A partir daí o
dia fora mais calmo. Nenhum dos rapazes me tentou contactar, nem mesmo Harry ou
Zayn, o que me deixou ligeiramente triste. Como se eu não estivesse à espera…
dissera claramente a Zayn que me ia afastar. Eu não queria, claro que não! Com
tudo o que passara em Portugal, dava demasiado valor a novas amizades, mais
agora do que nunca. Talvez fosse tolo da minha parte começar a imaginar uma
amizade recheada com cada um dos rapazes.
Não por serem
famosos, nada disso. Se fosse essa a razão eu nem sequer me tinha vindo embora
do Nando’s, para começar. E não teria
decidido afastar-me por causa de Louis. Teria sido porque me pareciam
autênticos e reais. Eu nunca tinha sido rodeada de pessoas verdadeiras ou que
se importassem realmente com alguma coisa ou com alguém. Em Portugal tudo o que
eu tinha à volta era a chamada hipocrisia.
Era engraçado,
porque eu gostava de Portugal. Ainda hoje eu não estava contente com esta
mudança. Ainda me esta a adaptar a tudo; principalmente ao clima. Não, a minha
vida não era perfeita em Portugal, longe disso. Mas eu sabia ver quando tinha
que me adaptar a diversos ambientes, como a minha escola ou o meu local de
trabalho.
À noite,
aconcheguei-me com Sam junto à lareira acesa.
- História –
pediu ele.
Ri-me baixinho.
- Tem mesmo que
ser, Booboo? A mana está sem imaginação.
Ele acenou,
elétrico.
- Tu consegues
sempre arranjar uma história bonita – murmurou, enroscando-se no meu colo.
Não pude deixar
de sorrir.
- Está bem. Era
uma vez… um príncipe cego.
- Cego?
- Queres ouvir
a história?
Ele acenou de
novo.
- Então não me
interrompas, pirralho. – Abanei o seu cabelo preto. – Fora amaldiçoado no dia
em que nascera, culpa de seus pais, os reis. Ora como todos os príncipes que
conheces, todos eram cavaleiros quando chegavam a uma certa idade. Mas este
menino não ia conseguir combater em batalhas contra os inimigos porque não
conseguia ver nada, graças à maldição da bruxa Galápago. Todos no reino achavam
que não havia mais nada a fazer; incluindo os seus pais!
Sam roía uma
unha, atento às minhas palavras.
- Todos os dias
o menino chorava e chorava, triste porque para além de não conhecer as cores e
tudo o que havia no seu reino, estava incapacitado de poder contribuir para os
outros. Mas certo dia, quando ele tinha seis anos, apareceu uma menina que
queria conhecer o pequeno príncipe. Os pais não deixavam, e o menino não
entendia porquê. “Eu quero conhecer a menina, tragam-ma até mim”, Ordenou o
menino aos guardas.
- E depois? –
Perguntou Sam, ansioso. – Eles apaixonaram-se? Ela era uma bruxa que o podia
fazer ver?
Comecei a rir.
- Tens a
imaginação muito fértil, Booboo. Às tantas passas a ser tu o contador de
histórias e não eu.
- Prefiro ouvir
a contar – sorriu-me.
- Está bem.
Depois de o príncipe conhecer a menina, tornaram-se grandes amigos. Ela não se
importava que ele fosse cego, nem ele se importava que ela fosse pobre. Mas ele
não se importava porque ele não sabia. – Coloquei um dedo sobre os lábios,
fazendo “Schhhh” a Sam. Ele fez uma cruz sobre os lábios com os dedos
indicadores. – A menina chamava-se Ariel.
- Como a
pequena sereia? – Perguntou Sam, entusiasmado.
Abanei a
cabeça.
- Não. Eu
apenas gosto do nome.
Ambos nos
rimos. E naquele instante, alguém tocou à campainha.

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