- Tu correspondeste ao beijo. – Disse ele. Não consegui responder,
mas ainda bem que não o fizera. – Tu gostaste…
O meu coração acelerava, porque o nervosismo que eu sentia era tanto
para tão pouca capacidade de aguentar. Abri a porta, saindo. Ele fez o mesmo.
Dei a volta ao carro, passando rapidamente por ele.
- Porque é que não és capaz de admitir que gostas de mim? – Perguntou
ele.
Virei-me para ele, dando dois passos em frente.
- Também há uma coisa que eu não entendo. Qual foi esse súbito
interesse em mim? A Eleanor é uma rapariga excelente, Louis Tomlinson, e tu
estás a deitar tudo a perder…
Ele avançou também dois passos, encurtando a distância entre nós.
- O que eu tenho com ela não é para aqui chamado – respondeu-me,
estranhamente com um pouco de ternura. – Tu correspondeste ao beijo. Tu também
sentes o mesmo. – Sussurrou. Os seus olhos estavam carentes.
Abanei a cabeça freneticamente.
- Tu não sabes o que eu sinto – murmurei.
Ele avançou, envolvendo-me num abraço que rapidamente neguei,
recuando.
- Não é de ti de quem eu gosto, Louis – Repeti duas vezes, pois à
primeira a minha voz rouca não se fez ouvir. Limpei a garganta. – Não é de ti
de quem eu gosto.
Levantei a cabeça para o olhar. Ele exibia um ar de angústia.
- Então é de quem? – Vociferou alto. Olhei para todos os lados,
temendo que alguém tenha ouvido. – Diz-me!
A fúria nas suas palavras deixaram-me a tremer. Eu sabia que ele não
era capaz de me fazer nada, ou sequer de me tocar, mas o medo falava mais alto,
então recuei o máximo que consegui, chegando à porta.
- Vai-te embora, Louis. – Sussurrei.
- Não saio daqui enquanto não me disseres de quem gostas.
- Não gosto de ninguém – A única solução que eu via era mentir para
não causar mais problemas. – Não gosto de ninguém! Agora desaparece antes que
eu chame alguém.
Ele ficou a olhar para mim durante algum tempo, e eu temi que ele
fosse fazer alguma coisa. Acabou por recuar até ao carro e desaparecer. Fiquei
especada a olhar para o chão, no silêncio que me absorveu. As minhas mãos
tremiam, então tive que me acalmar até entrar dentro de casa.
- Estava a ver que nunca mais chegavas – disse a minha mãe,
levantando-se do sofá.
Se calhar o que despoletou o que aconteceu a seguir foi a minha mãe
ter-me visto branca como cal – palavras dela. No entanto, o que também ajudou foi
a expressão de choque que eu trazia no rosto. A verdade é que a partir do
momento em que as lágrimas me caíram dos olhos, Laura envolveu-me num abraço à
medida que fechava a porta de casa.
- Anda – disse-me, levando-me para o sofá. Sentou-se numa ponta e eu
deitei-me, colocando a cabeça no seu colo.
Nas horas seguintes o silêncio permaneceu, cortado apenas pelos meus
soluços e os gemidos que por vezes acompanhavam as lágrimas. Laura esperou
pacientemente até que eu me acalmasse. Quando finalmente respirei fundo, ela
falou.
- Conta-me, Bella.
As palavras jorravam da minha boca, como se uma barragem tivesse sido
aberta por completo. Contei tudo desde o princípio, desde que encontrara Zayn
no beco até ao momento em
que Louis se passara por completo, instantes atrás.
- Meteste-te numa bela alhada, Isabela Ferreira. Mas não é nada que
não se resolva.
Laura sorriu com carinho.
- Na vossa idade é normal que estas confusões aconteçam. Até porque tu
és uma rapariga bonita. Não admira que estejam dois rapazes a lutar por ti.
Levantei-me.
- Não, não, Laura. Ninguém está a lutar por mim. Zayn disse que não
podia acabar com a Perrie e que não podia continuar com “isto” – fiz o sinal de
aspas com os dedos enquanto dizia isto.
– E o Louis continua com a Eleanor. Eu só tenho pena delas, porque me estou a
sentir uma completa galdéria. Ambos as traíram comigo, e eu não sei o que
fazer.
Não consegui evitar, as lágrimas voltaram em força e eu não sentia
mais nada senão culpa.
- Calma – disse ela. – Tu gostas de ambos. Acontece.
Travei as lágrimas quando ouvi o que Laura dissera. Abanei
freneticamente a cabeça, negando.
- Sim, Bella. Não o negues quando sabes muito bem que é verdade.
Olhei para o lume, sentindo o calor secar-me a face molhada. As
pinhas e os troncos ardiam sem qualquer dificuldade. As chamas não eram fortes
nem fracas. Iluminavam a sala sem que fosse preciso acender um candeeiro. Sentia-me
fraca; precisava de descansar os olhos e a mente.
- Vou dormir – anunciei, levantando-me sem olhar para a minha mãe.
Ela nada disse e eu subi as escadas até ao meu quarto.

tão perfeito! tenho saudades tuas menina debbie <3
ResponderEliminarobrigada martinha *-* , mas perfeito são eles e nem têm noção disso, mesmo que haja pessoas que o digam * também tenho saudades tuas marty <3
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