quinta-feira, 29 de novembro de 2012

New Begginning - Capítulo 72


À primeira vista, a “Cindy’s Place” não parecia ser um grande espaço. Mas quando entravas, era um mundo de cores e de diferentes texturas de tecido. Eu seguia Zayn para todo o lado, enquanto ele procurava não sabia eu o quê, e provavelmente, ele também não. Pelo menos ele tinha a pequena noção de como eram as vestes dos mortais, na Antiguidade.
Até agora tinha escolhido dois metros de um tecido branco e suave, e dois broches redondos com uma árvore desenhada, cada um, na parte que ficava à vista.
- Continuo sem saber quem serás – admiti, enquanto passávamos a mão pelos tecidos pretos, numa parte da loja que estava deserta.
- Tu também não me dizes quem serás – respondeu ele.
Dei uma risadinha.
- E como eu não revelarei a ninguém que deusa representarei, irás apanhar uma surpresa. Se me reconheceres – pisquei o olho.
Ele sorriu e desviou o olhar para o lado, mostrando frustração.
Não me contive e comecei a rir, contente por saber que o punha confuso. Era uma diversão para mim.
- És tão má – sussurrou Zayn, pegando-me no rosto e empurrando-me contra a parede de tecidos.
Eu sabia que ele me ia beijar.
- Não faças isso – murmurei.
Zayn exasperou o ar, insatisfeito.
- Já é a segunda vez que dizes o mesmo. Se disseres uma terceira, nunca mais provarás o sabor dos meus lábios.
- Não consegues resistir-me, Zayn Malik.
O som da minha voz saiu melhor do que eu esperava, transmitindo sensualidade. Ele revirou os olhos e afastou-se, desaparecendo na esquina dos tecidos cinzentos. Enruguei a testa, questionando-me se ele seria capaz de me deixar sozinha. Corri para o procurar.
- Já não escolheste o tecido para o teu traje? – Perguntei, vendo-o de novo ao pé dos tecidos brancos.
- Não é para mim, é para ti.
Tirei-lhe o gorro OBEY que escondia o seu cabelo e ele olhou-me, furibundo.
- Dá-me o gorro – pediu.
- Não.
O cabelo de Zayn estava despenteado, algo que eu nunca vira. Tive que conter o riso, senão ele passava-se comigo. Mas… já não estava isso a acontecer?
- Bella – anuiu ele, fechando os olhos com força. – Isto não é nenhuma brincadeira. Dá-me o gorro, se faz favor.
Fiz o que me pediu.
- Eu não preciso que vocês me paguem as coisas, entendes? Com o Louis foi a mesma coisa. Vocês pensam que não tenho dinheiro?
- Vou arriscar e dizer que neste momento não tens nenhuma nota na carteira, nem mesmo uma libra. Estou errado? – Baixei a cabeça, dando-lhe razão. – Bem me parecia que não. Se decidisses ir amanhã com a tua mãe arranjar os materiais, ela não teria tempo de te criar o fato. Portanto, deixa-me ajudar-te.
Zayn suspirou.
- Quem quer que seja a deusa que serás… - olhei de novo para ele. Os seus olhos estavam brilhantes. – Tu já és uma, mas não será a mesma coisa se não fores à festa.
Levantou a mão e colocou uma madeixa de cabelo atrás da minha orelha, enquanto percorria o olhar pelo meu rosto. Nunca vira o olhar de Zayn tão afetuoso quanto estava a contemplar naquele momento. Expressei um sorriso envergonhado.
- Vou precisar da sua ajuda, senhor Malik. A deusa que serei requer trabalho.
Ele sorriu. Rodeou-me num abraço que eu desejei ter sido eterno, mas depois largou-me e voltou toda a sua atenção para a diferença entre o tecido cor de cal e o tecido branco sujo.
Afrodite era a deusa do Amor, e considerada por todos, sem exclusões de partes, a divindade mais linda do Olimpo. Não sei o que me fez aceitar essa escolha para interpretar na festa temática, mas agora não podia ir atrás nessa decisão. Teria que encontrar o tecido que mais se identificaria com o requinte da deusa.
Na loja da Cindy havia diferentes tipos de brancos, mas nenhum que me parecesse suficientemente bonito para que eu interpretasse Afrodite.
- Não há nenhum de que gostes? – Perguntou Zayn.
Abanei a cabeça, negando.
- Nenhum é do meu agrado.
Fui dando algumas voltas pela loja, tentando ver se descobria outro tecido branco noutra parte. Quando passei pela porta que dava para as traseiras, reparei num tecido que se escondia atrás dos tons vermelhos.
É este, pensei, mal vi os reflexos pérola que se exibiam sempre que me movimentava para a esquerda ou para a direita. Tentei tirar o cilindro, mas era demasiado pesado. Zayn apareceu de repente, pegando nele sem qualquer esforço.
- És tão fraquinha – murmurou, troçando de mim.
Atirei a língua fora, aborrecida. Segui-o até à senhora que cortava os metros que precisávamos, e quando ele disse que um metro e meio devia chegar e sobrar, senti-me ainda mais ofendida.
- Corte dois metros, por favor – apressei-me a pedir.
Enquanto esperávamos na fila, mexi nas caixas dos botões e dos broches, procurando algo que me agradava. No entanto não encontrei nada que pudesse prender o tecido nos meus ombros, tal e qual como eu vi uma vez, nas vestimentas das mulheres no filme O Gladiador.

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