segunda-feira, 5 de novembro de 2012

New Begginning - Capítulo 40


A partir daí o dia fora mais calmo. Nenhum dos rapazes me tentou contactar, nem mesmo Harry ou Zayn, o que me deixou ligeiramente triste. Como se eu não estivesse à espera… dissera claramente a Zayn que me ia afastar. Eu não queria, claro que não! Com tudo o que passara em Portugal, dava demasiado valor a novas amizades, mais agora do que nunca. Talvez fosse tolo da minha parte começar a imaginar uma amizade recheada com cada um dos rapazes.
Não por serem famosos, nada disso. Se fosse essa a razão eu nem sequer me tinha vindo embora do Nando’s, para começar. E não teria decidido afastar-me por causa de Louis. Teria sido porque me pareciam autênticos e reais. Eu nunca tinha sido rodeada de pessoas verdadeiras ou que se importassem realmente com alguma coisa ou com alguém. Em Portugal tudo o que eu tinha à volta era a chamada hipocrisia.
Era engraçado, porque eu gostava de Portugal. Ainda hoje eu não estava contente com esta mudança. Ainda me esta a adaptar a tudo; principalmente ao clima. Não, a minha vida não era perfeita em Portugal, longe disso. Mas eu sabia ver quando tinha que me adaptar a diversos ambientes, como a minha escola ou o meu local de trabalho.
À noite, aconcheguei-me com Sam junto à lareira acesa.
- História – pediu ele.
Ri-me baixinho.
- Tem mesmo que ser, Booboo? A mana está sem imaginação.
Ele acenou, elétrico.
- Tu consegues sempre arranjar uma história bonita – murmurou, enroscando-se no meu colo.
Não pude deixar de sorrir.
- Está bem. Era uma vez… um príncipe cego.
- Cego?
- Queres ouvir a história?
Ele acenou de novo.
- Então não me interrompas, pirralho. – Abanei o seu cabelo preto. – Fora amaldiçoado no dia em que nascera, culpa de seus pais, os reis. Ora como todos os príncipes que conheces, todos eram cavaleiros quando chegavam a uma certa idade. Mas este menino não ia conseguir combater em batalhas contra os inimigos porque não conseguia ver nada, graças à maldição da bruxa Galápago. Todos no reino achavam que não havia mais nada a fazer; incluindo os seus pais!
Sam roía uma unha, atento às minhas palavras.
- Todos os dias o menino chorava e chorava, triste porque para além de não conhecer as cores e tudo o que havia no seu reino, estava incapacitado de poder contribuir para os outros. Mas certo dia, quando ele tinha seis anos, apareceu uma menina que queria conhecer o pequeno príncipe. Os pais não deixavam, e o menino não entendia porquê. “Eu quero conhecer a menina, tragam-ma até mim”, Ordenou o menino aos guardas.
- E depois? – Perguntou Sam, ansioso. – Eles apaixonaram-se? Ela era uma bruxa que o podia fazer ver?
Comecei a rir.
- Tens a imaginação muito fértil, Booboo. Às tantas passas a ser tu o contador de histórias e não eu.
- Prefiro ouvir a contar – sorriu-me.
- Está bem. Depois de o príncipe conhecer a menina, tornaram-se grandes amigos. Ela não se importava que ele fosse cego, nem ele se importava que ela fosse pobre. Mas ele não se importava porque ele não sabia. – Coloquei um dedo sobre os lábios, fazendo “Schhhh” a Sam. Ele fez uma cruz sobre os lábios com os dedos indicadores. – A menina chamava-se Ariel.
- Como a pequena sereia? – Perguntou Sam, entusiasmado.
Abanei a cabeça.
- Não. Eu apenas gosto do nome.
Ambos nos rimos. E naquele instante, alguém tocou à campainha.

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