À primeira
vista, a “Cindy’s Place” não parecia ser um grande espaço. Mas quando entravas,
era um mundo de cores e de diferentes texturas de tecido. Eu seguia Zayn para
todo o lado, enquanto ele procurava não sabia eu o quê, e provavelmente, ele
também não. Pelo menos ele tinha a pequena noção de como eram as vestes dos
mortais, na Antiguidade.
Até agora tinha
escolhido dois metros de um tecido branco e suave, e dois broches redondos com
uma árvore desenhada, cada um, na parte que ficava à vista.
- Continuo sem
saber quem serás – admiti, enquanto passávamos a mão pelos tecidos pretos, numa
parte da loja que estava deserta.
- Tu também não
me dizes quem serás – respondeu ele.
Dei uma
risadinha.
- E como eu não
revelarei a ninguém que deusa representarei, irás apanhar uma surpresa. Se me
reconheceres – pisquei o olho.
Ele sorriu e
desviou o olhar para o lado, mostrando frustração.
Não me contive
e comecei a rir, contente por saber que o punha confuso. Era uma diversão para
mim.
- És tão má –
sussurrou Zayn, pegando-me no rosto e empurrando-me contra a parede de tecidos.
Eu sabia que
ele me ia beijar.
- Não faças
isso – murmurei.
Zayn exasperou
o ar, insatisfeito.
- Já é a
segunda vez que dizes o mesmo. Se disseres uma terceira, nunca mais provarás o
sabor dos meus lábios.
- Não consegues
resistir-me, Zayn Malik.
O som da minha
voz saiu melhor do que eu esperava, transmitindo sensualidade. Ele revirou os
olhos e afastou-se, desaparecendo na esquina dos tecidos cinzentos. Enruguei a
testa, questionando-me se ele seria capaz de me deixar sozinha. Corri para o
procurar.
- Já não
escolheste o tecido para o teu traje? – Perguntei, vendo-o de novo ao pé dos
tecidos brancos.
- Não é para
mim, é para ti.
Tirei-lhe o
gorro OBEY que escondia o seu cabelo e ele olhou-me, furibundo.
- Dá-me o gorro
– pediu.
- Não.
O cabelo de
Zayn estava despenteado, algo que eu nunca vira. Tive que conter o riso, senão
ele passava-se comigo. Mas… já não estava isso a acontecer?
- Bella – anuiu
ele, fechando os olhos com força. – Isto não é nenhuma brincadeira. Dá-me o
gorro, se faz favor.
Fiz o que me
pediu.
- Eu não
preciso que vocês me paguem as coisas, entendes? Com o Louis foi a mesma coisa.
Vocês pensam que não tenho dinheiro?
- Vou arriscar
e dizer que neste momento não tens nenhuma nota na carteira, nem mesmo uma
libra. Estou errado? – Baixei a cabeça, dando-lhe razão. – Bem me parecia que
não. Se decidisses ir amanhã com a tua mãe arranjar os materiais, ela não teria
tempo de te criar o fato. Portanto, deixa-me ajudar-te.
Zayn suspirou.
- Quem quer que
seja a deusa que serás… - olhei de novo para ele. Os seus olhos estavam
brilhantes. – Tu já és uma, mas não será a mesma coisa se não fores à festa.
Levantou a mão
e colocou uma madeixa de cabelo atrás da minha orelha, enquanto percorria o
olhar pelo meu rosto. Nunca vira o olhar de Zayn tão afetuoso quanto estava a
contemplar naquele momento. Expressei um sorriso envergonhado.
- Vou precisar
da sua ajuda, senhor Malik. A deusa que serei requer trabalho.
Ele sorriu.
Rodeou-me num abraço que eu desejei ter sido eterno, mas depois largou-me e
voltou toda a sua atenção para a diferença entre o tecido cor de cal e o tecido
branco sujo.
Afrodite era a
deusa do Amor, e considerada por todos, sem exclusões de partes, a divindade
mais linda do Olimpo. Não sei o que me fez aceitar essa escolha para
interpretar na festa temática, mas agora não podia ir atrás nessa decisão.
Teria que encontrar o tecido que mais se identificaria com o requinte da deusa.
Na loja da
Cindy havia diferentes tipos de brancos, mas nenhum que me parecesse
suficientemente bonito para que eu interpretasse Afrodite.
- Não há nenhum
de que gostes? – Perguntou Zayn.
Abanei a
cabeça, negando.
- Nenhum é do
meu agrado.
Fui dando
algumas voltas pela loja, tentando ver se descobria outro tecido branco noutra
parte. Quando passei pela porta que dava para as traseiras, reparei num tecido
que se escondia atrás dos tons vermelhos.
É este,
pensei, mal vi os reflexos pérola que se exibiam sempre que me movimentava para
a esquerda ou para a direita. Tentei tirar o cilindro, mas era demasiado
pesado. Zayn apareceu de repente, pegando nele sem qualquer esforço.
- És tão
fraquinha – murmurou, troçando de mim.
Atirei a língua
fora, aborrecida. Segui-o até à senhora que cortava os metros que precisávamos,
e quando ele disse que um metro e meio devia chegar e sobrar, senti-me ainda
mais ofendida.
- Corte dois
metros, por favor – apressei-me a pedir.
Enquanto
esperávamos na fila, mexi nas caixas dos botões e dos broches, procurando algo
que me agradava. No entanto não encontrei nada que pudesse prender o tecido nos
meus ombros, tal e qual como eu vi uma vez, nas vestimentas das mulheres no
filme O Gladiador.

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