Ela revirou os
olhos.
- Nunca falei
muito com ela, e lá no fundo, não gosto de como é, nem da banda dela, as Little
Mix.
Não me contive
e desatei às gargalhadas. O nome lembrava-me alguma peça de teatro infantil
sobre guloseimas com sabor a xarope.
- Coitadas,
sinto pena de quem escolheu o nome para elas.
- Foram as
mesmas – revelou Marie.
- Agora percebo
– lamentei, respirando fundo. Olhei-me de novo ao espelho – Bom, não se nota
que entornaram uísque para cima de mim, portanto, vamos voltar.
Sorri para
Marie, e ela sorriu de volta. Saímos da casa de banho e pela primeira vez senti
que finalmente estava a ter um comportamento típico de uma rapariga comum; a
famosa ida à casa de banho das amigas. Não que já considerasse Marie como minha
amiga, mas eu não podia esquecer aquilo. Desde o sexto ano que não falo com uma
pessoa do mesmo sexo ou da mesma idade.
Ao chegar perto
do grupo, a primeira coisa que vi foi Perrie aos beijos com Zayn.
Excelente. Ótima maneira de colocar uma pessoa
destroçada.
Obriguei-me a
desviar o olhar, sentindo a vontade de chorar voltar em força. Mas Harry
levantou-se e agarrou-me na mão, obrigando-me a sentar-me de costas para eles.
- Pensa noutra
coisa, Bella, por favor – pediu ele ao meu ouvido.
Olhei para o
resto das pessoas, confirmando que Louis e mais dois rapazes encontravam-se
connosco.
- Oh, pois é –
disse Liam ao lado de Harry. – Este é o Josh, o nosso baterista – apontou para
um rapaz de cabelo castanho, atraente. Ele acenou para mim, sorrindo – E este é
o Ryan.
Este último
olhava-me, sorrindo perversamente.
- Estou a
precisar de me embebedar – comentei para Harry e Liam.
Estes
entreolharam-se.
- Acho que não
vale muito a pena, Bella. É preferível fazê-lo em casa, onde sabes que nada
acontecerá – disse Liam, mas só eu e Harry ouvimos.
Sorri para ele,
o que o confundiu.
- Eu não era
capaz de o fazer aqui – afirmei. - Não seria bonito de se ver. – Dei uma
risadinha.
Embora eu tivesse
dado a certeza a Harry de que não iria beber até cair, eu precisava com
urgência de uma cerveja. Levantei-me e passei pelos pombinhos, olhando com
desprezo para Perrie. Cheguei ao bar, sentando-me numa das cadeiras altas e
esperei que o barman me atendesse.
- Uma cerveja,
por favor – pedi, oferecendo um sorriso meigo.
Enquanto
esperava, alguém sentou-se à minha frente. Era Ryan. Olhei-o de esguelha,
enquanto ele me olhava à descarada, com um sorriso perverso.
- Sabias que
70% das mulheres nunca sabe o que fazer quando um homem as elogia? –
Perguntou-me.
Eu sorri-lhe
amargamente.
- E sabias que
eu faço parte dos outros 30%?
Ryan riu-se, um
riso rouco, vindo do fundo da garganta.
- Então, mesmo
se eu dissesse duma maneira muito ridícula que chamas bastante à atenção de uma
pessoa, tu saberias que isso é um elogio?
- Tenta e
depois saberás – respondi com um tom de voz doce. – No entanto, o mais provável
seria que te envergonhasses a ti próprio.
O barman trouxe-me a cerveja e eu
agradeci. Levantei-me da cadeira e comecei a andar até à nossa mesa, mas Ryan
pôs-se à minha frente.
- E se eu te
convidasse para dançar? – Perguntou.
Antes de
responder, olhei atentamente para ele.
Tinha que admitir,
ele era bonito. Tinha um certo ar de motoqueiro, e eu não estava enganada,
naturalmente. Ryan tinha o cabelo comprido até aos ombros, os olhos castanhos e
um tronco fenomenalmente bem definido. Era uma regalia para os olhos, qualquer
rapariga ou mulher sentir-se-ia sexualmente atraída. Eu não era exceção.
- Mais tarde
veremos, rapaz.
Passei por ele,
transpondo o cabelo para o lado esquerdo. Virei a cara para o olhar, sabendo
que quase me comia com os olhos. Sorri-lhe maldosamente e voltei a sentar-me ao
lado de Harry, desta vez de frente para Perrie e Zayn. Dei um gole na cerveja.
- O que é que o
outro tipo te queria? – Perguntou Louis, sentando-se ao meu lado.
- Como se tu
tivesses muita coisa a ver com isso, Louis.
Ele mostrou-se
zangado.
- Vê lá com
quem te metes, Bella. O Ryan, ou lá como é o nome dele, não me inspira
confiança.
Sorri-lhe com
sarcasmo.
- E porque
razão te interessa com quem eu me meto? A vida é minha, Louis, eu faço amizades
com quem eu quiser. E ninguém, muito menos tu, tem alguma coisa a ver com isso.
Virei-lhe as
costas, bebendo outro trago da minha cerveja. Zayn olhava-me, como se tivesse
ouvido a conversa.
- Também serve
para ti – murmurei.

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