O telemóvel
tocou, revelando a Laura e a Sam que a música que eu tinha como toque de
chamada era a música Live While We’re Young dos One Direction. Corei quando ela
deu uma risadinha.
- Sim? –
Atendi, mal vi Mr. Sexy no visor.
“Bella, estou a caminho de tua casa. Estás
pronta?”
- Prontíssima.
Não te demores muito, Harry.
Ele riu.
“Agora dás-me ordens, menina Ferrera?”
- Diz-se
Ferreira, menino. – Ri-me também. – Agora a sério, tenta vir o mais depressa
possível, quero ir logo para o bar que escolhemos.
Eu não era
capaz de esconder a excitação que sentia. Não tinha nada a ver com os rapazes,
mas sim com a vontade súbita e estranha que eu nutria naquele dia, para sair à
noite. Às vezes isto acontecia; a sensação de saber que sentiríamos adrenalina
e energia enquanto dançávamos e enquanto bebíamos atacava-me. Eu não apoiava a
opção de beber até cair para o lado, óbvio que não. Mas, por vezes, apreciava
um belo shot seguido de um sublime copo de vodka.
“Estou a caminho.”
Pouquíssimos
minutos depois – talvez apenas cinco minutos –, Harry já se encontrava à porta
de minha casa, a tocar três vezes seguidas à campainha.
- Eu percebo à
primeira – saudei-o, mal abri a porta.
Harry estava
com o braço encostado à ombreira, numa posição demasiado sexy que não me conteve a olhá-lo da cabeça aos pés. Ele usava umas
calças de ganga escuras, e uma t-shirt justa que assentava perfeitamente no seu
tronco. Acompanhando o conjunto, como uma transcendente combinação, vestia um blazer preto liso.
Arqueei uma
sobrancelha, sorrindo enviesadamente.
- Estamos a
condizer – comentei.
Ele exibiu o
seu radioso sorriso, mas não disse nada. Fechei a porta de casa, andando
depressa até ao carro de Harry e entrar. Olhei para as horas; onze horas e
cinquenta minutos.
- Estão à nossa
espera? – Perguntei.
Ele suspirou.
- Os melhores
são sempre os últimos a chegar – riu-se.
Não resisti a
rir também, pensando em como iria entrar na discoteca em grande. Ainda me
sentia a nova rapariga, a portuguesa que veio morar para Lambeth (apesar de
praticamente ninguém me conhecer dessa maneira). Em Lisboa, sem dúvida alguma
que eu me destacava. Sabia como chamar a atenção, no entanto eu era como uma
rosa com espinhos e toda a gente tinha medo de me tocar.
Saltava à vista
no meio de dezenas de raparigas numa discoteca, mas os rapazes tinham medo de
falar comigo por causa de Nuno. Ele era como um leão a guardar a presa que
caçou. Porque era verdade, eu estava completamente apaixonada por ele e mais
ninguém me interessa. Porém, por vezes era angustiante não ter qualquer amigo
com quem falar. Nuno não me deixava falar com ninguém.
- Não quero
ver-te a falar com nenhum rapaz, senão apanha ele e apanhas tu – ameaçou-me,
mais ou menos cinco meses após termos começado o namoro.
Ainda hoje me
pergunto como terá ele me deixado sair à noite quase todos os fins de semana,
em três anos. Provavelmente porque vinha sempre atrás de mim.
A minha mãe
nunca gostou dele. Nem ela nem o meu pai. Ao princípio eu mantinha em segredo,
e consegui sucesso durante onze meses. Mas depois as vindas e as idas de Nuno
cá a casa passaram a ser frequentes e eu nem sequer tinha notado que Nuno
passava praticamente a vida em minha casa. Então uma noite, poucos dias antes
de fazermos um ano de namoro, os meus pais confrontaram-me a mim e a Nuno.
- Eu não sou
parvo, meu rapaz – disse o meu pai, dirigindo-se a Nuno. Mas este não tinha
medo do meu pai. Pudera, Nuno era praticamente da mesma altura dele ou talvez
mais alto ainda.
- O que queres
dizer com isso? – Perguntei-lhe.
Para tentar
manter o disfarce, eu e Nuno
mantínhamo-nos relativamente afastados, como se fossemos apenas amigos.
- Escusam de
continuar a fingir, Bella – declarou a minha mãe, olhando-me com desprezo. –
Vocês pensam que somos parvos? Há vários meses que o Nuno tem praticamente a
sua vida aqui. Só falta cá dormir as noites!
O meu namorado
da altura olhava para o chão, com os olhos abertos em demasia. Eu não me
prenunciara, com medo do meu pai porque já sabia o que me aconteceria. Então
naquele momento, Nuno levantou a cabeça e encarou os meus pais.
- É verdade. Eu
namoro a vossa filha.
O medo
assolou-me naquele momento, misturado com nervosismo e um pouco de adrenalina.
Eu não duvidava do que Nuno sentia por mim, eu sabia que ele me amava. E por
isso enfrentou o meu pai, o que eu achei bastante corajoso.
Com certeza que
os meus papás não acharam piada. Eles já tomavam como garantido que eu e Nuno
namorávamos, só queriam era que confessássemos. E adoraram fazer toda a
barafunda que fizeram a seguir a Nuno admitir. O que me irritou profundamente,
claro.
Algumas semanas
depois eu perdi o medo de mostrar o meu corpo.
- Eu posso
querer-te e posso desejar-te. Mas acima de tudo eu só te amo a ti. –
Murmurou-me Nuno ao ouvido, num celeiro perto da casa dos seus avós, em Cabeça
de Carneiro, Alentejo.
Sentia-me
perdidamente apaixonada. Na minha cabeça, eu vivia um conto de fadas só meu.
Nuno era o meu príncipe e eu era a sua princesa, e o nosso reino limitava-se
apenas a existir em qualquer lado, desde que ambos estivéssemos juntos.

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