As minhas
olheiras eram horríveis. Em pequena, no infantário e durante a minha infância,
faziam pouco de mim por causa das olheiras. Por serem tão negras, perguntavam-me
ironicamente se tinha levado com algo na cara. Pelo menos não me puseram
nenhuma alcunha, e agradeço a Deus por não terem sido espertos o suficiente
para isso.
- Bella –
chamou-me Zayn, despertando da minha lembrança.
- Estou só a
arranjar coragem – respondi-lhe com sinceridade.
Arfei,
virando-me para ele, mas mantendo a cabeça baixa. Mirei o seu corpo, e não
resisti a ter pensamentos impróprios.
- Não sejas
tonta – disse ele com uma voz doce.
Colocou o dedo
indicativo debaixo do meu queixo e obrigou-me a erguer o rosto. Encontrei os
seus olhos que me deixaram a tremer os joelhos. Ele era profundamente lindo, e
eu sentia-me profundamente envergonhada por Zayn Malik estar no meu quarto, à
minha frente e a suster o meu queixo com o seu dedo. Trinquei o lábio inferior
que tremia, graças à minha vontade de chorar.
- Agora vês por
que estava eu a esconder-me – murmurei, a minha voz tremendo e falhando.
Mas Zayn
continuou a olhar-me, como se quisesse que eu me sentisse confiante em vez de
insegura.
- Não vejo nada
de errado em ti, Bella – sussurrou ele.
- Perfeita
mesmo é a Perrie, não é?
Assim que
percebi o que eu dissera, o arrependimento foi instantâneo. E Zayn arregalou os
olhos. Tive receio de que reagisse com irritação, mas o que ele fez deixou-me
absolutamente sem palavras.
Pegou-me ao
colo, e com medo de cair, dei um grito, agarrando-lhe o pescoço. Levou-me até à
cama, pousando-me com cautela. O meu coração batia aceleradamente e as minhas
maçãs do rosto ardiam. Zayn olhou para as minhas pernas, estendendo-as. Voltou
a olhar-me, tão intimamente que me fez sentir a alma exposta. Deitou-se em cima
de mim, intercalando as nossas pernas e o ar faltou-me; solucei duas vezes,
fazendo-o sorrir insidiosamente.
- No words – pediu.
Enquanto
prendia os meus olhos com os dele, Zayn levantou a mão, passando levemente o
seu dedo pela minha testa. Não consegui resistir e fechei os olhos, sentindo
mais potentemente o seu toque.
Senti-o
percorrer as linhas do meu rosto; olhos, nariz, maçãs, lábios…
Conseguia
imaginar os ciúmes que atolavam os corações das fãs de Zayn; nem sequer deviam
saber da minha existência, provavelmente estavam agora a supor que Zayn estava
com Perrie. Mas estavam erradas. Ele estava comigo e eu sabia quão sortuda eu
era.
Abri os olhos e
Zayn continuava a mirar-me. Vários arrepios tomaram conta do meu corpo mal a
sua mão percorreu o meu queixo e acariciou depois o meu pescoço.
A minha
respiração parou, e a mão dele também; exatamente em cima do meu coração que
batia ruidosamente.
- Não tenhas
medo – murmurou.
- Quem disse
que estou com medo?
Zayn aproximou
o seu rosto do meu, deixando poucos centímetros – se não milímetros – a separar
os nossos lábios. Eu sabia que aquilo era errado.
- Não faças
isso – pedi.
- Não faço o
quê? – Retorquiu, esfregando os lábios na minha bochecha direita.
Se eu lhe fosse
a pedir para parar, seguiria o que está certo, mas iria contra todos os meus
desejos. Não era preciso ser-se génio para saber que eu não queria que ele
parasse. Zayn podia continuar o que tão bem estava a fazer, que eu não
reclamaria.
Pensa melhor, Isabela, ele não é teu e isto não
está correto!
Os seus lábios
desceram até ao meu pescoço, provocando-me calafrios até não mais. O meu corpo
tremeu perante o efeito que ele causava em mim.
- Zayn –
murmurei, tanto de aviso como de prazer.
Logo mordeu-me
o ombro e, num instinto, afastei-me dele. Levantou a cabeça e olhou-me.
Ambos sabíamos
que o que estava a acontecer era errado, porém, do meu lado era mais forte eu
querer que continuássemos. E tenho a certeza que do lado dele também. Se não
fosse o caso, ele não estaria a provocar-me.
- Zayn –
murmurei de novo, sentindo os olhos semicerrar automaticamente.
Ele fixou o
olhar nos meus lábios, e eu soube que desejava beijar-me.
- Força –
murmurei, e posteriormente ele lambeu os lábios lentamente, como se os
preparasse para o passo seguinte. – Não
tenhas medo – dei uma risadinha.
Um sorriso
formou-se no seu rosto e, por fim, Zayn avançou.
Quando os seus
lábios tocaram nos meus, e a sua língua se envolveu com a minha, o mundo
pareceu-me demasiado cruel por me estar a matar aos bocadinhos. Não sei que
sensação era aquela que estava a sentir, Nuno nunca tinha criado aquele efeito
em mim. Cada vez que o nome deste rapaz da banda famosa, Zayn Malik, me vinha
ao pensamento, sentia-me derreter porque me vinha à memória o nosso primeiro
beijo. Então com esta sua investida, a sensação era mais forte.
Tão depressa quanto o seu avanço até aos meus
lábios, Zayn afastou-se.

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