quinta-feira, 15 de novembro de 2012

New Begginning - Capítulo 55



- Vamos comer – disse Niall.
- E tu que não dissesses algo parecido, Niall – reclamou Louis, rindo.
Harry olhava para mim.
- Anda, Bella. – Reconfortou-me. – Esquece isso por agora. Ainda temos oito dias para aproveitar antes de chegarem as despedidas.
Dentro do Nando’s, foram poucas as alturas em que comêramos em paz. Havia sempre alguém que interrompia o jantar para pedir um autógrafo ou uma foto. A maior parte eram raparigas, mas por vezes acontecia virem senhores acompanhados das suas filhas envergonhadas, pedir uma foto com o grupo ou apenas com Harry ou Niall.
- Eu compreendo que são poucas as vezes em que as pessoas vos encontram, mas acho uma falta de respeito interromperem refeições para pedir um autógrafo. – Comentei a dada altura.
Liam não concordava comigo.
- Não nos incomoda de maneira alguma. Nós sabemos o quanto dão valor aos ídolos. Nós sabemos que somos ídolos para centenas de pessoas. Não faz mal se nos vêm incomodar durante o jantar.
Zayn saiu em minha defesa.
- A Bella só quer dizer que as refeições são demasiado importantes para serem interrompidas. Eu compreendo o lado dela.
Claro que todos ficaram surpreendidos com a saída de Zayn em minha defesa. Inclusive eu não estava preparada para o ouvir falar assim. Tinham sido tantas as vezes em que ele fora arrogante para mim, que ouvi-lo falar daquela maneira deixara os rapazes boquiabertos.
No final do jantar, discutimos sobre qual discoteca iríamos escolher para acabarmos a noite em grande. Era domingo, mas os rapazes confirmaram-me que até mesmo neste dia os bares enchiam até uma hora considerável. Harry tentou convencer-me em ser ele a levar-me a casa, mas não o ia obrigar a isso. O programa seria eu ir de táxi, mudar de roupa assim que chegasse e por volta das onze e meia, aí sim, ele ir buscar-me.
- Qual achas que me fica melhor? – Perguntei ao meu irmão, mostrando-lhe dois conjuntos de roupa.
Sam mostrou-se pensativo, sentado em cima da minha cama.
- Esse é demasiado brilhante – apontou para o vestido preto com lantejoulas. – Mas esse parece bonito – disse, referindo-se ao corpete bege e à minissaia preta.
Sorri para ele.
- É sempre bom ter um irmão sincero e direto.
Eu era bastante próxima de Sam. Explicar o porquê, era complicado. Quando Sam nasceu, o meu pai rejeitara-o por completo; inclusive durante a gravidez da minha mãe ele não fizera o seu devido papel como pai. Era algo irreversivelmente incompreensível. No entanto, eu era a menina do papá. Quer dizer, à vista de todos – inclusive da minha mãe e do meu irmão – a relação que eu mantinha com o meu pai era absolutamente normal.
Lá no fundo, as coisas não eram bem assim.
Empurrando as antigas memórias para dentro duma gaveta na minha mente, troquei de roupa com rapidez.
- Uso meias ou não devo? – Perguntei a Sam.
Ele acenou que sim.
Vesti as meias de vidro, tendo o cuidado para não as romper. Depois lembrei-me que o que completava o conjunto que eu vestia eram uns saltos altos incrivelmente lindos, também bege, que eu comprara numa loja na Baixa de Lisboa.
Dirigi-me à casa de banho, agarrando no estojo de maquilhagem. Lavei a cara, tirando a maquilhagem que usara durante o dia, substituindo-a pela da noite. Dei comigo mesma a sorrir para o espelho, enquanto me vinha à cabeça memórias antigas. No meu país natal, nunca foi desculpa não saber dançar. Não importava se te movimentavas lenta ou rapidamente; não podias era ficar parado.
Apesar de eu nunca ter considerado as pessoas à minha volta como sendo minhas amigas, era com as mesmas com quem eu saía quase todos os fins de semana. Eu não tinha amigos. Buscando a definição do que é ser um amigo, não, não se podia considerar os meus colegas de turma como sendo meus amigos. Principalmente as raparigas. Eu sabia que me invejavam por causa do meu corpo e do meu cabelo.

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