Assenti,
subindo as escadas. O espaço era amplo e havia imensas mesas rodeadas de sofás.
Mesmo à minha frente, mal coloquei o pé no primeiro andar, estava o bar que
ocupava todo o espaço de dois metros à frente a partir da parede. Só essa zona
estava iluminada por luzes amarelas que refletiam os tons castanhos do bar e da
estante atrás dos barmans com as inumeráveis bebidas. Reconheci Perrie que
pedia algo ao rapaz. Ela olhou na minha direção, reconhecendo-me também, mas
não fez qualquer forma de cumprimento. Apesar disso, diverti-me com o choque
nos seus olhos, enquanto me olhava de cima a baixo.
No canto do
fundo, à frente do bar, vi Zayn e Liam rirem-se. Avancei até lá, colocando um
pé à frente do outro de maneira exuberante e sentindo o cabelo a abanar. Penso
que no momento em que eles olharam para mim, o resto das pessoas que lá se
encontravam – a maioria eu não conhecia – viraram a cara para saberem também
por que razão estavam eles tão fixadores. Exprimi um sorriso rasgado.
- Olá a todos –
cumprimentei por cima da música.
Harry passou
por mim, apressando-se em cumprimentar cada pessoa. Deixei-me ficar em pé,
porque como é óbvio, não ia cumprimentar quem não conhecia. Porém, vi Marie e
esta sorriu, acenando com a mão. Fiz o mesmo, piscando-lhe o olho. Depois
virou-se para Niall, provavelmente porque este a chamara.
Posteriormente,
o meu inconsciente já se tinha preparado para o que aí antevira; Perrie passou
por mim e fingiu tropeçar, entornando
o copo para cima do meu peito. Senti o corpo tremer e arrepiar-se por completo,
assim que tive o líquido a descer pela abertura do meu corpete, passando por
entre os seios e caindo na minha barriga, por aí abaixo.
- Nossa,
desculpa – disse ela, num tom que parecia de preocupação, mas eu sabia que
estava recheadíssimo de sarcasmo.
Não foi preciso
ver que todos se tinham levantado para assistir ao espetáculo. O que Perrie não
sabia, é que eu já tinha anos de preparação na maneira como reagir àquele tipo
de provocações. Entre tantas maneiras que eu tinha em como refilar àquela provocação, escolhi aquela a que eu chamo de
Lambidela Gelada.
Olhei para o
meu peito, vendo um cubo de gelo entre os seios. Levantei o rosto, dando uma
risadinha que instalou a confusão na cara de Perrie. De seguida, peguei no
cubo, coloquei-o à minha frente e com sensualidade, lambi-o, sabendo-lhe o
gosto a uísque velho. Fiz uma careta de criança.
- Tens um
péssimo gosto, querida Perrie. – Depois fiz questão de mostrar que a olhava de
cima a baixo – Se bem que este horrível sabor a uísque perfaz totalmente a tua
pessoa.
Deixei o cubo de gelo cair no chão, ouvindo o
estilhaçar. Reparei que todos nos olhavam e saí da frente dela, dirigindo-me à
casa de banho. Na realidade, eu não sabia onde era, apenas me limitei a ir à
outra ponta do primeiro andar, descobrindo duas portas distintas. Entrei na
casa de banho das mulheres, trancando-a. Despi o corpete e peguei em papel,
limpando a humidade que sentia no corpo e que me resfriava sem que eu o
quisesse.
Bateram à
porta.
- Sim? –
Perguntei.
- É a Marie –
disseram do outro lado. – Posso entrar?
Fiquei um pouco
nervosa, porque mesmo estando de soutien, eu não era capaz de mostrar as minhas
costas e a minha barriga a outra pessoa.
- Esperas um
bocadinho? – Perguntei. – Estou a acabar de me vestir.
- Está bem.
Não me demorei
muito, então quando tive a certeza de que ela não iria ver nada, abri a porta.
Marie entrou
com um sorriso que lhe rasgava o rosto. Ela era linda, alta e com uns lábios
que faziam inveja às modelos que davam
os seus à publicidade de batons.
- O que fizeste
foi absolutamente…
-
Irresponsável? Absurdo? – Interrompi. Suspirei – Eu sei.
- Não – disse
ela, os olhos a brilhar. – Genial! Foi genial, Bella!
Riu-se em bom
som, dando dois saltos pequenos.
- A Perrie
merecia – afirmou-me, acenando que sim com a cabeça. – Notei logo que ela
fizera de propósito. Eu estava atenta, sabes?
A exuberância
naquela rapariga impressionava-me. Dei uma risada, não por causa do que ela
dizia, mas da maneira como o dizia.
- Obrigada
Marie, ao menos uma pessoa que me entenda.
Ela agarrou-me
nos braços, olhando-me fixamente.
- Uma pessoa? Oooh, não – disse ela. – Os meninos
acharam que a Perrie mereceu, mas não se prenunciam por causa de Zayn. E a
Olivia e a Eleanor tiveram que se conter porque senão desatavam-se a rir.
Questionei-me por
que referiu-se Marie aos rapazes como meninos.
- Eu pensava
que vocês se davam bem com a Perrie.

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