Levantou-se,
estendendo as mãos que eu peguei para me colocar em pé.
- Vamos lá para
fora – disse, enquanto sorria. – Para o campo.
Arqueei a
sobrancelha.
- O efeito do
beijo subiu-te à cabeça, Zayn. Lá fora deve estar um gelo autêntico!
Tremi, só de
pensar em expor-me ao frio. No entanto, Zayn revirou os olhos e suspirou.
- Vens, ou não?
– Perguntou.
Claro que eu
não ia recusar qualquer sugestão que ele fizesse, ainda para mais se fosse para
estar com ele mais tempo. Resmoneei para mim própria.
- Está bem –
cedi. – Mas se não valer a pena, pagas-me um bilhete para o concerto do Ed
Sheeran.
Zayn deu uma
gargalhada.
- Consigo
arranjá-los de graça, Bella, portanto não iria ser algo muito doloroso.
Semicerrei os
olhos, vencida pela resposta dele.
Retirei do
armário o casaco mais quente que eu tinha, um casaco que me ficava grande e que
eu quase nunca utilizava, mas que tinha um capuz em pelo falso. Eu adorava
aquele casaco, mas não usufruía dele porque era demasiado retro. Vesti-o e
virei-me para Zayn. Este escondeu um sorriso trocista.
- Podes rir-te,
senhor Vaidoso. Mas só para que conste, é muito quente e tu não vais ter o
privilégio de usufruir disso.
Empinei o
nariz, abrindo a porta do quarto. Descemos as escadas até à sala escura, onde
tropecei no último degrau e Zayn teve que me puxar com força para que eu não
caísse. Isso resultou num impulso que me atirou contra ele. Mais uma vez, a
tensão sexual entre nós cresceu.
- É melhor… é
melhor irmos andando – gaguejei, sentindo o seu bafo quente bater nos meus
lábios secos.
Zayn sorriu
enviesadamente.
Quando abri a
porta para o quintal, o frio logo se fez sentir; no entanto, não havia vento
que nos pudesse resfriar.
- Ainda não me
explicaste porque queres aqui ficar – disse-lhe, virando-me para trás. Ele
fechou a porta e meteu as mãos nos bolsos, encolhendo-se.
- Segue-me –
pediu, passando por mim.
Não demorei
muito a copiar-lhe o passo, atenta ao chão para que não tropeçasse em nenhuma
pedra ou algo assim. Caminhámos ainda algum tempo, ficando longe de minha casa
e de tudo o que proporcionava luminosidade.
- Zayn? –
Chamei-o. Estava a começar a ficar nervosa porque já não o conseguia ver. –
Zayn, não te vejo. Onde estás?
A minha
respiração acelerou e, confesso, temi que ele não me ouvisse ou que não me
encontrasse até ao raiar.
Uma mão
puxou-me o braço, assustando-me.
- Bella, sou eu
– reconheci a sua voz.
Uma onda de
alívio encheu-me e não resisti a apertá-lo.
- Zayn – falei,
apertando-lhe a mão. – Não quero saber se não concordes. Mas não te sigo se não
for desta forma.
Os meus olhos
começavam a habituar-se à escuridão, e apesar de eu já distinguir o formato do
rosto dele de tudo o resto, ainda não via um palmo de terra à minha frente.
- Só estou a
tentar encontrar um bom sítio – justificou-se.
- Um bom sítio
para quê?
Como já seria
de esperar, Zayn não me respondeu. Puxou-me e contei os passos que déramos;
três em frente, dois para a direita e mais cinco para a frente. Depois parámos.
A esta altura
eu já conseguia ver-lhe os lábios, os olhos e todo o seu corpo. No silêncio,
mirei-o de cima a baixo. Pelo amor de
Deus, nosso senhor, se existe alguém completamente irresistível, esse alguém
está à minha frente.
Ele olhou para
mim, sorrindo vagarosamente.
- Olha para
cima – ordenou-me.
Fiz o que me
pediu, e nesse momento, senti-me abismada.
O manto negro
que cobria o céu, não parecia assim tão negro. Milhares de estrelas preenchiam
toda a escuridão lá no cimo. Era complicado explicar a sensação que eu sentia
cada vez que olhava para as estrelas. Mas uma sensação de contentamento
enchia-me o espírito, porque cada vez que observava os pontinhos de luz que
existiam no espaço, os problemas no mundo pareciam mínimos. Como se as coisas
não fossem assim tão complicadas quanto pareciam.
Suspirei
prolongadamente, sabendo que ele me olhava. Sorri de orelha a orelha.
- De maneira
nenhuma tu sabias que o céu estava assim – disse-lhe, dando uma risada.
- Digamos que
foi sorte.
O facto é que
Zayn, por incrível que possa parecer, tinha feito algo extremamente atencioso.
Não suplantou as estrelas no céu, não afugentou as nuvens e deixou o éter
limpo; mas fez algo muito mais importante que a Natureza não conseguiu fazer.
Trazer-me para
o exterior. Somente e apenas com “Vens, ou não?”.
Sentei-me em
cima das ervas, cobri a cabeça com o capuz e a seguir deitei-me.
- Que estás a
fazer? – Perguntou ele, surpreendido.
Será que ele
não entendia? Fartava-me de ver nos filmes os casais a deitarem-se sobre as
ervas e observarem as estrelas até o nascer do sol. A única coisa que faziam
era falar. E apesar de Zayn e eu não sermos um casal, o que me apetecia naquele
momento, ali e agora, era conversar a observar as estrelas até que o sol
aparecesse.
- Deita-te
também, DJ Malik. Aprecia a vista.
Virei os olhos
para o céu, perguntando-me se conseguiria contar as estrelas. Uma vez ou outra
fixava uma delas ao calhas, imaginando que espécie de estrela seria. Questionar
se a vida no nosso planeta, também poderia estar noutro, algures noutra
galáxia.
Às vezes também
me ocorria se seria possível haver outra versão de nós mesmos, em nenhures no
universo. Uma segunda Bella, um segundo Zayn, por aí adiante. Continuaria a ser
assim complicada a minha relação com ele? E Louis? Gostaria de mim na mesma?

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