechar a porta.
O outfit que escolhi, a meu ver, era
completamente casual. Vesti as leggings pretas e calcei as botas brancas com
pelo cinzento. Até ter escolhido a camisola de manga comprida verde tropa, foi
um caos autêntico, porque as camisolas que se encontravam no meu armário, não
me pareciam bonitas o suficiente.
Fui até à casa
de banho, notando que Harry não estava no corredor. Tal como em todos os dias,
antes de sair de casa, tapei as olheiras com o corretor. Não me apeteceu
utilizar muito mais maquilhagem, apenas equilibrando a cor da minha pele que se
encontrava rosada nas maçãs do rosto. Após espalhar a base até mesmo ao
pescoço, passei mais uma vez pelo quarto. Verifiquei se tinha tudo o que
precisava na mala preta com a alça-corrente, e desci até lá abaixo.
- Não é assim o
som do tiranossauro Rex – reclamou Sam, tirando das mãos de Harry o dinossauro
carnívoro. – Eu mostro como se faz.
Rugiu o mais
forte que conseguiu, enquanto manejava o animal.
- Oh, tens
razão! – Disse Harry, fingindo estar maravilhado com a proeza de Sam. – E este
aqui?
Apontou para o
plateossauro.
- Esse é um
dinossauro calmo, ele não roje assim tanto – respondeu Sam.
- Booboo, não
sejas mentiroso. – Retorqui, aproximando-me deles. – Mais vale dizeres ao Harry
porque não fazes o rugido.
Sam suspirou,
triste.
- Eu não
consigo fazê-lo – murmurou, escondendo a cara.

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