Tratava-se dum sonho. Eu sentia-me lúcida, mas de facto estava a
dormir, presenciando algo que o meu subconsciente criava.
- Oh não, ela está aqui – ouvi uma voz dizer. Eu reconhecia aquela
voz.
- Não deixes que eles se vejam – disse outra.
Eram vozes femininas, já as tinha ouvido em algum lado.
Sempre que falavam, eu avançava pelo corredor onde estava, e as vozes
iam ficando mais altas. Comecei a correr até chegar a umas portas. Empurrei-as,
revelando estar num estádio de futebol. Olhei para o relvado e vi Perrie e
Zayn, vestidos a rigor. Sorriam um para o outro.
Escondi-me atrás de uma bancada para que não me vissem, pois algo me
dizia que se Perrie me visse, iria fugir com Zayn. Então a pouco e pouco, fui
descendo as escadas, e as vozes – uma delas era Perrie – sempre a falarem cada
vez mais alto. Percebi que se tratavam de vozes a falarem espiritualmente, isto
é, Perrie em comunicação com outra pessoa, sem que Zayn percebesse.
- Ela está cá – revelou a voz desconhecida.
Compreendi na expressão de raiva que Perrie exibia, enquanto dançava com Zayn no meio do relvado, que
falavam de mim.
- Mata-a – pediu Perrie com fúria.
Tinha que fazer com que Zayn me visse.
Desci até à última bancada, chegando ao corrimão que separava as
bancadas do relvado. Saltei. Corri até onde eles estavam e gritei.
- Zayn!
Ele olhou para mim, surpreendido.
- Zayn, elas vão-me matar – disse-lhe.
Ele não parecia preocupado com isso, apenas me olhou de cima a baixo
e sorriu.
- Estás tão linda – murmurou, avançando um pouco até mim. Olhei para
o meu corpo e descobri que estava a usar um vestido de gala vermelho.
- Eu não estava a usar isto – vociferei. – Ouve, Zayn. Elas vão-me
matar!
Ele olhou para Perrie e ela exibiu um sorriso amargo.
- Sou eu, querido – falou para ele. – Não te preocupes com nada.
Depois envolveu-o num abraço e olhou para mim.
- Estás morta, Isabela de Portugal. Não tens escapatória.
O meu coração acelerou. Depois apareceram do nada mais pessoas no
relvado, os homens de smoking e as mulheres de vestidos de gala.
- Zayn! – Gritei. – Zayn ajuda-me!
As pessoas tentavam agarrar-me. Não se moviam com pressa ou rapidez,
mas eram tantos que me encurralaram. Estou
perdida, pensei. Sentei-me, formando uma concha e escondendo a cara. Senti pegarem-me
e gritei.
O sobressalto que senti ao acordar fora o suficiente para me deixar a
gritar o nome dele. Durante aquele bocado deixei-me ficar quieta até me
acalmar. Depois olhei para o telemóvel.
Dez e vinte e três
da manhã.
Tinha duas chamadas perdidas e uma mensagem por ler.
As duas chamadas de Louis e a mensagem de Liam.
“Bom dia, Bella. Eu e os
rapazes vamos filmar o vídeo da música Little Things ao meio dia. Se quiseres
aparecer, avisa, que um de nós vai-te buscar. O Harry disse que te iria fazer
bem.”
Suspirei, porque já sabia o que ia acontecer se eu fosse. Mas não importa;
eu iria por Harry, Liam e Niall. Não pelos outros dois.
Em pouco mais de quarenta e cinco minutos estava pronta. Optei por
umas calças justas de ganga clara e uma sweater sem capuz que impunha o nome
Ramones e o logótipo da banda. Tal como todos os dias, abusei do corretor de
olheiras – tinha que o fazer, senão iriam confundir-me com uma morta-viva.
Desci as escadas, encontrando o meu irmão a brincar com os seus
dinossauros na alcatifa. Agarrei-o por trás.
- Arghh! – Rosnei. – Apanhei-te, pirralho, não tens escapatória!


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