quinta-feira, 22 de novembro de 2012

New Begginning - Capítulo 65


Levantou-se, estendendo as mãos que eu peguei para me colocar em pé.
- Vamos lá para fora – disse, enquanto sorria. – Para o campo.
Arqueei a sobrancelha.
- O efeito do beijo subiu-te à cabeça, Zayn. Lá fora deve estar um gelo autêntico!
Tremi, só de pensar em expor-me ao frio. No entanto, Zayn revirou os olhos e suspirou.
- Vens, ou não? – Perguntou.
Claro que eu não ia recusar qualquer sugestão que ele fizesse, ainda para mais se fosse para estar com ele mais tempo. Resmoneei para mim própria.
- Está bem – cedi. – Mas se não valer a pena, pagas-me um bilhete para o concerto do Ed Sheeran.
Zayn deu uma gargalhada.
- Consigo arranjá-los de graça, Bella, portanto não iria ser algo muito doloroso.
Semicerrei os olhos, vencida pela resposta dele.
Retirei do armário o casaco mais quente que eu tinha, um casaco que me ficava grande e que eu quase nunca utilizava, mas que tinha um capuz em pelo falso. Eu adorava aquele casaco, mas não usufruía dele porque era demasiado retro. Vesti-o e virei-me para Zayn. Este escondeu um sorriso trocista.
- Podes rir-te, senhor Vaidoso. Mas só para que conste, é muito quente e tu não vais ter o privilégio de usufruir disso.
Empinei o nariz, abrindo a porta do quarto. Descemos as escadas até à sala escura, onde tropecei no último degrau e Zayn teve que me puxar com força para que eu não caísse. Isso resultou num impulso que me atirou contra ele. Mais uma vez, a tensão sexual entre nós cresceu.
- É melhor… é melhor irmos andando – gaguejei, sentindo o seu bafo quente bater nos meus lábios secos.
Zayn sorriu enviesadamente.
Quando abri a porta para o quintal, o frio logo se fez sentir; no entanto, não havia vento que nos pudesse resfriar.
- Ainda não me explicaste porque queres aqui ficar – disse-lhe, virando-me para trás. Ele fechou a porta e meteu as mãos nos bolsos, encolhendo-se.
- Segue-me – pediu, passando por mim.
Não demorei muito a copiar-lhe o passo, atenta ao chão para que não tropeçasse em nenhuma pedra ou algo assim. Caminhámos ainda algum tempo, ficando longe de minha casa e de tudo o que proporcionava luminosidade.
- Zayn? – Chamei-o. Estava a começar a ficar nervosa porque já não o conseguia ver. – Zayn, não te vejo. Onde estás?
A minha respiração acelerou e, confesso, temi que ele não me ouvisse ou que não me encontrasse até ao raiar.
Uma mão puxou-me o braço, assustando-me.
- Bella, sou eu – reconheci a sua voz.
Uma onda de alívio encheu-me e não resisti a apertá-lo.
- Zayn – falei, apertando-lhe a mão. – Não quero saber se não concordes. Mas não te sigo se não for desta forma.
Os meus olhos começavam a habituar-se à escuridão, e apesar de eu já distinguir o formato do rosto dele de tudo o resto, ainda não via um palmo de terra à minha frente.
- Só estou a tentar encontrar um bom sítio – justificou-se.
- Um bom sítio para quê?
Como já seria de esperar, Zayn não me respondeu. Puxou-me e contei os passos que déramos; três em frente, dois para a direita e mais cinco para a frente. Depois parámos.
A esta altura eu já conseguia ver-lhe os lábios, os olhos e todo o seu corpo. No silêncio, mirei-o de cima a baixo. Pelo amor de Deus, nosso senhor, se existe alguém completamente irresistível, esse alguém está à minha frente.
Ele olhou para mim, sorrindo vagarosamente.
- Olha para cima – ordenou-me.
Fiz o que me pediu, e nesse momento, senti-me abismada.
O manto negro que cobria o céu, não parecia assim tão negro. Milhares de estrelas preenchiam toda a escuridão lá no cimo. Era complicado explicar a sensação que eu sentia cada vez que olhava para as estrelas. Mas uma sensação de contentamento enchia-me o espírito, porque cada vez que observava os pontinhos de luz que existiam no espaço, os problemas no mundo pareciam mínimos. Como se as coisas não fossem assim tão complicadas quanto pareciam.
Suspirei prolongadamente, sabendo que ele me olhava. Sorri de orelha a orelha.
- De maneira nenhuma tu sabias que o céu estava assim – disse-lhe, dando uma risada.
- Digamos que foi sorte.
O facto é que Zayn, por incrível que possa parecer, tinha feito algo extremamente atencioso. Não suplantou as estrelas no céu, não afugentou as nuvens e deixou o éter limpo; mas fez algo muito mais importante que a Natureza não conseguiu fazer.
Trazer-me para o exterior. Somente e apenas com “Vens, ou não?”.
Sentei-me em cima das ervas, cobri a cabeça com o capuz e a seguir deitei-me.
- Que estás a fazer? – Perguntou ele, surpreendido.
Será que ele não entendia? Fartava-me de ver nos filmes os casais a deitarem-se sobre as ervas e observarem as estrelas até o nascer do sol. A única coisa que faziam era falar. E apesar de Zayn e eu não sermos um casal, o que me apetecia naquele momento, ali e agora, era conversar a observar as estrelas até que o sol aparecesse.
- Deita-te também, DJ Malik. Aprecia a vista.
Virei os olhos para o céu, perguntando-me se conseguiria contar as estrelas. Uma vez ou outra fixava uma delas ao calhas, imaginando que espécie de estrela seria. Questionar se a vida no nosso planeta, também poderia estar noutro, algures noutra galáxia.
Às vezes também me ocorria se seria possível haver outra versão de nós mesmos, em nenhures no universo. Uma segunda Bella, um segundo Zayn, por aí adiante. Continuaria a ser assim complicada a minha relação com ele? E Louis? Gostaria de mim na mesma?

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