- Vamos comer –
disse Niall.
- E tu que não
dissesses algo parecido, Niall – reclamou Louis, rindo.
Harry olhava
para mim.
- Anda, Bella.
– Reconfortou-me. – Esquece isso por agora. Ainda temos oito dias para
aproveitar antes de chegarem as despedidas.
Dentro do Nando’s, foram poucas as alturas em que
comêramos em paz. Havia sempre alguém que interrompia o jantar para pedir um
autógrafo ou uma foto. A maior parte eram raparigas, mas por vezes acontecia
virem senhores acompanhados das suas filhas envergonhadas, pedir uma foto com o
grupo ou apenas com Harry ou Niall.
- Eu compreendo
que são poucas as vezes em que as pessoas vos encontram, mas acho uma falta de
respeito interromperem refeições para pedir um autógrafo. – Comentei a dada
altura.
Liam não
concordava comigo.
- Não nos incomoda
de maneira alguma. Nós sabemos o quanto dão valor aos ídolos. Nós sabemos que
somos ídolos para centenas de pessoas. Não faz mal se nos vêm incomodar durante o jantar.
Zayn saiu em
minha defesa.
- A Bella só
quer dizer que as refeições são demasiado importantes para serem interrompidas.
Eu compreendo o lado dela.
Claro que todos
ficaram surpreendidos com a saída de Zayn em minha defesa. Inclusive eu não
estava preparada para o ouvir falar assim. Tinham sido tantas as vezes em que
ele fora arrogante para mim, que ouvi-lo falar daquela maneira deixara os
rapazes boquiabertos.
No final do
jantar, discutimos sobre qual
discoteca iríamos escolher para acabarmos a noite em grande. Era domingo, mas
os rapazes confirmaram-me que até mesmo neste dia os bares enchiam até uma hora
considerável. Harry tentou convencer-me em ser ele a levar-me a casa, mas não o
ia obrigar a isso. O programa seria eu ir de táxi, mudar de roupa assim que
chegasse e por volta das onze e meia, aí sim, ele ir buscar-me.
- Qual achas
que me fica melhor? – Perguntei ao meu irmão, mostrando-lhe dois conjuntos de
roupa.
Sam mostrou-se
pensativo, sentado em cima da minha cama.
- Esse é
demasiado brilhante – apontou para o vestido preto com lantejoulas. – Mas esse
parece bonito – disse, referindo-se ao corpete bege e à minissaia preta.
Sorri para ele.
- É sempre bom
ter um irmão sincero e direto.
Eu era bastante
próxima de Sam. Explicar o porquê, era complicado. Quando Sam nasceu, o meu pai
rejeitara-o por completo; inclusive durante a gravidez da minha mãe ele não
fizera o seu devido papel como pai. Era algo irreversivelmente incompreensível.
No entanto, eu era a menina do papá. Quer dizer, à vista de todos – inclusive
da minha mãe e do meu irmão – a relação que eu mantinha com o meu pai era absolutamente
normal.
Lá no fundo, as
coisas não eram bem assim.
Empurrando as
antigas memórias para dentro duma gaveta na minha mente, troquei de roupa com
rapidez.
- Uso meias ou
não devo? – Perguntei a Sam.
Ele acenou que
sim.
Vesti as meias
de vidro, tendo o cuidado para não as romper. Depois lembrei-me que o que
completava o conjunto que eu vestia eram uns saltos altos incrivelmente lindos,
também bege, que eu comprara numa loja na Baixa de Lisboa.
Dirigi-me à
casa de banho, agarrando no estojo de maquilhagem. Lavei a cara, tirando a
maquilhagem que usara durante o dia, substituindo-a pela da noite. Dei comigo
mesma a sorrir para o espelho, enquanto me vinha à cabeça memórias antigas. No
meu país natal, nunca foi desculpa não saber dançar. Não importava se te
movimentavas lenta ou rapidamente; não podias era ficar parado.
Apesar de eu
nunca ter considerado as pessoas à minha volta como sendo minhas amigas, era
com as mesmas com quem eu saía quase todos os fins de semana. Eu não tinha
amigos. Buscando a definição do que é ser um amigo, não, não se podia
considerar os meus colegas de turma como sendo meus amigos. Principalmente as
raparigas. Eu sabia que me invejavam por causa do meu corpo e do meu cabelo.

Sem comentários:
Enviar um comentário